{"id":19226,"date":"2020-07-07T09:57:53","date_gmt":"2020-07-07T12:57:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=19226"},"modified":"2020-07-07T09:57:53","modified_gmt":"2020-07-07T12:57:53","slug":"a-reinjecao-de-gas-natural-no-brasil-uma-analise-de-pires-e-pascon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=19226","title":{"rendered":"A reinje\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural no Brasil \u2013 uma an\u00e1lise de Pires e Pascon"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: Poder 360<\/strong><\/p>\n<p><a class=\"author url fn\" title=\"Posts by Adriano Pires\" href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/author\/adriano-pires\/\" rel=\"author\">ADRIANO PIRES<\/a>\u00a0e\u00a0<a class=\"author url fn\" title=\"Posts by Bruno Pascon\" href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/author\/bruno-pascon\/\" rel=\"author\">BRUNO PASCON<\/a><\/p>\n<p>A atividade de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo engloba as etapas de explora\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o, com graus distintos de intensidade de capital e de riscos. Ap\u00f3s o processo de descoberta e avalia\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos com delimita\u00e7\u00e3o de recursos via nova perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e teste de longa dura\u00e7\u00e3o, inicia-se a etapa de desenvolvimento \u2013fase mais intensiva de capital\u2013, em que dimensionar corretamente os ativos que ser\u00e3o utilizados na fase de produ\u00e7\u00e3o dado perfil do reservat\u00f3rio \u00e9 fundamental. Subestimar ou sobrestimar ativos <em>versus<\/em> recursos encontrados pode significar a sobreviv\u00eancia ou n\u00e3o da empresa de E&amp;P.<\/p>\n<p>Esse dimensionamento \u2013que envolve inclusive o n\u00famero de po\u00e7os produtores e injetores de cada unidade de produ\u00e7\u00e3o\u2013 costuma ocorrer 4 a 5 anos antes do primeiro \u00f3leo no campo.<\/p>\n<p>A natureza dos recursos \u2013convencionais ou n\u00e3o convencionais\u2013 tamb\u00e9m interfere na decis\u00e3o de desenvolvimento, que sempre buscar\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o comercial no menor custo poss\u00edvel e prolongando a vida \u00fatil de reservat\u00f3rios (normalmente 25 a 30 anos).<\/p>\n<p>Recursos convencionais s\u00e3o os que a pr\u00f3pria press\u00e3o natural dos reservat\u00f3rios empurra o petr\u00f3leo pra cima (chamada recupera\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria) e normalmente utilizam-se po\u00e7os verticais para extrai-los comercialmente.<\/p>\n<p>Recursos n\u00e3o convencionais (xisto ou shale em ingl\u00eas) s\u00e3o hidrocarbonetos encontrados em rochas sedimentares de baixa porosidade e que n\u00e3o fluem naturalmente para a superf\u00edcie requerendo t\u00e9cnicas artificiais de est\u00edmulo, das quais destaca-se o fraturamento hidr\u00e1ulico, cuja tecnologia remonta aos anos 1950. Por\u00e9m, a sua utiliza\u00e7\u00e3o em larga escala ocorreu com o advento da ind\u00fastria do shale norte-americano, no in\u00edcio dos anos 2000.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da natureza do recurso, ao falarmos de g\u00e1s natural \u00e9 importante conceituar sua caracter\u00edstica como associado ou n\u00e3o associado a petr\u00f3leo. No caso de recursos n\u00e3o associados \u2013como o g\u00e1s da Bol\u00edvia\u2013, normalmente o patamar de reinje\u00e7\u00e3o \u00e9 zero ou pr\u00f3ximo a zero, enquanto no caso de g\u00e1s natural associado \u2013como a vasta maioria dos recursos do pr\u00e9-sal\u2013 \u00e9 muito comum a utiliza\u00e7\u00e3o do g\u00e1s para otimizar a recupera\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. Portanto, do ponto de vista econ\u00f4mico, faz todo sentido usar o g\u00e1s como t\u00e9cnica terci\u00e1ria de recupera\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, quando comparado com os produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<p>Regra geral, a press\u00e3o natural de reservat\u00f3rios permite recuperar de 14% a 18% do petr\u00f3leo original (Original Oil in Place \u2013 OOIP), enquanto que o est\u00edmulo de aumento de press\u00e3o via t\u00e9cnicas de recupera\u00e7\u00e3o aprimoradas (Improved or Enhanced Oil recovery \u2013 IORs ou EORs) secund\u00e1rias (\u00e1gua) ou terci\u00e1rias (produtos qu\u00edmicos misc\u00edveis, estimula\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, etc.) aumenta esse percentual para 25-35% e 40-50%, respectivamente.<\/p>\n<p>Logo, o primeiro conceito importante para tipificar a reinje\u00e7\u00e3o \u00e9 o tipo do g\u00e1s natural (associado ou n\u00e3o associado) e, um segundo conceito, a localiza\u00e7\u00e3o (em terra ou no mar). Recursos em terra possuem baixo ou nenhum conte\u00fado de CO2 \u2013g\u00e1s de efeito estufa que \u00e9 proibido de ser queimado e lan\u00e7ado \u00e0 atmosfera\u2013 enquanto no caso do mar esse conte\u00fado pode alcan\u00e7ar at\u00e9 40-45%. Quanto maior o conte\u00fado de CO2 e outros elementos qu\u00edmicos estimulantes de efeito estufa, menor o percentual de g\u00e1s natural trat\u00e1vel. Portanto, quanto maior o patamar de CO2 e GEE em geral, maior o percentual de reinje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato da produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural brasileiro ser majoritariamente no mar (mais de 80%) e os recursos no pr\u00e9-sal \u2013fronteira de crescimento de produ\u00e7\u00e3o\u2013 alcan\u00e7arem quase 90% de status de g\u00e1s associado ao petr\u00f3leo, \u00e9 normal que a mudan\u00e7a do perfil de produ\u00e7\u00e3o levaria ao crescimento do patamar de reinje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, al\u00e9m dos fatores end\u00f3genos existem os ex\u00f3genos. O principal deles s\u00e3o os gargalos de infraestrutura que podem limitar a liberdade de empresas de E&amp;P de tomarem suas decis\u00f5es de reinje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O acompanhamento da reinje\u00e7\u00e3o no Brasil n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dispendioso, por mais que existam cerca de 640 campos em produ\u00e7\u00e3o no mar e mais de 7.800 em terra. Atualmente 10 campos (6 no mar e 4 em terra) concentram 99,4% da reinje\u00e7\u00e3o no Brasil. Os principais s\u00e3o Lula, B\u00fazios, Sapinho\u00e1 e Mero (mar) que, somados ao polo de Urucu (em terra), respondem por 95,5% da reinje\u00e7\u00e3o total no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No caso de Urucu, o motivo para a reinje\u00e7\u00e3o de mais de 50% de sua produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o CO2 e sim o gargalo de infraestrutura. Gargalo este que dificulta e impede o crescimento do mercado no Estado do Amazonas.<\/p>\n<p>No caso dos campos\u00a0<em>offshore<\/em>, como o de Mero ou mesmo Lapa, o percentual de CO2 (38-42%) gera restri\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas end\u00f3genas para aumentar a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 caro tratar CO2. Por\u00e9m Lula, B\u00fazios e Sapinho\u00e1 n\u00e3o possuem o mesmo patamar, logo permitindo a possibilidade de patamares maiores de produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida.<\/p>\n<p>Em que se pese a entrada em opera\u00e7\u00e3o da Rota 3, que far\u00e1 com que a capacidade de escoamento m\u00e9dio no Brasil alcance 44mn de m3\/dia e a capacidade de processamento e tratamento de g\u00e1s existente (95,7mn m3\/dia), \u00e9 importante discutir qual o volume de produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida alcan\u00e7\u00e1vel no futuro, caso se eliminassem gargalos de infraestrutura.<\/p>\n<p>Se existem consensos de que a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural pode dobrar nos pr\u00f3ximos 10 anos e dado o horizonte de planejamento de m\u00ednimo 4 a 5 anos para empresas decidirem o que fazer com esse g\u00e1s \u00e9 fundamental que o planejamento do governo (EPE) seja feito de maneira antecipada e se inicie o mais breve poss\u00edvel. Caso contr\u00e1rio, tomaremos o risco de que futuramente a vari\u00e1vel ex\u00f3gena (gargalo de infraestrutura) se torne a mais relevante nos volumes reinjetados e n\u00e3o se permita alcan\u00e7ar os objetivos do Novo Mercado de G\u00e1s. Isso impediria a cria\u00e7\u00e3o de uma demanda firme que monetizaria esse recurso no atendimento dom\u00e9stico. Tamb\u00e9m, parcela relevante da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o iria usufruir dessa riqueza que tanto poderia contribuir para a gera\u00e7\u00e3o de renda, empregos e desenvolvimento econ\u00f4mico em todo o territ\u00f3rio nacional e n\u00e3o somente nas cidades localizadas no nosso litoral.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 melhorar o atual arcabou\u00e7o legal e regulat\u00f3rio, que hoje traz incertezas e inseguran\u00e7a para o retorno dos investimentos em toda a cadeia da ind\u00fastria do g\u00e1s natural. Isso leva no caso dos produtores de g\u00e1s natural a optar pela reinje\u00e7\u00e3o, por achar mais econ\u00f4mico e de menor risco, em vez de investir em infraestrutura que tanto precisamos para retomar o crescimento da economia brasileira p\u00f3s-pandemia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Poder 360 ADRIANO PIRES\u00a0e\u00a0BRUNO PASCON A atividade de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo engloba as etapas de explora\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o, com graus distintos de intensidade de capital e de riscos. 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