default-logo1
default-logo1
21
NOV
2018

C.Branco: Vender Petrobras não está na pauta; Bolsonaro fala em partes

Posted By :
Comments : Off

Fonte: Valor Econômico

(Atualizada às 19h13) O indicado para ocupar a presidência da Petrobras no governo Jair Bolsonaro, Roberto Castello Branco, disse em entrevista ao Valor que, como economista, é favorável à privatização da Petrobras, mas salientou que o assunto não está na pauta da nova administração. Apontou, contudo, que ainda será feita uma avaliação de como agir com relação a outros setores nos quais a Petrobras atua, como refino e distribuição de combustíveis, logística de gás e outros.
Ele evitou ser taxativo, mas indicou que essas áreas não serão prioritárias e podem ter destinos diferentes, como a venda. “Temos que definir a alocação de capital no que é mais rentável para o acionista, incluindo entre os acionistas o povo brasileiro”, disse.

Jair Bolsonaro, por sua vez, afirmou nesta segunda-feira que “alguma coisa (da Petrobras) você pode privatizar, não toda.” O presidente eleito frisou que a empresa é estratégica e que poderia “ser privatizada em partes”.

Em conversa rápida com a imprensa, o futuro presidente preferiu deixar a análise sobre o assunto em aberto. “Estamos conversando. Não sou uma pessoa inflexível, mas temos que, com muita responsabilidade, levar avante um plano como esse daí. Vi lá atrás com muito bons olhos a questão da Embraer. Então podemos conversar, certo? Agora, entendo que é uma empresa estratégica, que pode ser privatizada em partes”, disse.

Como o Valor já mostrou anteriormente, o time liderado por Paulo Guedes considera fazer a privatização de várias subsidiárias de empresas estatais, entre elas as da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Em sua produção como economista, Castello Branco se declarou a favor da venda dos ativos de refino e distribuição da empresa. Em artigo publicado pelo Valor em 8 de maio, intitulado “Privatizações envergonhadas”, Castello Branco escreve que “tanto no refino quanto na distribuição, a Petrobras, por razões estruturais inerentes a uma empresa estatal, não demonstrou possuir a competência necessária para ser a dona natural desses negócios”.

Também criticou o controle de preços de combustíveis praticado pela estatal. Matéria publicada pelo Valor em 2015 ressalta que ele questionava a intervenção governamental no setor de óleo e gás nos últimos anos e classificou o regime de partilha como “danoso” para a Petrobras e para o Brasil.

Pré-sal e eficiência

Ao Valor, Castello Branco disse que a prioridade de sua gestão à frente da estatal será concentrar esforços na exploração de petróleo na camada pré-sal. Ele lembrou que há uma “revolução energética” em curso e que, por isso, é preciso acelerar a exploração dessa riqueza, de forma a gerar maior valor à empresa.

“O pré-sal tem altíssima produtividade. A empresa tem tecnologia e temos que concentrar os recursos financeiros e humanos nesta oportunidade”, disse Castello Branco. “Temos que concentrar mais esforços no pré-sal”, acrescentou ao ser questionado se esse já não seria o foco atual da empresa.

Em relação à estratégia para o quadro de pessoal, Castello Branco disse considerar que a companhia já vem fazendo um bom esforço para ter um quadro mais enxuto. “A empresa já vem fazendo um esforço bom. Não pretendo fazer grandes mudanças. A companhia tem profissionais muito bons. Não pretendo fazer mudanças revolucionárias ou drásticas”, disse.

Segundo Castello Branco, a determinação geral que ele recebeu do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, é que a empresa seja inserida nesse esforço de garantir que a prosperidade econômica não seja atropelada pelo peso do Estado. “A ideia é uma Petrobras muito mais eficiente”, disse.

Castello Branco afirmou que ainda fará uma análise mais profunda sobre os dados da empresa, suas subsidiárias e projetos e temas de interesse dela no Congresso Nacional. “Ainda preciso mergulhar nos detalhes da Petrobras”, disse.

Boas vindas do mercado

Analistas do mercado financeiro reagiram bem à indicação de Castello Branco para presidir a Petrobras. Para a consultoria de risco político Eurasia Group, a escolha traz perspectivas positivas para o setor de óleo e gás no país e para uma gestão da empresa com orientação voltada ao mercado, diferente da pesada influência política exercida pelo governo petista. A Eurasia, porém, não aposta numa eventual privatização. “Como o assunto sobre a privatização das coroas do Brasil continua sendo um tabu, e o próprio Bolsonaro é contrário, a medida dificilmente será levada em frente”, diz a consultoria em relatório.

O banco UBS sublinha a visão “pró-mercado” que o economista deve aplicar à estatal, com possível apoio a ações como a flutuação dos preços de combustíveis e a privatização de refinarias e da BR Distribuidora.

Para o diretor da corretora CM Capital Markets, Fernando Barroso, os papéis da Petrobras guardam um potencial de alta importante com a confiança de uma gestão alinhada à governança corporativa e eficiência esperada de Castello Branco, “que já declarou ser a favor da privatização da área de refino e distribuição”.

Em relatório, a Guide Investimentos lembra que o economista já ocupou cargos de direção no Banco Central e na Vale. “Além disso, Castello Branco já fez parte do Conselho de Administração da Petrobras e desenvolveu projetos relevantes de pesquisa na área de petróleo e gás”, diz a instituição. A Guide ainda afirma que Castello Branco está alinhado ao perfil do governo Bolsonaro, tendo competência para dar continuidade ao processo de desalavancagem financeira e melhora operacional da Petrobras conduzido pela gestão de Ivan Monteiro.