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07
NOV
2018

Petrobras tem lucro de R$ 6,6 bilhões no 3º trimestre; presidente defende atual política de preços

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Fonte: Extra | Home  Rio de Janeiro | RJ

A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 6,644 bilhões no terceiro trimestre deste ano. O resultado foi 25 vezes maior do que os R$ 266 milhões obtidos no mesmo período do ano passado. Nos primeiros nove meses, o ganho da estatal somou R$ 23,677 bilhões, um avanço de 371% ante o mesmo período de 2017. É o melhor resultado para o acumulado entre janeiro e setembro desde 2011.

Segundo a estatal, houve maiores margens nas vendas de derivados no Brasil e nas exportações, ambas impulsionadas pelo aumento do preço do petróleo e pela depreciação do real, além do aumento nas vendas de diesel com expansão de participação de mercado.

Segundo Ivan Monteiro, presidente da estatal, a atual política de preços é importante para os bons resultados que a companhia vem apresentando nos últimos tempos. Segundo ele, caberá à Petrobras esclarecer e mostrar a relevância dessa política para a equipe do novo governo.

— A gente acha que essa política é transparente e dá uma previsibilidade ao mercado. Essa política de preços é um fator importante para os números que a gente apresentou hoje (terça-feira), com mais um resultado recorde, numa clara trajetória de recuperação — declarou.

Segundo o executivo, o novo governo poderá querer discutir mudanças nessa política de preços, mas caberá à Petrobras mostrar a sua importância para os resultados positivos da companhia.

— Alterações nessa política tem que ser discutidas, e evidentemente o novo governo tem toda a liberdade de fazer isso. Cabe a nós esclarecer a importância e a relevância disso para a rentabilidade da companhia — afirmou Monteiro.

Dividendos de R$ 1,3 bilhão

Com o lucro, a Petrobras informa que seu Conselho de Administração, em reunião realizada ontem, aprovou a distribuição de remuneração antecipada aos acionistas sob a forma de Juros sobre o Capital Próprio (JCP). Será distribuído um total de R$ 1,3 bilhão, correspondente a um valor bruto de R$ 0,10 por ação, que será pago em 3 de dezembro de 2018, na proporção da participação de cada acionista, incluindo quem investiu seu FGTS em ações da estatal.

Com a venda de ativos, a Petrobras já arrecadou US$ 5 bilhões neste ano, acumulando um total de US$ 7,5 bilhões no período de 2017/2018, bem abaixo ainda da meta de atingir até o fim do ano US$ 21 bilhões. O presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, afirmou que, devido a questões judiciais como a suspensão da venda da TAG e dos projetos de parceria nas refinarias, a Petrobras não alcançará a meta de US$ 21 bilhões no período de 2017/2018.

Segundo ele, o total de receita com a venda de ativos neste ano deverá ficar em US$ 7,5 bilhões, totalizando US$ 9,5 bilhões no período 2017/2018.

Abaixo da expectativa do mercado

O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava lucro trimestral na casa de R$ 11 bilhões. A Petrobras informou que o lucro no terceiro trimestre foi afetado pelo pagamento de R$ 3,5 bilhões às autoridades americanas para encerrar processos no Departamento de Justiça dos EUA e na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Excluindo-se esses acordos, bem como os efeitos do acordo da Class Action, o lucro líquido seria de R$ 10,269 bilhões no trimestre e R$ 28,012 bilhões no acumulado do ano”, destacou a estatal em comunicado. No terceiro trimestre do ano passado, o ganho foi afetado com os gastos feitos pela estatal com a adesão a programas de regularização de débitos federais.

Segundo a Petrobras, a queda no lucro também ocorreu devido à redução no volume total das vendas de derivados no mercado interno e nas exportações. O total de vendas no mercado interno caiu 5% entre janeiro e setembro deste ano, para 2,3 milhões de barris por dia. Entre as exportações, a queda foi de 13%, para 834 mil barris diários. Assim, o total geral de vendas caiu 7% no ano.

O diretor financeiro da companhia, Rafael Grisolia, destacou alguns pontos que contribuíram para o resultado no terceiro trimestre como o aumento de 39% do preço do petróleo.

— O aumento dos preços do brent e a desvalorização do real se traduziram em maiores margens para a companhia, tendo se refletivo de forma positiva nos resultados da companhia, que está com um caixa de US$ 14 bilhões, além de linhas de crédito de US$ 5,9 bilhões que podem ser utilizadas se necessário.

Produção caiu 6% no ano

No ano, a produção caiu 6%, para 2,028 milhões de barris por dia. A produção de petróleo diminuiu devido, principalmente, aos desinvestimentos realizados nos campos de Lapa e Roncador, e ao declínio natural da produção que foram parcialmente compensados pela entrada em produção do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, no Campo de Tartaruga Verde, e da P-74, no Campo de Búzios, destacou a Petrobras.

Ao explicar a queda na produção, a diretora de Exploração & Produção, Solange Guedes, destacou a venda de ativos, a paralisação de vários sistemas antecipados de produção e outras unidades para manutenção. A diretora destacou também os resultados na produtividade dos poços nos campos do pré-sal que superam mais de 30 mil barris diários por poço.

— Nos testes de longa duração realizados no campo de Mero, na área de Libra, no pré-sal na Bacia de Santos, foi constatado uma produtividade de produção de 58 mil barris por dia — destacou a diretora.

Ela lembrou que será possível atingir a meta de produção de 2,1 milhões de barris por dia de petróleo neste ano, apesar da queda.

— Vamos ter ainda algumas paradas programadas de plataformas, mas em um ritmo bem nenor do que no terceiro trimestre do ano — afirmou Solange.

O diretor de Engenharia, Hugo Repsold, destacou ainda a entrada de novas unidades em operação. Ele citou a P-75, que deve entrar em produção ainda hoje à noite.

— A P-67 deverá iniciar a produção até o fim do ano. A P-76 deve chegar no local de produção até fim deste ano. A P-77 está vindo da China e será colocada em produção no início do ano que vem. Temos boas perspectivas pela frente, para os próximos anos de acordo com o Plano de Negócios — afirmou Hugo Repsold.

A receita de vendas da empresa ficou em R$ 98,2 bilhões no terceiro trimestre, número maior que os R$ 71,8 bilhões do mesmo período do ano passado. Nos nove primeiros meses do ano, a receita somou R$ 257,1 bilhões, avanço de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. A geração de caixa no ano subiu de R$ 19,2 bilhões, no terceiro trimestre do ano passado, para R$ 29,8 bilhões, no terceiro trimestre deste ano. Com isso, no ano de 2018, a geração de caixa operacional, medida pelo Ebitda, subiu 35%, para R$ 85,6 bilhões.

O aumento da receita foi puxado pelos preços mais elevados dos derivados, como diesel, gasolina e GLP, como reflexo da cotação do preço do petróleo e da depreciação do real, embora tenha ocorrido queda no colume de vendas.

“Houve aumento da receita com exportações de petróleo e derivados (R$ 10,373 milhões), devido aos maiores preços, acompanhando a elevação das cotações internacionais e a depreciação do real frente ao dólar, e à maior exportação de gasolina, compensados em parte pela redução do volume de petróleo exportado devido à menor produção”, explicou a estatal.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Jorge Celestino, disse que a redução nas vendas da gasolina se deve à competição com o etanol.

— A política comercial mais agressiva que a companhia vem adotando desde fins do ano passado vem fazendo com que venha recuperando mercado no setor de combustíveis — destacou Celestino.

“O fluxo de caixa livre permaneceu positivo pelo décimo quarto trimestre consecutivo, atingindo R$ 37,481 bilhões nos nove meses de 2018, mesmo patamar do ano anterior, devido ao aumento da geração operacional, apesar dos pagamentos relacionados ao acordo da Class Action, e dos maiores investimentos”, afirmou a Petrobras, em nota.

Dívida líquida sobe 4%

Entre janeiro e setembro de 2018, o endividamento bruto recuou 2%, principalmente em decorrência da amortização de dívidas, para R$ 352,8 bilhões. Já o endividamento líquido subiu 4%, devido à depreciação do real frente ao dólar, chegando a R$ 291,8 bilhões.

“O prazo médio de vencimento da dívida ficou em 9,05 anos (maior do que os 8,62 anos em 31 de dezembro de 2017). A taxa média de financiamento aumentou de 6,1% em dezembro de 2017 para 6,2% em setembro de 2018”, destacou a empresa.

Em dólar, a dívida bruta caiu 19%, passando de US$ 109,2 bilhões, no fim de 2017, para US$ 88,1 bilhões. Já a dívida líquida teve recuo de 14%, caindo de US$ 84,8 bilhões para US$ 72,8 bilhões.

Processo de transição com novo governo

Ivan Monteiro disse que a companhia já está colaborando com a equipe de transição fornecendo todas as informações necessárias. Segundo ele, os trabalhos na venda de ativos estão sendo desenvolvidos normalmente, sem alterações por conta de mudanças de governo. Ele lembrou que caberá ao novo governo decidir se ele permanecerá no cargo ou não. Seu mandato termina em abril de 2019.

— É a maior companhia com resultado trimestral, a maior companhia de capital aberto. É uma companhia completamente diferente do que a gente recebeu — destacou.

Ao fim da coletiva de imprensa para apresentar os resultados da Petrobras do terceiro trimestre do ano, o executivo pareceu estar se despedindo.

— Quero dizer da satisfação de toda a diretoria com esse processo de recuperação da companhia, dizer da felicidade dos resultados alcançados até então. E, com tranquilidade, passar a mensagem de que a Petrobras está aqui para contribuir e ajudar no desenvolvimento do nosso país. Tem sido isso o processo que iniciamos lá em fevereiro de 2015. Todos se recordam de como estava em situação completamente diferente de como está hoje — concluiu Monteiro.