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30
NOV
2018

Ultra vê 2019 melhor para todos os seus negócios

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Fonte: Valor Econômico

Curado, presidente da Ultrapar: “A rápida desalavancagem vai dar flexibilidade adicional para eventualmente fazer novos investimentos”
Depois de um ano de ajustes, que abarcaram a condução dos negócios, a estratégia de alocação de capital e simplificação de estrutura, o grupo Ultra prevê para 2019 a melhora dos resultados de todos os seus negócios, em especial a distribuidora Ipiranga. A mensagem otimista, de que o ano que vem será o da retomada do crescimento, abriu e encerrou o encontro anual do comando da Ultrapar com analistas e investidores ontem, em São Paulo.

“Sofremos nos últimos anos, como todos sofreram, com a contração da economia brasileira. Mas dedicamos um esforço muito grande ao longo de 2018 para reforçar processos e alavancas que nos permitirão retomar o crescimento em 2019”, disse o presidente da Ultrapar, Frederico Curado. O executivo confirmou que os investimentos do grupo em 2018 ficarão “significativamente” abaixo do orçamento original, de cerca de R$ 2,7 bilhões, provavelmente na casa de R$ 2 bilhões. O corte reflete o desejo do Ultra de crescer “com qualidade”, privilegiando uma análise mais profunda dos projetos em lugar de dispender capital de forma mais agressiva. “Vamos buscar critérios mais claros para investir e desinvestir, vamos buscar racionalidade”, afirmou.

Dona de 100% de seus cinco principais negócios e presente em algumas parcerias, a Ultrapar poderá ser mais flexível quanto à estrutura de capital a partir de agora, indicou Curado. “Isso poderá destravar alguns valores e facilitar investimentos no futuro”, explicou. Por outro lado, a holding crê que faz a diferença na gestão de negócios e, por isso, é acionista controladora ou de referência nas empresas que gere, com participação direta nos resultados.

Como investidor, afirmou o executivo, o grupo olha para empresas que têm potencial de participação de mercado relevante, boa geração de Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e transformação desse resultado em caixa e lucro líquido. “Olhando para o atual portfólio, vemos essa característica em todas as empresas. Mas há fases diferentes [entre as empresas]”, observou, referindo-se principalmente ao momento atravessado pela rede de farmácias Extrafarma e a Ipiranga.

Conforme Curado, o terceiro trimestre correspondeu ao pico de alavancagem financeira em muitos anos para o grupo, mas a visão é a de que esse índice vai cair rapidamente com o crescimento do Ebitda e maior disciplina de capital. “A rápida desalavancagem vai dar flexibilidade adicional para eventualmente fazer novos investimentos”, acrescentou.

O diretor financeiro da Ultrapar, André Pires, destacou que a distribuidora de combustíveis já experimenta recuperação, com melhora de volumes e resultados sequencialmente. Em 2019, o crescimento dos resultados será “significativo”. “Está claro que estamos em fase de franca recuperação e na sequência. O crescimento dos resultados foi muito forte nos últimos anos, apesar do cenário que começou a se modificar em 2017 e a expectativa é de inflexão dessa curva”, afirmou. Para o próximo ano, a tendência de recuperação se manterá, com a melhora dos volumes ajudando a rentabilidade.

De acordo com o diretor-superintendente da Ipiranga, Marcelo Araújo, no curto prazo, a expectativa é de retomada gradual da demanda de combustíveis, na esteira da confirmação da retomada econômica, mas ainda em um ambiente de competição desafiador. “Mas com muito menos distorções do que nos últimos 24 meses e algum período com alguma volatilidade por causa dos debates em torno das definições regulatórias que estão postas para discussão.”

O terceiro trimestre correspondeu ao pico de alavancagem financeira em muitos anos para o grupo

Passado esse momento, a Ipiranga enxerga a retomada mais consistente e significativa na demanda por combustíveis líquidos, com avanço da participação dos biocombustíveis. Araújo acredita que o etanol será um “atenuador do sistema de eletrificação no Brasil”, referindo-se ao carros elétricos. O papel relevante do biocombustível para a economia brasileira, afirmou, deve alongar o processo de migração para veículos elétricos. A Ipiranga trabalha com previsão de crescimento da demanda doméstica de combustíveis líquidos até 2040 ou 2045.

“Esse novo ciclo de crescimento também virá com uma grande mudança do consumidor, que está mais exigente, quer experiências melhores, mais conveniência e é mais digital”, disse o executivo. Diante disso, a rede está adotando uma nova estratégia, de posicionamento como plataforma de negócios convenientes que facilite o dia a dia e a mobilidade das pessoas.

Para a Ultragaz, a expectativa é a de resultados crescentes em 2018, com continuidade dessa tendência em 2019, mas em menor ritmo do que o verificado nos últimos dois anos. “A geração de caixa cresce, o que viabilizará a busca de crescimento orgânico e inorgânico”, acrescentou Pires.

A empresa de distribuição de GLP do grupo está atenta a oportunidades de aquisição no mercado brasileiro e no exterior. Segundo o executivo Tabajara Bertelli Costa, que está em período de transição para assumir o comando da Ultragaz, apesar da frustração com a negativa do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) à compra da Liquigás, “não estão encerradas as oportunidades orgânicas e inorgânicas no Brasil”. “Vemos oportunidade inorgânica no país e estamos olhando de forma mais estruturada no mundo, em especial neste momento mais o continente americano”, em especial a América Latina.

Conforme Tabajara, o grupo busca algumas características específicas para o que será a porta de entrada da Ultragaz no mercado internacional, como um mercado com regulação tão evoluída quanto a do Brasil, e o potencial que a eventual aquisição pode trazer para os negócios. Olhando para a operação atual, acrescentou o executivo, os planos incluem três investimentos relevantes em infraestrutura nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com impacto importante da participação de mercado da empresa.

Na Ultracargo, comentou o diretor-superintendente Ricardo Catran, áreas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são avaliadas com atenção pela empresa, porque representam “pontos importantes de crescimento”. Em 2019, a capacidade instalada da Ultracargo crescerá 16%, para 814 mil metros cúbicos. Conforme Catran, considerada a previsão de crescimento da demanda de combustíveis, químicos e etanol até 2034, o Brasil terá de dobrar a capacidade instalada de armazenamento de granéis líquidos, para 6 milhões de metros cúbicos. Isso abre oportunidades de investimento da ordem de R$ 8 bilhões.

Em termos de crescimento orgânico, a Ultracargo tem projetos em Santos (SP), Itaqui (MA) e Suape (PE), todos em terrenos já existentes, além de Aratu (BA). “Temos também as renovações antecipadas dos arrendamentos de Suape e Aratu, que vamos iniciar em 2019, já que é um processo longo, que requer discussão profunda com a Antaq, Ministério dos Transportes e Companhias Docas”, acrescentou.

Para a Oxiteno, que acaba de inaugurar uma fábrica em Pasadena, nos Estados Unidos, a previsão é de melhora substancial do Ebitda em 2018 e continuidade do desempenho em 2019. De acordo com o presidente João Parolin, o foco agora é ocupar as capacidades existentes no Brasil e México. Na Extrafarma, a estratégia de expansão de lojas em 2019 será centrada em três Estados: São Paulo, Bahia e Pernambuco, segundo o presidente da rede de farmácias, Rodrigo Pizzinato. “A abertura nesses Estados permite que, com o adensamento, venham a abertura de centros de distribuição e os benefícios disso nas margens”, disse