Leticia Mota
Para tentar amenizar alguns custos, especialistas dão dicas de como avaliar a relação custo/benefício da energia elétrica, do gás natural e do gás liquefeito de petróleo
As despesas mensais das famílias brasileiras são muitas. Em uma casa, então, nem se fala. Gastos com água, luz e gás sempre merecem atenção. Para tentar amenizar alguns custos, especialistas dão dicas de como avaliar a relação custo/benefício da energia elétrica, do gás natural (GN) e do gás liquefeito de petróleo (GLP). Na hora da escolha, deve-se levar em consideração diversos fatores, como qual custa mais caro, faz menos mal ao ambiente ou desperdiça menos água. Uma pesquisa mostra inclusive, que aquele que é tido como o grande vilão da conta de luz, o chuveiro elétrico, pode não ser tão “malvado” assim.
Segundo André Otoni, gerente da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG), o uso do gás natural (GN), além de oferecer maior comodidade e conforto aos consumidores, já que tem sua distribuição ininterrupta, proporciona economia na conta de energia elétrica. Ele revela ainda que é possível ter a noção exata do consumo mensal, através de medidores individuais.
Já Sérgio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato das Empresas de Gás (Sindigás) explica que o GLP, que é comercializado em botijões ou cilindros, tem o custo mais em conta: cerca de 49% menor que o GN e as mesmas utilidades, que vão do aquecimento da água à geração de chama para fogão.
Segundo a Ampla, concessionária de energia elétrica de Niterói e municípios vizinhos, o chuveiro elétrico é responsável por 25% dos custos da conta de luz da população brasileira, mas existem medidas simples, que podem ser adotadas e evitam o desperdício de água e energia, e barateiam os custos mensais.
Economia – O resultado final do estudo “Avaliação do consumo de insumos (água, energia elétrica e gás) em chuveiro elétrico, aquecedor a gás, chuveiro híbrido solar, aquecedor solar e aquecedor de acumulação elétrico”, elaborado pelo Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), entidade vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), absolveu parcialmente um dos principais vilões da conta de luz: o chuveiro elétrico – pelo menos quando se avalia conjuntamente o consumo de energia e água. O eletrodoméstico, segundo o Cirra, é a opção mais econômica para se tomar banho.
Segundo o pesquisador Ivanildo Hespanhol, um dos responsáveis pela pesquisa, foram levados em conta os gastos com energia elétrica ou gás – dependendo do modelo – e os gastos com água. “Como no chuveiro elétrico a água fica mais quente conforme é reduzida a quantidade de saída, ele é o que mais economiza o líquido”, explicou.
Serviço ininterrupto no chuveiro e fogão
André Otoni, gerente da CEG explica que o uso do GN em chuveiros é comprovadamente mais econômico. Ele lembra que o comodismo e o conforto de ter água quente ao simples girar da torneira, e de ter o serviço ininterrupto também para o uso no fogão explicam a adesão cada vez maior pela população.
Ele lembra ainda que uma família média, de quatro pessoas, que utilizem o chuveiro duas vezes ao dia e o fogão para fazer suas refeições diariamente, gastam em média, 40 metros cúbicos, pagam em torno de R$ 100. A aposentada Terezinha Macedo, de 67 anos, optou pela instalação do GN há cerca de dois anos. Para ela, a segurança de não ter um botijão de gás dentro da cozinha foi a principal motivação. Ela conta que até hoje, no entanto, não viu economia.
“A conta subiu um pouco. Antes a gente trocava um botijão a cada 45 dias, agora a conta vem todo mês com o valor perto de R$ 50. Acho que o preço poderia ser equivalente ao do botijão. Não vi economia, mas acho que só a segurança já valeu a pena”, conclui.
Conforto – Marinalva Silva Sacramento, funcionária da jornalista Lívia Formel, de 22 anos, aprecia a utilização do GN, tanto para cozinhar como para aquecer a água do chuveiro e das torneiras. Lívia, que mora em um apartamento abastecido pelo GN, explica, no entanto, que há prós e contras na utilização do gás natural.
“Na casa em que morava antes, utilizava boiler elétrico, e o custo de energia era bem mais alto. Aqui usamos gás natural e a conta de luz e do gás GLP diminuíram. Atualmente pago menos de R$ 60 por mês para aquecer a água e cozinhar. No entanto, a conta de água aumentou, já que, por conta do jato da água mais forte e a necessidade de temperatura das torneiras, faz com que gastemos mais água“, enumera.
Gastos com o GN e GLP nas residências
Para o gerente da CEG é necessário levar em consideração os gastos mensais, comodidade e segurança para definir que tipo de energia utilizar para aquecer água e cozinhar. Ele explica que, se o consumidor utilizar o gás natural no fogão (para cozinhar) e no banheiro (aquecedor), ele economizará, em média, R$ 10 do seu orçamento mensal, em comparação com o GLP.
Além disso, o gás natural, por ter fornecimento contínuo, não necessita estocagem de recipientes pesados e de alta pressão, possibilitando um melhor aproveitamento do espaço. Conta com medição individual de consumo e é uma fonte de energia econômica e limpa, pois a sua queima libera vapor da água e gás carbônico.
Segundo Bandeira de Mello, do Sindigás, o preço mais barato, em comparação com o GN, e a possibilidade de ser instalado em qualquer imóvel é uma das vantagens do GLP. Ele afirma ainda que, com duração média de 45 dias, em uma residência com quatro pessoas, os botijões de 13 quilos – que custam em média R$ 38 – não oferecem perigo, desde que armazenados de forma correta.
“As mangueiras devem ser trocadas a cada cinco anos. O odor, característico do botijão, é aplicado para alertar possíveis vazamentos.
Utilizado em qualquer tipo de imóvel
Sérgio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás, explica que o GLP está presente em 98% dos lares brasileiros e que o produto é seguro e serve tanto para a alimentação de fogões quanto para o aquecimento de água em chuveiros e torneiras. Ele afirma ainda que a comparação feita pelo Cirra, comparando o consumo de água em chuveiros elétricos e a gás, pode não ser tão fidedigna, já que os chuveiros são diferenciados, para cada tipo de energia.
Ele mostra, através de comparação baseada em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que o botijão de gás de 13 quilos, que corresponde a 80% dos 33 milhões comercializados por mês, em todo o País, custa 49,1% a menos que os 15,7 metros cúbicos correspondentes de gás natural.
“Vendemos energia em ‘lata’ e a levamos até a porta do cliente pela metade do preço de nosso principal concorrente. E não cobramos taxa mínima mensal. O gás em botijão, além de ter melhor custo/benefício tanto em relação à energia elétrica (cerca de 70%) quanto ao GN (quase 50%), pode ser utilizado em qualquer tipo de imóvel, bastando que a instalação da tubulação seja feita pelo proprietário do imóvel; e, ao contrário do que muita gente pensa, não oferece perigo, já que botijões não explodem”, explica.
A dona de casa Ana Maria Ferreira Barbosa, de 62 anos, é adepta do GLP. Ela usa aquecedor a gás em casa e não troca por nada. “Economizo muita luz. Comparo minhas contas com as dos meus filhos, que usam chuveiro elétrico e vejo a diferença. Depois de usar o gás parece que o chuveiro elétrico não esquenta direito”, comenta ela que utiliza o gás liquefeito de petróleo.