{"id":18794,"date":"2020-05-28T11:24:11","date_gmt":"2020-05-28T14:24:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=18794"},"modified":"2020-05-28T13:32:54","modified_gmt":"2020-05-28T16:32:54","slug":"a-composicao-do-glp-praticamente-nao-afeta-a-eficiencia-da-queima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=18794","title":{"rendered":"A composi\u00e7\u00e3o do GLP praticamente n\u00e3o afeta a efici\u00eancia da queima"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>O engenheiro, doutor em Energia pela USP e consultor da Ultragaz Fernando\u00a0C\u00f6rner\u00a0da Costa elaborou um <em>paper<\/em>\u00a0 que trata de uma quest\u00e3o que preocupa muitos consumidores empresariais: as varia\u00e7\u00f5es da composi\u00e7\u00e3o do GLP e as poss\u00edveis consequ\u00eancias na regulagem dos queimadores. Em entrevista sobre seu trabalho, C\u00f6rner esclarece essas quest\u00f5es e desfaz mitos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/Download\/COMPOSICOES%20DO%20GLP%20E%20COMPORTAMENTO%20DE%20QUEIMADORES.pdf\">Conhe\u00e7a o paper \u201cComposi\u00e7\u00f5es do GLP e comportamento de queimadores\u201d<\/a><\/p>\n<p><strong>Por que existem varia\u00e7\u00f5es significativas da composi\u00e7\u00e3o do GLP no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o do GLP varia por uma s\u00e9rie de fatores, como a origem da mat\u00e9ria-prima (petr\u00f3leo cru de diferentes composi\u00e7\u00f5es, ou como &#8220;umidades&#8221; presentes no g\u00e1s natural bruto), processamento em diferentes refinarias ou GLP importado.<\/p>\n<p><strong>Seria poss\u00edvel padronizar uma composi\u00e7\u00e3o bem mais r\u00edgida para o GLP?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que falando apenas tecnicamente sim, isto seria poss\u00edvel. Mas certamente acarretaria em uma menor disponibilidade de GLP. A limita\u00e7\u00e3o das tancagens nas refinarias, aguardando a possibilidade de corrigir as misturas para a almejada faixa &#8220;padr\u00e3o&#8221;, poderia acabar muitas vezes na queima em &#8220;flare&#8221;, acarretando na eleva\u00e7\u00e3o do custo do GLP. De forma an\u00e1loga, isso limitaria tamb\u00e9m algumas importa\u00e7\u00f5es e a compra de alguns produtos sazonalmente baratos, como butanos\/butenos de pa\u00edses durante climas frios, que ajudam a baixar o custo m\u00e9dio do g\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>O que o levou a elaborar esse artigo com essas informa\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>Meu dia-a-dia \u00e9 lidar com as &#8220;encrencas&#8221; dos clientes industriais, pois quando\u00a0ocorre algum problema o GLP \u00e9 sempre o primeiro suspeito a ser acusado. E eu garanto que, quase sempre, injustamente. Como o g\u00e1s apresenta a vantagem de exigir um baixo \u00edndice de manuten\u00e7\u00e3o, tanto\u00a0preventiva como corretiva, os consumidores acabam\u00a0por esquecer da sua necessidade. Al\u00e9m disso, sistemas de queima comandados manualmente sempre correm o risco de o operador praticar seus v\u00edcios. Frequentemente vejo, na mudan\u00e7a de turno, cada operador praticar a &#8220;sua&#8221; regulagem do queimador. E a mudan\u00e7a para a pr\u00e1tica\u00a0adequada\u00a0n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil de ser culturalmente implantada.<\/p>\n<p><strong>Quais as d\u00favidas identificadas no mercado que esse trabalho visa esclarecer para o consumidor empresarial?<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes as d\u00favidas surgem quando o cliente toma conhecimento das varia\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o do GLP. Mas eu sempre digo que, se ocorre algum contratempo com g\u00e1s mais pesado, a causa \u00e9 a instala\u00e7\u00e3o e n\u00e3o o g\u00e1s. Tenho at\u00e9 uma &#8220;pegadinha&#8221; quando dou aulas: mostro um slide com a\u00a0foto de um fog\u00e3o ou aquecedor dom\u00e9stico numa avalia\u00e7\u00e3o de desempenho, com uma chama lindamente azul e pergunto aos alunos: esta chama \u00e9 de propano ou butano? Todos sempre respondem: Propano, claro. E eu digo: n\u00e3o, este g\u00e1s padr\u00e3o \u00e9 quase 100% butano&#8230; Por esta raz\u00e3o resolvi escrever o artigo para comprovar junto aos consumidores empresariais que as varia\u00e7\u00f5es da composi\u00e7\u00e3o do GLP influenciam muito pouco nos resultados.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es entre a mistura de butano e propano e a efici\u00eancia da queima?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Meu artigo comprovou que, mesmo varia\u00e7\u00f5es significativas na composi\u00e7\u00e3o do GLP, pouco alteram a efici\u00eancia da queima devido a um fen\u00f4meno f\u00edsico que compensa a varia\u00e7\u00e3o significativa entre o poder calor\u00edfico do propano e do butano com as diferentes densidades destes componentes. E tal descoberta foi feita por Robert von Wobbe em 1926, h\u00e1 quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 motivos para preocupa\u00e7\u00f5es?\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 motivos para preocupa\u00e7\u00f5es desde que sejam atendidas as exig\u00eancias das normas t\u00e9cnicas e de uma manuten\u00e7\u00e3o preventiva adequada.<\/p>\n<p><strong>De acordo com a propor\u00e7\u00e3o da mistura entre propano e butano, pode haver diferen\u00e7as de press\u00e3o interna (no vaso de press\u00e3o). Isso \u00e9 um problema? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>As propor\u00e7\u00f5es butano-propano influenciam significativamente as press\u00f5es internas dos recipientes (vasos de press\u00e3o). Mas isso n\u00e3o \u00e9 nenhum problema. Nem para a integridade dos recipientes, que suportam press\u00f5es muito superiores e, al\u00e9m disso, disp\u00f5em de dispositivos de al\u00edvio caso ocorram press\u00f5es anormais \u2013 como no caso de inc\u00eandio nas proximidades. Nem para a vaporiza\u00e7\u00e3o natural, quando esta \u00e9 utilizada, pois o dimensionamento por esta caracter\u00edstica deve levar em conta a hip\u00f3tese do abastecimento com um g\u00e1s mais pesado. Nem para a press\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o, que em quase a totalidade dos casos \u00e9 da ordem de poucas dezenas de milibar, onde mesmo um GLP rico em butanos apresenta uma press\u00e3o dispon\u00edvel no recipiente superior a 100 vezes mais elevada. O \u00fanico detalhe que exige aten\u00e7\u00e3o \u00e9 quando se aplica um GLP pesado em clima frio, pois poderia ocorrer a recondensa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s na rede interna de distribui\u00e7\u00e3o. Mas isso est\u00e1 previsto nas normas da ABNT para as redes de distribui\u00e7\u00e3o residenciais e n\u00e3o residenciais, limitando seu valor m\u00e1ximo e advertindo para a ado\u00e7\u00e3o de press\u00f5es inferiores caso necess\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel substituir o g\u00e1s natural pelo GLP com a mesma efici\u00eancia? Em quais situa\u00e7\u00f5es?\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b\u200b<\/strong><\/p>\n<p>Sim, \u00e9 poss\u00edvel substituir o GN por GLP desde que seja feita a devida convers\u00e3o, por se tratar de gases de diferentes fam\u00edlias. O GN \u00e9 da segunda fam\u00edlia enquanto o GLP \u00e9 da terceira fam\u00edlia. As efici\u00eancias de ambos os gases s\u00e3o praticamente as mesmas e a prova disso est\u00e1 relatada nas tabelas do INMETRO, nas quais pode se comparar os rendimentos de fog\u00f5es e aquecedores de \u00e1gua. Cada marca\/modelo, em quase a totalidade dos casos, apresentam os mesmos rendimentos com ambos os gases.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/Download\/COMPOSICOES%20DO%20GLP%20E%20COMPORTAMENTO%20DE%20QUEIMADORES.pdf\">Conhe\u00e7a o paper \u201cComposi\u00e7\u00f5es do GLP e comportamento de queimadores\u201d<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Sindig\u00e1s O engenheiro, doutor em Energia pela USP e consultor da Ultragaz Fernando\u00a0C\u00f6rner\u00a0da Costa elaborou um paper\u00a0 que trata de uma quest\u00e3o que preocupa muitos consumidores empresariais: as varia\u00e7\u00f5es da composi\u00e7\u00e3o do GLP e as poss\u00edveis consequ\u00eancias na regulagem dos queimadores. 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