{"id":19562,"date":"2020-08-07T16:20:21","date_gmt":"2020-08-07T19:20:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=19562"},"modified":"2020-08-07T16:20:21","modified_gmt":"2020-08-07T19:20:21","slug":"novo-mercado-do-gas-investimentos-e-competitividade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=19562","title":{"rendered":"Novo Mercado do G\u00e1s: investimentos e competitividade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: EPBR<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um certo frenesi atualmente ao redor do\u00a0<a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/editoria\/politica\/petroleo-e-gas\/mercado-de-gas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">g\u00e1s natural<\/a>\u00a0no Brasil. Muito tem se falado sobre o\u00a0<a class=\"st_tag internal_tag\" title=\"Posts tagged with Novo Mercado de G\u00e1s\" href=\"https:\/\/epbr.com.br\/assunto\/novo-mercado-de-gas\/\" rel=\"tag\">Novo Mercado de G\u00e1s<\/a>\u00a0e suas perspectivas positivas ao ambiente de neg\u00f3cios envolvendo o energ\u00e9tico. O g\u00e1s passou da categoria de \u201cres\u00edduo\u201d a produto principal. Seja pela transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica em curso, seja pela abund\u00e2ncia de reservat\u00f3rios que existem (R\u00fassia, Ir\u00e3, Qatar, EUA, entre outros).<\/p>\n<p>Em um passado n\u00e3o muito distante, ao se perguntar sobre o resultado da perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7o era comum ouvir \u201cdeu ruim, s\u00f3 tinha g\u00e1s\u201d. Se deparar com g\u00e1s quando se buscava petr\u00f3leo era quase sin\u00f4nimo de fracasso. O Brasil nunca teve reservas relevantes de g\u00e1s e quando se precisou dele para suprir o parque industrial, recorreu-se \u00e0 Bol\u00edvia, conectando mais de 3100 km de dutos do pa\u00eds andino ao sul do nosso continente, via Gasbol.<\/p>\n<p>Entretanto, atualmente, o \u00f3leo do pr\u00e9-sal traz uma expressiva quantidade de g\u00e1s associado. Previs\u00e3o da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE, 2019), aponta que a produ\u00e7\u00e3o total de g\u00e1s praticamente dobrar\u00e1 em dez anos no pa\u00eds (Gr\u00e1fico 1). A produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida, por\u00e9m, aquela que efetivamente chegar\u00e1 ao mercado consumidor, ser\u00e1 menor, por quest\u00f5es t\u00e9cnicas e pelos gargalos existentes ao longo da cadeia.<\/p>\n<p><strong>Gr\u00e1fico 1 \u2013 Previs\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o bruta de g\u00e1s natural entre 2020 e 2030 no Brasil<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G%C3%A1s-natural-e-o-pre%C3%A7o-para-a-reindustrializa%C3%A7%C3%A3o-brasileira-01.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-30630 size-full\" src=\"https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G%C3%A1s-natural-e-o-pre%C3%A7o-para-a-reindustrializa%C3%A7%C3%A3o-brasileira-01.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1\" sizes=\"(max-width: 461px) 100vw, 461px\" srcset=\"https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-01-300x190.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 300w, https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-01.png?size=384x243&amp;lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 384w, https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-01.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 461w\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"292\" data-pin-no-hover=\"true\" \/><\/a><\/p>\n<p>Fonte: EPE, 2019.<\/p>\n<p>Importa notar que a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural vem crescendo de forma consistente nos \u00faltimos anos<a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/gas-natural-e-o-preco-para-a-reindustrializacao-brasileira\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. De 2013 a 2018, a produ\u00e7\u00e3o total subiu 45% no pa\u00eds, por\u00e9m a fra\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel efetivamente cresceu menos, tendo altos e baixos, conforme apresentando na tabela 1. Isso ocorre porque parcela significativa do g\u00e1s produzido tem sido reinjetada nos campos produtores por dois grandes motivos: necessidade t\u00e9cnica de se\u00a0manter a press\u00e3o dos reservat\u00f3rios, o que otimiza a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, mas principalmente por raz\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que o g\u00e1s brasileiro\u00a0<em>offshor<\/em>e \u00e9 caro, quando comparado a outras op\u00e7\u00f5es de mercado. Ele vem associado ao petr\u00f3leo das profundezas das rochas, a quil\u00f4metros de profundidade.<\/p>\n<p>Adicionalmente, esse g\u00e1s precisa ser tratado na plataforma de produ\u00e7\u00e3o e escoado at\u00e9 uma unidade de processamento (UPGN) terrestre, que est\u00e1 normalmente a mais de uma centena de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Essa viagem molecular n\u00e3o \u00e9 trivial (nem barata). Sem entrar na quest\u00e3o da parcela de g\u00e1s com altos teores de g\u00e1s carb\u00f4nico, como o encontrado em Mero, por exemplo, o que eleva sobremaneira o custo.<\/p>\n<p>Voltando ao tema da oferta, h\u00e1 a expectativa de, finalmente, haver g\u00e1s natural com abund\u00e2ncia no pa\u00eds, mas o crescimento da produ\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos vai encontrar um gargalo no escoamento. As rotas 1, 2 e 3 do pr\u00e9-sal (esta \u00faltima ainda em constru\u00e7\u00e3o) permitir\u00e3o escoar g\u00e1s somente at\u00e9 2027 (EPE, 2019). Haver\u00e1 g\u00e1s, mas ser\u00e3o necess\u00e1rias novas rotas de escoamento para que ele chegue ao consumidor.<\/p>\n<p><strong>Tabela 1: Produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural e disponibilidade de 2013 a 2018.<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-30631\" src=\"https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G%C3%A1s-natural-e-o-pre%C3%A7o-para-a-reindustrializa%C3%A7%C3%A3o-brasileira-02.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1\" sizes=\"(max-width: 905px) 100vw, 905px\" srcset=\"https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-02-300x100.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 300w, https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-02.png?size=384x128&amp;lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 384w, https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-02-750x250.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 750w, https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-02-768x256.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 768w, https:\/\/846928.smushcdn.com\/1787860\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/G\u00e1s-natural-e-o-pre\u00e7o-para-a-reindustrializa\u00e7\u00e3o-brasileira-02.png?lossy=1&amp;strip=1&amp;webp=1 905w\" alt=\"\" width=\"905\" height=\"302\" data-pin-no-hover=\"true\" \/><\/p>\n<p>Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, a partir de dados ANP, 2019.<\/p>\n<p>Dessa forma, o desafio \u00e9 congregar:<\/p>\n<ol>\n<li>construir mais gasodutos de transporte do mar para terra;<\/li>\n<li>ampliar a capacidade de tratamento da parcela adicional de g\u00e1s (amplia\u00e7\u00e3o ou novas UPGNs) e;<\/li>\n<li>aumentar a capilaridade da distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e1s nos Estados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Pelo que se desenha no programa governamental Novo Mercado de G\u00e1s, a iniciativa privada ser\u00e1 respons\u00e1vel por todas essas estruturas. A Petrobras foi quem at\u00e9 aqui ergueu praticamente toda a infraestrutura de g\u00e1s existente no pa\u00eds, mas tem colocado \u00e0 venda seus ativos log\u00edsticos nos \u00faltimos anos, por decis\u00e3o corporativa e tamb\u00e9m por imposi\u00e7\u00e3o de um termo de cessa\u00e7\u00e3o de conduta (TCC) assinado junto ao CADE, em conson\u00e2ncia com o redesenho do mercado para desverticaliza\u00e7\u00e3o da cadeia de g\u00e1s natural no pa\u00eds.<\/p>\n<h4><strong>O pre\u00e7o, eis a quest\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O pre\u00e7o do g\u00e1s, nos contratos do Novo Mercado de G\u00e1s, foi vinculado ao valor do petr\u00f3leo tipo Brent, em substitui\u00e7\u00e3o a cesta de \u00f3leos combust\u00edveis anteriormente utilizada. A f\u00f3rmula que comp\u00f5e os novos contratos de g\u00e1s corresponde a um valor aproximado de 12% do valor do Brent. Significa dizer que 12% do pre\u00e7o m\u00e9dio do Brent em d\u00f3lares por barril corresponde ao pre\u00e7o do g\u00e1s em d\u00f3lares por milh\u00e3o de Btu (US$\/MMBtu).<\/p>\n<p>Os valores s\u00e3o atualizados a cada tr\u00eas meses pela m\u00e9dia da cota\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no per\u00edodo e passam a ter vig\u00eancia a partir do m\u00eas seguinte ao trimestre considerado. Assim, maio, junho e julho de 2020, consideram a m\u00e9dia dos valores do Brent de janeiro, fevereiro e mar\u00e7o, por exemplo.<\/p>\n<p>A queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo nos \u00faltimos meses tem contribu\u00eddo com a consequente queda do pre\u00e7o do g\u00e1s no pa\u00eds. Nos tr\u00eas primeiros meses de 2020, o pre\u00e7o m\u00e9dio do g\u00e1s foi de US$ 7,60\/MMBtu (refer\u00eancia produtor + transporte, sem impostos).<\/p>\n<p>Como o pre\u00e7o do Brent em queda devido \u00e0 pandemia da Covid-19, ficando cotado, em m\u00e9dia a 30 d\u00f3lares entre os meses de abril e junho, espera-se que a tarifa do g\u00e1s no produtor fique pr\u00f3xima dos US$ 3,60\/MMBtu de agosto e outubro (2020).<\/p>\n<blockquote class=\"pullquote align-center\"><p>Haver\u00e1 \u201cg\u00e1s pela metade do pre\u00e7o\u201d, mas ele n\u00e3o deve se manter nesse patamar no trimestre seguinte, uma vez que o petr\u00f3leo voltou para a casa dos 40 d\u00f3lares.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mesmo com essa redu\u00e7\u00e3o significativa, o g\u00e1s brasileiro ainda n\u00e3o \u00e9 competitivo. Em maio de 2020, a mol\u00e9cula que saiu do produtor brasileiro a US$ 5,80\/MMBtu (mol\u00e9cula + transporte) chegou ao consumidor industrial final a US$ 10,80\/MMBtu, em m\u00e9dia. Observa-se que o pre\u00e7o praticamente dobra ao longo da cadeia, em fun\u00e7\u00e3o dos custos log\u00edsticos, de distribui\u00e7\u00e3o e dos impostos praticados em alguns Estados da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para fins de compara\u00e7\u00e3o, no mesmo m\u00eas, o g\u00e1s comercializado nos principais\u00a0<em>hubs<\/em>\u00a0mundiais teve pre\u00e7os que variavam de US$1,58\/MMBtu (g\u00e1s Russo na Europa) e US$1,75\/MMBtu (Henry Hub, EUA), segundo dados do Boletim mensal de acompanhamento da ind\u00fastria do g\u00e1s natural (MME, 2020), ou seja, ainda muito longe do g\u00e1s efetivamente competitivo e fomentador de consumo industrial em larga escala como observado na Europa e EUA (vale lembrar que l\u00e1 \u00e9 g\u00e1s\u00a0<em>onshore<\/em>\u00a0e com uma rede de distribui\u00e7\u00e3o erguida h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, portanto, amortizada).<\/p>\n<p>Com petr\u00f3leo cotado entre 40 e 50 d\u00f3lares, o g\u00e1s nacional poder\u00e1 custar entre US$ 4,80 a US$ 6,00\/MMBtu, chegando na ponta perto dos US$ 10,0\/MMBtu novamente, valor ainda pouco competitivo, mas 30% abaixo do observado de 2016 a 2019, cujo valor m\u00e9dio foi de US$ 14,3\/MMBtu (MME, 2020).<\/p>\n<h4><strong>Mudan\u00e7a de paradigma<\/strong><\/h4>\n<p>Para gerar essa competitividade no pre\u00e7o final do g\u00e1s brasileiro, uma das possibilidades \u00e9 desvincular seu do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, o que n\u00e3o isenta a perene necessidade nacional de se reduzir o chamado \u201ccusto Brasil\u201d em rela\u00e7\u00e3o aos sobrepesos de custos de infraestrutura e impostos. Hoje, se a cota\u00e7\u00e3o do Brent disparar no mercado internacional, o pre\u00e7o do g\u00e1s seguir\u00e1 a mesma tend\u00eancia. Essa \u00e9 uma fragilidade que inibe investimentos de porte no setor de g\u00e1s at\u00e9 ent\u00e3o. Os pre\u00e7os mais baixos que ser\u00e3o observados no Brasil nos pr\u00f3ximos meses s\u00e3o circunstanciais, e n\u00e3o devem se manter a m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<p>Como discutido anteriormente, a oferta de g\u00e1s do pr\u00e9-sal deve crescer bastante nos pr\u00f3ximos anos, bem como a entrada de novos\u00a0<em>players<\/em>\u00a0no mercado, fomentado pelo novo marco regulat\u00f3rio e pelo TCC da Petrobras. Os novos agentes poder\u00e3o seguir o \u201cpre\u00e7o de paridade com o \u00f3leo\u201d, mantendo a atual estrutura de pre\u00e7os ou impor descontos para conquistar espa\u00e7o, gerando uma mudan\u00e7a de paradigma na atual forma de precificar o g\u00e1s.<\/p>\n<p>Outro ponto positivo, que corrobora com a expectativa por uma mudan\u00e7a de paradigma nos pre\u00e7os \u00e9 a exist\u00eancia do livre consumidor, que poder\u00e1 importar g\u00e1s natural ou GNL, sem o interm\u00e9dio de uma distribuidora, bem como trocar de fornecedor quando lhe for conveniente, o que deve ajudar na competi\u00e7\u00e3o e modifica\u00e7\u00e3o da estrutura de pre\u00e7os a longo prazo, isso se o g\u00e1s importado se mantiver competitivo.<\/p>\n<p>O aumento da produ\u00e7\u00e3o l\u00edquida de g\u00e1s pode tamb\u00e9m reduzir o custo unit\u00e1rio de transporte, mas a necessidade de amplia\u00e7\u00e3o da rede de escoamento demanda investimentos que precisam ser de alguma forma amortizados, consumindo parte da esperada redu\u00e7\u00e3o da tarifa de transporte. Uni\u00e3o e Estados n\u00e3o parecem dispostos a abrir m\u00e3o da receita gerada por impostos, ent\u00e3o, h\u00e1 aqui uma parcela pouco colaborativa em dire\u00e7\u00e3o a esta necess\u00e1ria redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio da equa\u00e7\u00e3o, que re\u00fane todas estas quest\u00f5es discutidas n\u00e3o \u00e9 simples, porque envolve vari\u00e1veis conflitantes. Escoar o g\u00e1s do pr\u00e9-sal exigir\u00e1 investimentos em unidades de tratamento e infraestrutura log\u00edstica.<\/p>\n<p>Por si s\u00f3, sabe-se que este g\u00e1s n\u00e3o \u00e9 barato. Esco\u00e1-lo nem sempre \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, porque parte do g\u00e1s precisa ser reinjetado, ora para maximizar a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, ora porque seu grau de contamina\u00e7\u00e3o s\u00f3 permite este caminho. Por outro lado, o n\u00e3o escoamento desse g\u00e1s poder\u00e1 gerar dificuldades operacionais para produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo desses reservat\u00f3rios em um dado momento. A grande quest\u00e3o \u00e9 o pre\u00e7o que balanceia todas essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Ofertar um g\u00e1s mais competitivo\u00a0<em>vis-\u00e0-vis<\/em>\u00a0a necessidade de se investir grandes cifras na infraestrutura de escoamento de forma econ\u00f4mica coloca-se como o grande desafio. Neste sentido, talvez chegue o momento em que o produtor ter\u00e1 que considerar carregar em maior parte o custo do g\u00e1s no \u00f3leo. M\u00faltiplos agentes ofertando a mol\u00e9cula de g\u00e1s podem contribuir para uma ruptura na estrutura de pre\u00e7os, algo necess\u00e1rio, mas ainda incerto.<\/p>\n<p>E ainda mais um detalhe crucial no meio a isso tudo, e que ser\u00e1 tratado no pr\u00f3ximo artigo: \u00e9 preciso que o pa\u00eds cres\u00e7a econ\u00f4mica e industrialmente e gere demanda por este g\u00e1s, algo que s\u00f3 vir\u00e1 se ele for competitivo, caso contr\u00e1rio ele sequer sair\u00e1 de onde est\u00e1.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/gas-natural-e-o-preco-para-a-reindustrializacao-brasileira\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0Sem a contrapartida do crescimento da demanda por esse g\u00e1s, o que\u00a0 ser\u00e1 tratado em outro artigo, para debater a desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<hr \/>\n<h4><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h4>\n<p>Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s natural e Biocombust\u00edveis (ANP). Anu\u00e1rio estat\u00edstico brasileiro do petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e biocombust\u00edveis. Rio de Janeiro: ANP, 2018.<\/p>\n<p>EMPRESA DE PESQUISA ENERG\u00c9TICA (EPE). Plano indicativo de processamento e escoamento de g\u00e1s natural decenal de expans\u00e3o de energia \u2013 PIPE. Rio de Janeiro: MME\/EPE, 2019.<\/p>\n<p>Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME). Boletim Mensal de acompanhamento da ind\u00fastria do g\u00e1s natural \u2013 Maio de 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.mme.gov.br\/documents\/36216\/1119340\/05+-+Boletim+Mensal+de+Acompanhamento+da+Ind%C3%BAstria+de+G%C3%A1s+Natural+-+Maio+2020\/540c1e86-e48b-044f-124a-cbc0257adf65?version=1.0&amp;download=true&gt;. Acessado em Julho de 2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: EPBR H\u00e1 um certo frenesi atualmente ao redor do\u00a0g\u00e1s natural\u00a0no Brasil. Muito tem se falado sobre o\u00a0Novo Mercado de G\u00e1s\u00a0e suas perspectivas positivas ao ambiente de neg\u00f3cios envolvendo o energ\u00e9tico. O g\u00e1s passou da categoria de \u201cres\u00edduo\u201d a produto principal. 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