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08
NOV
2019

Ultrapar confirma recuperação no 3º tri e ação sobe mais de 5%

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Fonte: Valor Online | Transporte & logística  São Paulo | SP

Após alguns trimestres de expectativas frustradas, os resultados da Ultrapar vieram acima do esperado pelo mercado no terceiro trimestre e confirmaram a previsão de recuperação de desempenho dos principais negócios do grupo. Os analistas ainda se dividem quanto à tendência para os próximos balanços, mas a direção da companhia foi firme em indicar que o pior ficou para trás.

Essa mensagem e os números trimestrais positivos animaram os investidores, e as ações da holding fecharam o dia entre as maiores altas do Ibovespa, com valorização de 5,27%, a R$ 20,58.

Em sua primeira participação em uma teleconferência de resultados trimestrais da Ultrapar, o presidente Frederico Curado falou sobre a estratégia para cada um dos cinco negócios – Ipiranga, Oxiteno, Ultragaz, Ultracargo e Extrafarma – e reiterou que o grupo está acompanhando de perto a planejada privatização das refinarias da Petrobras.

Em sua avaliação, a venda do refino vai mudar a dinâmica do downstream no Brasil e traz oportunidades para três empresas do grupo que estão nessa cadeia de valor: Ultracargo, Ipiranga e Ultragaz. Por essa razão, o grupo entende que tem um papel a desempenhar nessa possível transformação do setor.

Dona de praticamente toda a capacidade de refino nacional e, no intuito de abastecer todo o país, a estatal montou um sistema de abastecimento que funciona nacionalmente, mas não necessariamente regionalmente, comentou. Vemos oportunidades de adensamento de corredores logísticos junto com a própria refinaria e na distribuição, acrescentou.

Sobre a venda da Liquigás por R$ 3,7 bilhões para um consórcio formado por Copagaz, Itaúsa e Nacional Gas Butano, a percepção é a de que a operação é mais positiva do que negativa para a Ultragaz, empresa de distribuição de GLP do grupo. O preço surpreendeu por ser elevado, mas a entrada de um acionista como a Itaúsa nesse mercado é bem-vinda, embora desafie a Ultragaz a manter seu papel de liderança. Ajuda a elevar o nível da competição, no sentido de qualidade, busca de rentabilidade de longo prazo e governança, disse.

De julho a setembro, a Ultrapar reportou receita líquida de R$ 23,2 bilhões, acima dos R$ 22,8 bilhões estimados em média por Santander, J.P. Morgan, Morgan Stanley, BTG Pactual, Safra e Bradesco BBI, e 7% maior do que o verificado no segundo trimestre. Já o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 934 milhões foi bem melhor do que os R$ 861,3 milhões esperados, sem os ajustes relacionados ao IFRS 16, e superou em 51% o resultado registrado no trimestre anterior.

A estrela do balanço foi a Ultragaz, com desempenho superior ao estimado pelo mercado e resultado operacional recorde de R$ 174 milhões, beneficiada sobretudo pela queda dos preços do gás a granel no intervalo. Para o BTG Pactual, a distribuidora GLP trouxe números fortes e pouco usuais para um negócio tão maduro.

Perguntamo-nos se a queda acentuada nos custos de gás a granel não permitiu que a Ultragaz se beneficiasse momentaneamente de spreads mais altos em relação ao preço de venda no trimestre, escreveram os analistas Thiago Duarte e Pedro Soares. De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Ultrapar, André Pires, houve, de fato, o benefício da sazonalidade e da queda de preços, mas a rentabilidade alcançada no intervalo é sustentável.

Maior negócio do grupo, a Ipiranga apresentou forte recuperação de volume e margem. O Ebitda ajustado por metro cúbico de R$ 109 veio bem acima dos R$ 99 do trimestre anterior. Esperamos que esse número continue a melhorar no quarto trimestre, uma vez que o mix de gasolina é tipicamente mais forte nesse período, escreveu o analista Vicente Falanga, do Bradesco BBI.

Conforme Pires, a expectativa é de melhora nos resultados da Ipiranga tanto na comparação trimestral quanto anual, na esteira da dinâmica mais positiva do mercado de distribuição de combustíveis e das iniciativas de redução de custos e aumento de eficiência que estão em curso. O Ultra vê oportunidade de redução de custos e otimização de logística de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões nos próximos 12 a 18 meses na Ipiranga.

Na Oxiteno, a queda dos preços do eteno e a pressão desse movimento sobre as cotações dos glicóis devem manter as margens pressionadas no curto prazo. A Ultracargo deve se beneficiar da capacidade adicional de tancagem nos próximos trimestres e a Extrafarma, que pela primeira vez desde que foi comprada teve geração de caixa positiva (de R$ 17 milhões), a tendência é de melhora consistente dos resultados na comparação anual.

Olhando para a frente, porém, os analistas ainda estão divididos. O BTG Pactual ainda não se convenceu quanto à manutenção da trajetória de melhora das margens de Ultragaz, Ipiranga e Oxiteno. Para o Bradesco BBI, o pior ficou de fato para trás e os resultados devem começar a melhorar a partir de agora diante de volumes mais altos na Ipiranga e maior diluição de custos, diante da retomada da atividade econômica, de resultados médios mais fortes para a Oxiteno e Ultragaz e da queda nas taxas de juros, que pode sustentar o resultado final da Ultrapar.