{"id":21102,"date":"2020-10-08T10:57:45","date_gmt":"2020-10-08T13:57:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/novosite\/?p=20040"},"modified":"2020-11-23T17:57:41","modified_gmt":"2020-11-23T20:57:41","slug":"venezuelanos-voltam-a-usar-fogao-a-lenha-por-escassez-de-gas-domestico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=21102","title":{"rendered":"Venezuelanos voltam a usar fog\u00e3o a lenha por escassez de g\u00e1s dom\u00e9stico"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: UOL | Not\u00edcias<\/strong><\/p>\n<p>Uma forma antiga e rudimentar de preparar as refei\u00e7\u00f5es volta a ser praticada na Venezuela: o fog\u00e3o a lenha. Esse retorno ao passado n\u00e3o ocorre por modismo, mas, sim, por necessidade. De acordo com a Ag\u00eancia Internacional de Energia (AIE), a Venezuela \u00e9 o oitavo pa\u00eds do mundo em reservas de g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo (GLP). No entanto, os problemas na distribui\u00e7\u00e3o de\u00a0<span class=\"marcado bold\" data-title=\"\"><span><b>g\u00e1s dom\u00e9stico<\/b><\/span><\/span>\u00a0deixaram a popula\u00e7\u00e3o sem alternativa, a n\u00e3o ser recorrer \u00e0 queima da madeira.<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica \u00e9 observada no interior do pa\u00eds h\u00e1 v\u00e1rios meses e, agora, tornou-se uma realidade tamb\u00e9m na capital, Caracas. Em busca de madeira para cozinhar, sequer os parques nacionais s\u00e3o poupados.<\/p>\n<p>De acordo com Antero Alvarado, professor do Instituto de Estudos Superiores de Administra\u00e7\u00e3o (IESA), cerca de 84% do consumo de\u00a0<span class=\"marcado bold\" data-title=\"\"><span><b>g\u00e1s dom\u00e9stico<\/b><\/span><\/span>\u00a0em toda a Venezuela \u00e9 feito por meio de botij\u00f5es, e apenas 7% da popula\u00e7\u00e3o recebe g\u00e1s (metano) diretamente em suas resid\u00eancias.<\/p>\n<p>A estatal Petr\u00f3leos da Venezuela produz mais\u00a0<span class=\"marcado bold\" data-title=\"\"><span><b>g\u00e1s dom\u00e9stico<\/b><\/span><\/span>\u00a0do que a popula\u00e7\u00e3o pode consumir. Por\u00e9m, h\u00e1 falhas tanto nos sistemas de extra\u00e7\u00e3o, engarrafamento e de distribui\u00e7\u00e3o do fluido. A escassez de buj\u00f5es transformou o quintal das casas ou o p\u00e1tio dos edif\u00edcios em cozinhas abertas. \u00c9 nesses espa\u00e7os que as pessoas preparam \u00e0 moda antiga os alimentos e tentam evitar os danos \u00e0 sa\u00fade causados pela fuma\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Lenta deteriora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em 2007, durante a era das expropria\u00e7\u00f5es do governo de Hugo Ch\u00e1vez (1999-2013), o Estado nacionalizou duas das mais importantes empresas de GLP do pa\u00eds. Na sequ\u00eancia foi criada a PDVSA G\u00e1s Comunal, empresa que tem total controle sobre o armazenamento e a distribui\u00e7\u00e3o de GLP. Alguns pequenos fornecedores, localizados em tr\u00eas estados venezuelanos, distribuem o\u00a0<span class=\"marcado bold\" data-title=\"\"><span><b>g\u00e1s dom\u00e9stico<\/b><\/span><\/span>.<\/p>\n<p>A Venezuela fabricava diariamente 160 mil barris de g\u00e1s metano na \u00e9poca em que a PDVSA produzia tr\u00eas milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia. O g\u00e1s era retirado junto com o petr\u00f3leo. Mas o lento mergulho na crise econ\u00f4mica, ap\u00f3s a morte de Ch\u00e1vez e a gest\u00e3o ca\u00f3tica de Maduro, al\u00e9m das san\u00e7\u00f5es internacionais, fazem com que o pa\u00eds tenha, atualmente, uma \u00fanica f\u00e1brica produtora de GLP e ainda por cima sucateada. Apesar da demanda interna do produto, n\u00e3o h\u00e1 como armazenar e despachar o g\u00e1s extra\u00eddo.<\/p>\n<p>A Venezuela chegou a exportar g\u00e1s propano, a partir do qual o GLP \u00e9 produzido. Mas, entre 2009 e 2010, o combust\u00edvel come\u00e7ou a ser importado. Posteriormente, com a imposi\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, essas opera\u00e7\u00f5es se tornaram complexas.<\/p>\n<p>No momento, a escassez de GLP alcan\u00e7a 60% da demanda, o que leva a Venezuela a uma situa\u00e7\u00e3o bastante cr\u00edtica. O pa\u00eds beira o risco de ficar sem g\u00e1s para consumo dom\u00e9stico. Sem contar que cerca de 50% da frota que transporta o g\u00e1s, seja ele em estado bruto ou j\u00e1 engarrafado, est\u00e1 parada por falta de manuten\u00e7\u00e3o ou de pe\u00e7as b\u00e1sicas para os ve\u00edculos. Atualmente, apenas um barco faz o transporte mar\u00edtimo do g\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Botij\u00f5es contrabandeados<\/strong><\/p>\n<p>Com a quarentena provocada pela epidemia de coronav\u00edrus, a venda dos buj\u00f5es de g\u00e1s come\u00e7ou a ser articulada pelos Conselhos Comunais, esp\u00e9cie de organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria instaurada desde a gest\u00e3o de Ch\u00e1vez. Essa estrutura implica em mais burocracia para o comprador. Algumas comunidades denunciam a exist\u00eancia de m\u00e1fias que controlam o acesso ao produto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em todo o pa\u00eds h\u00e1 um d\u00e9ficit de 12 milh\u00f5es de buj\u00f5es de g\u00e1s. Apenas tr\u00eas milh\u00f5es de unidades est\u00e3o em boas condi\u00e7\u00f5es, tendo em vista que a vida \u00fatil de um buj\u00e3o dura cerca de dez anos.<\/p>\n<p>Na hora da compra do refil, o consumidor \u00e9 tomado por uma certa apreens\u00e3o. Caso o seu cilindro desapare\u00e7a, conseguir outro botij\u00e3o \u00e9 bastante complicado. O pre\u00e7o tabelado por unidade varia entre US$ 0,14 e US$ 0,46, de acordo com a quantidade do produto. No entanto, esse valor \u00e9 apenas te\u00f3rico. Na pr\u00e1tica, \u00e9 preciso pagar mais pelos escassos buj\u00f5es. No mercado ilegal, o valor de um botij\u00e3o varia entre US$ 8 e US$ 15. Se comparado com os 800 mil bol\u00edvares do sal\u00e1rio m\u00ednimo venezuelano, equivalente a cerca de US $1,40, o pre\u00e7o \u00e9 exorbitante.<\/p>\n<p>Um dos motivos da escassez de botij\u00f5es, de acordo com a ONG Transpar\u00eancia Internacional, \u00e9 o contrabando dessas pe\u00e7as para a Col\u00f4mbia. No pa\u00eds vizinho, um buj\u00e3o vale muito mais. Anos atr\u00e1s, o Estado importou cilindros de Portugal e da Ucr\u00e2nia, mas n\u00e3o chegou a suprir a demanda interna.<\/p>\n<p><strong>Lenha ou fog\u00e3o el\u00e9trico<\/strong><\/p>\n<p>A lenha que os venezuelanos t\u00eam usado para cozinhar \u00e9 vendida em supermercados, em lojinhas e at\u00e9 mesmo em camel\u00f4s, que buscam, assim, ganhar algum dinheiro para comprar comida.<\/p>\n<p>No interior do pa\u00eds, caminh\u00f5es da estatal Petr\u00f3leos da Venezuela G\u00e1s Comunal, que deveriam fazer a venda dos botij\u00f5es de g\u00e1s, s\u00e3o vistos transportando lenha. Quem pode, compra fog\u00f5es port\u00e1teis movidos a energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Isabel Contreras recorreu a um fog\u00e3o el\u00e9trico port\u00e1til para cozinhar. Ela prefere fazer um sop\u00e3o para a fam\u00edlia de cinco pessoas. Mas \u00e9 preciso se adaptar tamb\u00e9m \u00e0s falhas ou ao racionamento de energia el\u00e9trica em Maracay, capital do estado de Aragua e segunda maior cidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Preferimos cozinhar tudo logo cedo. A comida j\u00e1 fica pronta caso falte energia&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Os vizinhos desta engenheira, sem dinheiro para comprar um fog\u00e3o el\u00e9trico, recorrem a um terreno baldio nas imedia\u00e7\u00f5es do bairro para conseguir lenha ou mesmo arbustos secos para acender o fog\u00e3o adaptado.<\/p>\n<p>Outros ignoram as determina\u00e7\u00f5es legais e buscam madeira em lugares protegidos. Essa situa\u00e7\u00e3o vem acontecendo no Parque Nacional Henri Pittier, criado em 1937 e com \u00e1rvores centen\u00e1rias, de cerca de 800 anos.<\/p>\n<p>Para alguns, a pr\u00e1tica de cozinhar \u00e0 lenha significa uma volta \u00e0 d\u00e9cada de 1930, uma situa\u00e7\u00e3o inesperada para este pa\u00eds que j\u00e1 foi considerado o mais pr\u00f3spero da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: UOL | Not\u00edcias Uma forma antiga e rudimentar de preparar as refei\u00e7\u00f5es volta a ser praticada na Venezuela: o fog\u00e3o a lenha. Esse retorno ao passado n\u00e3o ocorre por modismo, mas, sim, por necessidade. 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