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04
JAN
2019

Gasolina e gás devem segurar inflação em janeiro

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Fonte: Valor Online | Brasil  São Paulo | SP

Gasolina e gás devem segurar inflação em janeiro

A inflação de janeiro deve continuar bem comportada, apesar do reajuste dos ônibus em São Paulo, da correção do salário mínimo e da sazonalidade dos alimentos no início do ano, avaliam economistas. A ociosidade ainda elevada da atividade e o comportamento favorável dos preços da gasolina e do gás de cozinha devem contribuir para a manutenção de um cenário benigno.

A tarifa de ônibus na capital paulista passará de R$ 4 para R$ 4,30 a partir de 7 de janeiro, aumento de 7,5%. A variação é superior à inflação, que deve fechar 2018 em 3,69%, segundo as estimativas do boletim Focus. Outras capitais devem anunciar reajustes entre janeiro e fevereiro.

Segundo Vagner Alves, do Santander, o impacto do reajuste deve ser de 0,06 ponto percentual sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro. O economista calcula que o índice deve passar de uma deflação de 0,21% em novembro para alta de 0,18% em dezembro de 2018 e de 0,25% em janeiro.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de dezembro e o índice fechado de 2018 no dia 11. Já o índice referente a janeiro será conhecido apenas no mês seguinte.

O salário mínimo vai de R$ 954 em 2018 para R$ 998 em 2019, reajuste de 4,6%. A correção considera o avanço de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017 e a inflação de 2018 medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Até novembro, o INPC acumulado em 12 meses era de 3,56%.

Conforme Alves, o efeito do reajuste do mínimo na inflação é mais indireto e deverá ser diluído ao longo dos meses. Além disso, o impacto deverá ser pequeno, já que o ganho real é de apenas 1%. Segundo o economista do Santander, o maior peso para a aceleração da inflação em janeiro deve vir da sazonalidade dos alimentos, que tendem a subir de preço devido às chuvas.

Por outro lado, a gasolina tem forte queda de preços lá fora, o que pode levar a Petrobras a determinar novos reajustes negativos, mesmo após corte de 7% anunciado na última semana de 2018. Também pode haver redução de preço no gás de cozinha.

Já em fevereiro, a pressão inflacionária deve vir dos serviços, pois, pela metodologia do IBGE, são concentrados no mês os reajustes das matrículas escolares.

A Tendências Consultoria também estima o efeito do reajuste dos ônibus em São Paulo entre 0,06 e 0,07 ponto percentual sobre o IPCA de janeiro. Para a alta do salário mínimo, não há efeito quantificado, diz o economista Marcio Milan, mas o reajuste deve se somar a um cenário de crescimento maior do PIB, redução do desemprego e aumento da população com carteira assinada. Com isso, é esperada ligeira aceleração da inflação de serviços, de 3,2% em 2018 para 3,3% este ano.

Ainda assim, os analistas avaliam que o cenário inflacionário segue tranquilo. “A ociosidade na economia continua muito grande, isso faz com que os núcleos de inflação não fiquem pressionados”, diz Alves, que espera menor variação para preços administrados este ano, como a energia elétrica.