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30
JAN
2019

Queda no consumo é surpresa para o setor

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Fonte: Cenários Gás

Segundo o Sindigás, queda de 1,42% se deve ao racionamento no uso dos botijões

Considerado um mercado muito resiliente, quase imune a crises e que registra crescimento acumulado de consumo em tonelada de 11,12% nos últimos dez anos, foi causa de surpresa para os operadores do setor de GLP a queda de 1,42% no consumo de botijões de 13 kg (P-13) no acumulado até outubro de 2018 em comparação com 2017.

Na análise do Sindigás, a queda se deve muito provavelmente por conta da racionalização de uso dos botijões pelos consumidores, como forma de minimizar a trajetória de aumento nos preços desde 2012, quando o P-13 custava R$ 39,30, chegando nos atuais R$ 68,53 (outubro/2018) no preço médio ao consumidor final.

No período de um ano a alta de preço foi de 16,4%, passando de R$ 59,00 (outubro/2017) para o preço atual, já descontando a inflação.

A racionalização de uso envolveria, na percepção do Sindigás, medidas como o prolongamento no prazo de compra do botijão reserva e outras ações mais simples, como aproveitar o calor do forno para assar mais alimentos de uma vez ou usar as bocas pequenas do fogão para panelas pequenas e as grandes nas bocas grandes.

Para o Sindigás, essa explicação é mais convincente do que a oriunda dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio Contínua (Pnad-C), do IBGE, que apontam crescimento no uso da lenha e carvão para cocção de alimentos em 2017 em comparação com 2016, em substituição ao gás de cozinha. Segundo a pesquisa, 1,2 milhão de domicílios passaram a usar também esses combustíveis no ano passado.

Para o PNAD, 12,3 milhões de domicílios também usaram lenha ou carvão (17,36%), o que representa 11% de crescimento, em relação aos 11,1 milhões do levantamento de 2016. Para o Sindigás, porém, a pesquisa é qualitativa e não quantitativa, o que teria gerado leitura imprecisa do levantamento.

Isso se deve principalmente à mudança no questionário a partir de 2016. Até 2015 a pergunta era direta, para saber qual o combustível era utilizado para cocção. Mas passou então a ser abrangente, com as opções de combustíveis sendo apresentadas (gás, eletricidade, lenha, carvão). Prova seria o total de domicílios que utilizam o GLP ou gás natural canalizado ter se mantido no patamar de 68,6 milhões, ou 98,4%, com nenhuma região do país apresentando queda superior a 1% no consumo de gás.

Outra demonstração de associação equivocada entre preço do botijão e o uso da lenha seria o fato de o crescimento desse combustível ter se registrado mais em famílias de alto poder aquisitivo, em cidades como Curitiba e Belém. Isso contraria a percepção de que a alta de preço do gás de cozinha teria influenciado a migração para a lenha.

No mercado total de GLP, no acumulado até outubro de 2018 também houve queda, de 0,93%, Aí, além da influência da principal embalagem, de 13 kg, que representa 71% do consumo nacional, a retração da atividade econômica também afetou os setores industriais e comerciais. Em embalagens acima de 13 kg e a granel, nesse período o crescimento foi muito tímido, quase representando estagnação, de apenas 0,36%.

Foram comercializadas 7,6 milhões de toneladas de GLP em 2017, sendo 5,3 milhões de t em embalagens até 13 kg e 2,028 milhões de t a granel e em botijões de 20 kg (P-20) e 45 kg (P-45). Isso significa atualmente 34 milhões de botijões mensais. O faturamento bruto anual equivale a R$ 22 bilhões. Mais de 60 milhões de domicílios são atendidos com o gás e 150 mil empresas são abastecidas por um setor formado por 19 distribuidores e 70 mil revendedores. Por ano, são arrecadados R$ 5 bilhões em tributos com o mercado. Em 2018, o mercado deve fechar em 7,5 milhões de t/ano.