{"id":24567,"date":"2021-07-27T11:01:43","date_gmt":"2021-07-27T14:01:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/novosite\/?p=22560"},"modified":"2021-07-27T11:01:43","modified_gmt":"2021-07-27T14:01:43","slug":"novo-presidente-da-petrobras-reduz-reajustes-mas-diesel-sobe-9-em-3-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=24567","title":{"rendered":"Novo presidente da Petrobras reduz reajustes, mas diesel sobe 9% em 3 meses&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/novosite\/wp-admin\/post-new.php\"><strong>Fonte:<\/strong> UOL<\/a> \/<strong> Imagem<\/strong>: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas meses em que o general Joaquim Silva e Luna est\u00e1 na presid\u00eancia da Petrobras, a companhia tornou menos frequentes os reajustes nos combust\u00edveis. Mesmo assim, desde que o general tomou posse, houve alta de 9,3% no pre\u00e7o m\u00e9dio do diesel, 7,2% no da gasolina comum e 8,2% no do g\u00e1s de cozinha, segundo dados da ANP (Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis)<\/p>\n<p>O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) trocou o comando da companhia justamente ap\u00f3s press\u00f5es por causa do aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis. \u00c0 \u00e9poca, investidores tinham o temor de que Bolsonaro estaria tentando intervir na Petrobras. Depois do primeiro trimestre de Silva e Luna no comando, analistas dizem que o mercado financeiro se acalmou, vendo com bons olhos a gest\u00e3o do general. Mas os caminhoneiros, base eleitoral do presidente, n\u00e3o se convencem. Influenciados pela alta no pre\u00e7o, os motoristas consideram que a nova gest\u00e3o \u00e9 apenas &#8220;mais do mesmo&#8221;<\/p>\n<p><strong>Os reajustes e o pre\u00e7o<\/strong><br \/>\nDesde 19 de abril, quando Silva e Luna assumiu, quatro reajustes foram feitos pela Petrobras. Um deles, no final de abril, reduziu o pre\u00e7o da gasolina e do diesel em 2%. Em junho, a gasolina caiu mais 2%. Outra altera\u00e7\u00e3o, em julho, aumentou os valores em 6,3% para a gasolina, 3,7% para o diesel e 5,9% para o g\u00e1s de cozinha. O g\u00e1s natural, que \u00e9 reajustado trimestralmente, subiu 7%.<\/p>\n<p>Mesmo assim, no caso do diesel, o valor cobrado nas bombas subiu de R$ 4,20 para R$ 4,59 entre a semana de 18 de abril e a de de 11 de julho, segundo a ANP. No mesmo per\u00edodo, a gasolina comum foi de R$ 5,44 para R$ 5,83, e o g\u00e1s de cozinha, de R$ 85,15 para R$ 92,17.<\/p>\n<p><strong>Por que pre\u00e7os subiram?<\/strong><br \/>\nWilliam Nozaki, coordenador t\u00e9cnico do Ineep (Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis), ligado \u00e0 FUP (Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros), afirma que as altas n\u00e3o est\u00e3o relacionadas aos impostos estaduais, como afirmou Bolsonaro, j\u00e1 que os percentuais cobrados continuaram iguais.<\/p>\n<p>Segundo ele, os aumentos para o consumidor ocorrem mesmo sem os reajustes na Petrobras por causa dos outros elos da cadeia, que atuam de forma independente. Para o diesel, houve o agravante da volta da cobran\u00e7a de PIS e Cofins em maio, o que adicionou R$ 0,31 ao pre\u00e7o.<\/p>\n<p><em>&#8220;A Petrobras cobra pelo combust\u00edvel na refinaria. Mas, at\u00e9 ele chegar ao consumidor, o pre\u00e7o ainda vai incorporar margens de lucros de distribuidoras e postos. Na pr\u00e1tica, quando a Petrobras reajusta o pre\u00e7o, o consumidor sempre vai sentir o aumento. Mas distribuidores e revendedores nem sempre v\u00e3o repassar eventuais redu\u00e7\u00f5es.<\/em> William Nozaki<\/p>\n<p>Em nota, a Fecombust\u00edveis (Federa\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Combust\u00edveis e de Lubrificantes) afirmou que os postos &#8220;n\u00e3o s\u00e3o culpados pelos pre\u00e7os dos combust\u00edveis no Brasil&#8221;. A entidade diz que o d\u00f3lar, o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo no mercado internacional e a carga tribut\u00e1ria &#8220;fazem com que o combust\u00edvel no pa\u00eds seja caro&#8221;. Ainda de acordo com a Fecombust\u00edveis, os aumentos nas bombas ocorreram quando a Petrobras reajustou os pre\u00e7os nas refinarias e com as altera\u00e7\u00f5es quinzenais na base de c\u00e1lculo do ICMS, imposto estadual que incide sobre combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Segundo Nozaki, a situa\u00e7\u00e3o deve piorar nas pr\u00f3ximas semanas, porque os pre\u00e7os do petr\u00f3leo no mercado internacional est\u00e3o em alta. Com isso, a press\u00e3o para que a Petrobras intensifique os reajustes deve aumentar.<\/p>\n<p><em>Reajustes menos frequentes s\u00e3o modelo &#8220;funcional&#8221;<\/em><br \/>\nA indica\u00e7\u00e3o de Silva e Luna para substituir Roberto Castello Branco veio em um momento de press\u00e3o sobre Bolsonaro: com os combust\u00edveis em alta, o presidente se irritou e chegou a dizer que &#8220;alguma coisa aconteceria&#8221; na Petrobras.<\/p>\n<p>A fala foi interpretada por investidores como uma poss\u00edvel tentativa de interfer\u00eancia na estatal, o que fez a companhia perder mais de R$ 100 bilh\u00f5es em valor de mercado. O temor era de que, para baixar o valor dos combust\u00edveis, Silva e Luna deixasse de lado o PPI (Pre\u00e7o de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o). Adotada desde 2016, a metodologia vincula o pre\u00e7o dos combust\u00edveis comercializados pela Petrobras ao valor do petr\u00f3leo no mercado internacional.<\/p>\n<p>Nozaki, do Ineep, afirma que, mesmo mantendo o PPI, Silva e Luna encontrou um meio-termo.<\/p>\n<p><em>Sob Castello Branco, havia a tend\u00eancia de fazer os reajustes com mais frequ\u00eancia. No come\u00e7o da gest\u00e3o, a m\u00e9dia era de um reajuste a cada 18 dias. No final, passou para um reajuste a cada 12 dias. Ao que tudo indica, esse ritmo tem sofrido altera\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o de Silva e Luna, com um reajuste a cada 30 dias.<\/em> William Nozaki.<\/p>\n<p><strong>Caminhoneiros seguem insatisfeitos.<\/strong><br \/>\nEntre os caminhoneiros, por\u00e9m, a leitura \u00e9 de que Silva e Luna \u00e9 apenas &#8220;mais do mesmo&#8221; &#8211; e n\u00e3o de uma forma positiva. &#8220;N\u00e3o mudou nada at\u00e9 agora. Foi uma coisa mais pol\u00edtica do que efetiva&#8221;, afirma Wallace Landim, o Chor\u00e3o, presidente da Abrava (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Condutores de Ve\u00edculos Automotores).<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as da categoria articulam uma greve para o pr\u00f3ximo domingo (25), tendo como uma das pautas o pre\u00e7o do diesel. O governo minimiza e afirma que h\u00e1 &#8220;zero chance&#8221; de paralisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os petroleiros tamb\u00e9m fazem cr\u00edticas \u00e0 gest\u00e3o. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, diz que Silva e Luna &#8220;entrar\u00e1 para a hist\u00f3ria como mais um dos que ajudou a destruir a maior empresa brasileira controlada pelo governo federal&#8221;.<\/p>\n<p><em>Silva e Luna mant\u00e9m a pol\u00edtica predat\u00f3ria do PPI, que penaliza sobretudo os mais pobres com reajustes sistem\u00e1ticos nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e do g\u00e1s de cozinha; e continua a incentivar a venda de peda\u00e7os da companhia.<\/em><\/p>\n<p><strong>Medo do mercado passou.<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 com o mercado financeiro a estrat\u00e9gia vem funcionando. Rodrigo Moliterno, head de renda vari\u00e1vel da Veedha Investimentos, afirma que o &#8220;temor inicial&#8221; com a nova presid\u00eancia passou.<\/p>\n<p><em>&#8220;Aos olhos do mercado, a gest\u00e3o est\u00e1 sendo muito positiva. Quando houve a mudan\u00e7a [na presid\u00eancia], havia aquele receio de interfer\u00eancia, mas a realidade mostrou que n\u00e3o [aconteceu].<\/em> Rodrigo Moliterno.<\/p>\n<p>Segundo Romero Oliveira, head de renda vari\u00e1vel da Valor Investimentos, a gest\u00e3o de Silva e Luna tem sido &#8220;melhor do que se esperava&#8221;.<\/p>\n<p><em>O mercado tinha um receio de que houvesse mudan\u00e7as dr\u00e1sticas, mas isso n\u00e3o se confirmou &#8211; pelo menos at\u00e9 o momento. A gente continua vendo a mesma linha, muito pr\u00f3xima \u00e0 anterior<\/em>. Romero Oliveira.<\/p>\n<p><strong>Petrobras diz que busca equil\u00edbrio.<\/strong><br \/>\nProcurada pelo UOL, a Petrobras afirmou que os pre\u00e7os seguem &#8220;buscando o equil\u00edbrio&#8221; com o mercado internacional, considerando a varia\u00e7\u00e3o dos valores no exterior e a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, &#8220;evitando o repasse imediato da volatilidade externa [varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os] causada por eventos conjunturais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O alinhamento dos pre\u00e7os ao mercado internacional \u00e9 fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento&#8221;, diz nota enviada pela companhia.<\/p>\n<p>Sobre a venda de refinarias, criticada pela FUP, a empresa afirmou que gerir seu portf\u00f3lio permite que a Petrobras &#8220;invista em ativos de maior retorno e aderentes a sua estrat\u00e9gia&#8221;. &#8220;Isso contribui para o equil\u00edbrio financeiro e o melhor desempenho da companhia&#8221;, completa a nota.\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: UOL \/ Imagem: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil Nos tr\u00eas meses em que o general Joaquim Silva e Luna est\u00e1 na presid\u00eancia da Petrobras, a companhia tornou menos frequentes os reajustes nos combust\u00edveis. 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