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04
DEZ
2019

Entrevista para o Sindigás o presidente da Associação Ibero-Americana de Gás Liquefeito de Petróleo (AIGLP)

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Em entrevista para o Sindigás o presidente da Associação Ibero-Americana de Gás Liquefeito de Petróleo (AIGLP), Ricardo Tonietto, detalha o estudo elaborado pela associação, em parceria com a Accenture Strategy, Benchmark do Mercado de GLP Envasado na América Latina. O trabalho serviu como base para atender a Tomada Pública de Contribuições – TCP 07/2018 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O que motivou a AIGLP preparar esse material?

R: Sempre tivemos o desejo de elaborar um estudo regional com uma consultoria de peso que chancelasse nosso trabalho. Com o lançamento da TPC 07/2018 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que consultava a sociedade sobre mudanças em pilares os quais a AIGLP defende, sejam eles, marca e o não enchimento fracionado de cilindros, nos vimos obrigados a colaborar com o mercado brasileiro de maneira robusta e contundente. Nesse contexto buscamos consultorias internacionais para elaboração do estudo e por fim decidimos trabalhar com a Accenture Strategy. Tínhamos apenas quatro semanas para elaborar um estudo da magnitude que foi, pois era necessário responder a TPC dentro do prazo estipulado pela ANP. Temos a certeza de que o trabalho ficou excelente e conseguimos colaborar de forma convincente com a discussão.

Como a AIGLP vê as propostas contidas na TPC?

R: A AIGLP não discorda do rito da TPC como ferramenta democrática de consulta à sociedade, no entanto, discordamos do conteúdo desta TPC específica. Acreditamos que as consultas feitas vêm contra ao que a AIGLP defende como pilares do setor de GLP e até mesmo contra o que a própria ANP deliberou quando publicou as Resoluções 49 e 51/2016 que foram publicadas em dezembro/16. Definitivamente existem no Brasil temas mais importantes a serem debatidos no setor de GLP que o fracionamento na venda de GLP e o fim do respeito à marca no setor.  Ambos os temas são defendidos por nós como não negociáveis, uma vez que oferecem riscos gigantescos à sociedade como um todo.

Pelos índices analisados, a AIGLP vê excesso de concentração ou falta de competição no setor de distribuição no Brasil? Pode exemplificar?

R: O resultado de nosso trabalho mostrou que não existe concentração e nem falta de competição; pelo contrário, o Brasil está numa média normal entre os países da América Latina. No que concerne a concentração, o estudo se baseou no índice HHI (Herfindahl-Hirschman Index), usado para medir a concentração de mercados por órgão reguladores e que é definido em função das quotas de mercado de cada empresa atuante na atividade. Na questão da competição, o Brasil se mostrou altamente competitivo, e isso fica claro quando analisados as margens Ebitdas do negócio. O Brasil tem a margem média de 6,5%, enquanto os países analisados da região possuem a margem de 10,3%, reforçando ainda mais a rivalidade que existe no setor brasileiro de GLP. O estudo não ficou restrito às empresas de GLP, buscou também analisar outros setores, entre eles o gás natural, e concluiu que as margens Ebtidas do setor de GN são o dobro do que o GLP.

Como é a regulamentação do Brasil, do ponto de vista do consumidor, comparada com outros países membros da AIGLP?

R: O Brasil é benchmark regional em questões regulatórias. A regulamentação brasileira foi elaborada com o objetivo de garantir ao consumidor um excelente serviço e que preserva a segurança do mesmo. A AIGLP, em suas viagens regionais, sempre que tem reuniões com autoridades, utiliza o Brasil como modelo a ser seguido, não somente pela qualidade de suas normas, mas também pela magnitude do mercado.  Ponto de destaque também é a excelência dos órgãos fiscalizadores.

Que país serve de exemplo para o Brasil?

R: Em questões mercadológicas, o Chile é uma referência para o Brasil, enquanto ainda temos restrições a diversos tipos de usos. Aquele país está uma etapa à frente, diversificando a cesta de soluções para o consumidor final, enquanto no Brasil ainda estamos tentando tirar o GLP do uso estritamente para cocção.

Quais os desafios, do ponto de vista da AIGLP, para o mercado de GLP no Brasil nos próximos anos?

R: Uma delas é acabar com a restrição de uso fomentando novas aplicações. A outra diz respeito ao abastecimento primário, onde o setor exigirá grandes investimentos em infraestrutura de importação. A Petrobras, que ao longo da história foi garantidora do suprimento nacional, nos últimos anos vem apresentando em seu plano estratégico a perspectiva de que deixará de suprir 100% do abastecimento, obrigando que empresas privadas assumam esse protagonismo, o que poderá gerar grande oportunidade de investimento para o setor privado. De qualquer forma quero destacar que o Brasil, finalmente, deu um grande passo ao determinar que os dois preços existentes para o GLP (P-13 e outros), será extinto em março/20 conforme deliberado por resolução do Conselho Nacional de Politica Energética.

Dos mercados analisados para a elaboração do material, qual você considera como mais maduro nos diferentes aspectos abordados? Por quê?

R: Sem dúvida Brasil e Chile. Conforme colocado anteriormente, o Brasil, devido aos marcos regulatórios; e o Chile, além dos marcos regulatórios, por seu aspecto mercadológico.

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