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16
AGO
2018

Coordenador de programa tucano defende teto de gastos e critica desoneração do diesel

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Fonte: Valor Econômico 

Coordenador do programa econômico de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao Planalto, Persio Arida, defendeu a manutenção da regra do teto de gastos e criticou, em encontro com jovens e estudantes, ontem no Rio, a desoneração do óleo diesel feita pelo governo Michel Temer, que atendeu reivindicação dos caminhoneiros que paralisaram o país em maio.

“A solução foi a pior possível. O valor da desoneração é quase meio Bolsa Família, pare para pensar um pouco… E por que desonerou o diesel e não o GLP, que é o gás que as pessoas usam, o botijão? Por que privilegiou um e não o outro?”, disse Arida, numa conversa informal para um grupo de pouco mais de 20 jovens – eram esperados 60 – além de assessores e tucanos em campanha, como o deputado federal Otavio Leite, presidente do PSDB fluminense, e o candidato a deputado estadual Pedro Duarte, representante da juventude do partido. O orçamento do Bolsa Família em 2018 foi de R$ 27,8 bilhões.

O economista afirmou que a coincidência da valorização do dólar e do aumento do preço internacional do petróleo é um problema que costuma ser enfrentado seja por um sistema de mercado como nos Estados Unidos – onde uma refinaria pode abrir mão da margem de lucro para ganhar mercado e não repassar o aumento – ou pelo sistema de tributação flexível, praticado na Europa, pelo qual o imposto é reduzido quando se aumenta o preço do petróleo, e é elevado quando o preço cai. “Ou se tem um sistema competitivo ou um sistema qualquer em que os impostos sobem e descem para contrabalançar o efeito externo. O que não pode é não ter nada, que é o caso brasileiro, onde a Petrobras é monopolista. Ela tem o monopólio do refino, não é por lei, mas tem na prática”, disse.

Arida criticou a saída adotada por Temer na greve dos caminhoneiros, mas defendeu o teto constitucional de gastos implementado pelo presidente da República. “Manter o teto de gastos é muito importante. Tem sido muito criticado, mas vamos olhar a realidade. O Brasil tinha despesas primárias de 11% do PIB. Está em 20%, que é gasto puro e simples, gasto que é mal feito, que não vai para população que de fato interessa, o Estado não funciona. Brecar o gasto é fundamental”, disse.

O coordenador do programa econômico tucano afirmou que, “a rigor a gente nem precisaria ter teto, se fosse em outras circunstâncias”. Citou São Paulo – de cujo governo Alckmin saiu para concorrer a presidente – como um Estado bem administrado, onde se “fez uma enorme redução de gastos públicos e não tem teto nenhum para manter as finanças em equilíbrio”. “Mas isso aconteceu em São Paulo e o governo federal foi em outra trajetória. O teto tem que ser mantido. Se aumentar gastos à essa altura do campeonato vai agravar o problema”, defendeu.

No início do mês passado, Persio Arida criticou o teto gastos: “Uma medida como essa para 20 anos não faz sentido, você não pode engessar os gastos, porque a economia é dinâmica”, afirmou em evento em São Paulo, embora considerando a medida útil, num prazo de “dois ou três anos”, para conter o desequilíbrio fiscal.