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14
OUT
2019

Alta no preço do gás encanado faz consumidores migrarem para o GLP

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Fonte: R7

O salto de 30,38% no preço do gás encanado na cidade de São Paulo em 2019 já leva os consumidores a migrarem para o GLP, tradicional gás de cozinha. “O custo-benefício é enorme”, afirma Francisco França, administrador do Capcana Hotel, que voltou a usar o GLP com a certeza de que irá reduzir as despesas.

“Neste mês, a conta de gás encanado superou os R$ 10 mil. Se já estivéssemos usando o GLP, o valor seria de, no máximo, R$ 4.000. É uma redução de aproximadamente R$ 72 mil por ano”, calcula França. “Foi ficando muito caro e inviável”, lamenta.

O gerente técnico do Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), Adriano Horta, diz que as migrações têm ocorrido, principalmente, em estabelecimentos comerciais e industriais.

Horta atribui a alta no valor do gás encanado à pouca concorrência do segmento. “Se você fizer os cálculos, a tarifa de gás natural figura em um valor acima do GLP por não haver uma distribuição tão competitiva”, afirma ele, que destaca a presença de um único fornecedor de gás natural por Estado. “O GLP conta com nove distribuidoras nacionais e uma rede de 60 mil revendedores espalhados em todos os municípios do Brasil.”

Em nota, a Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado) diz que o custo de gás é determinado pela Petrobras e ressalta que o produto canalizado “só chegará ao mercado a preços mais competitivos na medida que houver mais concorrência, com mais agentes ofertando a molécula de gás”.

Ao mesmo tempo em que o gás encanado ficou significativamente mais caro, segundo a inflação oficial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o valor do GLP vendido em botijões de 13 kg acumula queda de 1% no estado, conforme análise feita semanalmente pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Botijões de 13 kg estão 1% mais baratos em 2019, afirma ANP

Para não perder espaço em meio à alta concorrência, Horta revela que muitos revendedores passaram a absorver parte do prejuízo na comercialização do GLP. “Desde agosto de 2018, o preço final ao consumidor cresceu 0,7%, mas houve um aumento de 4,15% no valor do produto fornecido às companhias e uma queda na margem em torno de 0,94%”, explica ele.

A análise com todos os estados brasileiros mostra ainda que o preço médio de venda dos botijões de GLP está 0,79% mais barato em comparação ao valor cobrado em dezembro de 2018. De acordo com os números da ANP, o botijão com 13 kg do produto custa hoje, em média, R$ 68,80. Os valores do produto, no entanto, variam de R$ 50 a R$ 115.

Os valores do produto, no entanto, variam de R$ 50 a R$ 115. Horta atribui a diferença de 130% nos preços ao trajeto percorrido pelo produto até a revenda. “A variação dos preços é uma questão de localização. No Centro-Oeste, onde não existem refinarias, o produto que sai de São Paulo ou vem de fora do país”, explica o gerente técnico do Sindigás.

A Abegás ainda defende que seja desenvolvida uma agenda “para acelerar a desconcentração de mercado para que existam outros agentes, além da Petrobras, capazes de oferecer gás natural ao mercado, de modo a viabilizar a existência do consumidor livre, por meio das distribuidoras de gás canalizado”.