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02
JAN
2019

Agricultura Sustentável: O Raiar de uma Nova Era

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Fonte:  Compre Rural | Home  Campo Grande | MS

O ano de 2018 foi de grandes realizações para a Agricultura Sustentável e de grandes promessas para o ano que se aproxima.Por José Luiz M. Garcia

O ano de 2018 pode ser considerado, por várias razões, o ano do raiar de uma nova era na Agricultura, da mesma forma que marca o início do crepúsculo de uma velha e desgastada forma de se fazer agricultura, iniciada em 1840, por conta dos devaneios de Justus von Liebig, que foram amplamente adotados tanto pela academia quanto pela indústria não se importando com as consequências nem com o meio ambiente e muito menos com a verdadeira ciência.

Nesses quase 180 anos de uma forma belicista de se praticar a agricultura, isto é, usando-se critérios militares ao invés de critérios biológicos e científicos, nunca a verdadeira ciência foi tão vilipendiada, desrespeitada, manipulada, escamoteada e vilanizada pela academia das tais “ciências “ agrícolas, notadamente pela chamada “química” agrícola, com se fosse possível existir tais aberrações científicas.

As verdadeiras ciências são, e serão sempre, a Matemática, a Física, a Química e a Biologia, além das suas correntes derivadas como Fisico-Química, Bioquímica, Bio-Física, Microbiologia, etc..

Para se vender produtos químicos altamente poluentes e venenosos e práticas degradantes ao meio ambiente, chegaram a criar até mesmo neologismos como “Life Sciences” entre outros.

Esse ano tivemos diversos marcos dignos de nota. Foi o ano em que conseguimos identificar o chamado Tripé Brasileiro da Agricultura Sustentável, composto pela aplicação de Pós de Rocha, batizada de Rochagem, pelo uso intensivo de Culturas de Cobertura, o chamado “Coquetel” e pelo Uso Intensivo de Organismos Biológicos, quer seja de forma isolada para controlar pontualmente problemas de insetos, fungos e nematóides ou pela aplicação de alguns consórcios comerciais disponíveis no mercado brasileiro e de comprovada eficiência como ativadores da microbiologia do solo, como ponto de partida para a emancipação dos agricultores brasileiros, rumo a sua auto-suficiência.

Foi o ano em que o Brasil produziu mais soja que os Estados Unidos e também foi o ano em que a comunidade agrícola internacional despertou para o fato de que existe uma nova forma de se fazer agricultura e deu um grande e rotundo “Basta!” ao sistema escravizante, oneroso, poluente, mentiroso, enganador e pouco lucrativo do processo convencional de se cultivar as plantas.

Informações recebidas de um amigo australiano, Graeme Sait, da Nutri-Tech Solutions, nos dá conta que no seu último curso ministrado no Canadá, nesse mês de dezembro, a área agricultável entre os participantes do curso, somava mais de 2 milhões de acres. A mesma tendência eu observei entre os participantes da Acres USA 2018 que me relataram haver mais de 10% da área agricultável nos EUA usando conceitos da chamada agricultura regenerativa, algumas vezes chamada de eco-agricultura ou até mesmo de agricultura sustentável, onde o uso de insumos químicos foi reduzido a um mínimo quando não foi eliminado totalmente.

No Brasil, tivemos o sucesso estrondoso do II Fórum de Agricultura Sustentável realizado em Goiânia entre os dias 20 e 22 de Agosto de 2018, quando 500 participantes tiveram a oportunidade de aplaudir acaloradamente novos conceitos como Rochagem, Saúde do Solo, Culturas de Cobertura usando múltiplas espécies, Uso de organismos biológicos na agricultura e Agricultura Sintróprica entre outros. Estima-se que, hoje, cerca de 15% da área agricultável utilizada pela agricultura brasileira já pratica, de uma forma ou de outra, a chamada Agricultura Sustentável no Brasil.


As Bio Fábricas que existem em diversas propriedades agrícolas de grande porte como as do Grupo Franciosi, deixaram os americanos de “boca aberta” e não considero prematuro afirmar que é chegada a hora de “invertermos o jogo” e dos americanos virem ao Brasil aprender como de fato se faz uma agricultura verdadeiramente sustentável.

Afinal de contas vários conceitos nos quais eles hoje se escoram tiveram origem em terras brasileiras, como por exemplo, o próprio plantio direto e a utilização de plantas de cobertura com multiplas espécies, introduzido naquele país pelo eminente cientista conterrâneo o Dr Ademir Calegari do IAPAR, hoje aposentado mas não inativo, muito pelo contrário. Além do uso do Rolo-Faca para efetuar a terminação de plantas de cobertura em terrenos destinados ao plantio direto sem o uso de herbicidas.

Bactéria AzospirillumOs americanos teriam, então, a oportunidade de aprender quem foi a Dra Johanna Dobereinner, descobridora de um novo gênero de bactérias, rebatizado por ela, o Azospirillum, e indicada ao Prêmio Nobel, e cujas pesquisas nos trazem hoje uma economia superior a 2 bilhões de dólares por ano na importação de fertilizante nitrogenados por seus trabalhos com a soja, que promove a fixação do seu próprio Nitrogênio, bem como dos seus trabalhos frente ao Programa Governamental Pró-Álcool.

Foi também o ano em que a Monsanto foi multada em 289 milhões de dólares no caso do desafortunado agricultor que contraiu câncer pelo uso de Round-Up na Califórnia e, ao que tudo indica, existe um rol de outras ações similares a caminho que totalizariam o valor de 13 bilhões de Dólares. E o mais irônico é que isso aconteceu logo após a gigante alemã Bayer haver adquirido a Monsanto pela soma aparentemente “pequena” de 11,4 Bilhões de Dólares, e que todo o seu verdadeiro exército de advogados não foi suficiente para brecar a enxurrada dessas ações que ainda estão por vir. A vida demonstrou que a cobiça nem sempre compensa e que o poder dos advogados não é ilimitado, como pensam ainda alguns políticos que insistem em transgredir a lei. Querer ser a empresa número 1 na área agrícola mundial está custando muito caro a gigante alemã.

Que esse caso da Bayer, que perdeu em um único dia mais do que o valor pago pela Monsanto, sirva de exemplo para todos que direta ou indiretamente estejam ligados a fabricação, comercialização, autorização do uso ( leia-se MAPA ) e ao uso propriamente dito do Glifosato, pois a qualquer momento poderão ser igualmente processados. Jurisprudência nesse sentido já existe de sobra.

Até que consigam se livrar do uso desse herbicida cancerígeno eu sugiro que reduzam a sua aplicação a um litro por hectare e o associe ao acido húmico e ao acido cítrico ou acético para aumentar a sua eficiência e letalidade sobre as plantas invasoras enquanto diminui significativamente o seu impacto ambiental.

Também é preciso que fique claro entre os agricultores que o sistema de plantio direto, em que pese todas as vantagens que já conhecemos de não destruir a estrutura física e aumentar a matéria orgânica do solo, ainda precisa resolver dois grandes problemas, que são a extrema dependência desse mesmo herbicida cancerígeno e de que, esse aumento da M.O., não está relacionado ao aumento de Humus do solo, que é justamente a fração ativa do Carbono orgânico do solo que, por assim dizer, alimenta e ativa a micro vida do solo.

O uso de Plantas de CoberturaA engenhosidade humana dará sempre um jeito de vislumbrar alguma alternativa para esse principal agrotóxico usado na agricultura, que já está até sendo chamado de “o novo DDT” mas que , na verdade, sabemos ser bem pior do que aquele antigo e proibido agrotóxico, ironicamente também fabricado, à época, pela mesma Monsanto. O uso de Plantas de Cobertura com sua terminação feita com Rolo-Faca, ao invés de herbicidas, é apenas uma delas. O advento de novas tecnologias à base de choque elétrico ou à base de chama de gás propano dirigidas as entre linhas, poderão ser também outras alternativas no futuro.

Igualmente, em 2018, tivemos a oportunidade de ministrar dois cursos, apesar de dificuldades de ordem pessoal, um em Santa Maria, RS, destinado quase que exclusivamente a agricultores, outro em Três Pontas, MG, destinado basicamente a cafeicultores e outro curso já está programado a ser ministrado em Pindamonhangaba, SP, nos próximos dias 12 e 13 de Janeiro de 2019, o que demonstra o aumento do interesse em conhecer práticas agrícolas sustentáveis e eficientes.

Resumindo, o futuro sorri para aqueles agricultores que tiverem a ousadia de pensar “fora da caixa” e decidirem trabalhar em associação com a Natureza ao contrário da insanidade acadêmico-industrial de trabalhar contra ela.

Desejo a todos um Feliz Natal e Um Próspero 2019 com bastante realizações no campo da sustentabilidade e no uso de práticas e técnicas agrícolas amigas da Natureza.

“Estudem a Natureza e não os livros “.

William A. Albrecht, PhD

“O Conhecimento é obtido por meio da leitura, do estudo e do aprendizado formal, mas a sabedoria somente é obtida pela observação atenta da Natureza e pela faculdade de se conversar com as plantas e com outros agricultores”. John Kempf.

José Luiz M Garcia, Sitio Boa Vista, Leme, S.P.
Eng. Agr. M.Sc. Fisiologia e Bioquímica / MSU e USP.

Via Instituto de Agricultura Biologica