{"id":24613,"date":"2021-08-13T16:33:59","date_gmt":"2021-08-13T19:33:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/novosite\/?p=22801"},"modified":"2021-08-13T16:33:59","modified_gmt":"2021-08-13T19:33:59","slug":"pedro-turqueto-por-que-o-glp-brasileiro-esta-parado-na-guerra-do-golfo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=24613","title":{"rendered":"Pedro Turqueto: Por que o GLP brasileiro est\u00e1 parado na Guerra do Golfo"},"content":{"rendered":"<p>\t\t\t\t<strong>Fonte: <a href=\"https:\/\/exame.com\/blog\/opiniao\/pedro-turqueto-por-que-o-glp-brasileiro-esta-parado-na-guerra-do-golfo\/\">Exame \/ Imagem: Pedro Ventura\/Ag\u00eancia Brasilia<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Por Pedro Zahran Turqueto<\/strong><\/p>\n<p>Imagine se tiv\u00e9ssemos a possibilidade de utilizar um energ\u00e9tico eficiente, barato, de combust\u00e3o limpa, que esteja presente em todo territ\u00f3rio nacional para gerar\u00a0<strong>energia el\u00e9trica<\/strong>, esquentar caldeiras ou em autom\u00f3veis. E que este energ\u00e9tico pudesse ser um grande aliado em tempos de uma crise h\u00eddrica sem precedentes com amea\u00e7a de apag\u00e3o, como a que vivemos.<\/p>\n<p>Agora imagine que usar esse energ\u00e9tico \u00e9 crime contra a ordem econ\u00f4mica no Brasil, com pena de 1 a 5 anos de pris\u00e3o. Pois \u00e9 justamente isso que ocorre com o\u00a0<strong>GLP<\/strong>, conhecido sintomaticamente como\u00a0<strong>\u201cG\u00e1s de Cozinha\u201d<\/strong> no Brasil.<\/p>\n<p>A lei que estabeleceu que a utiliza\u00e7\u00e3o de GLP para estes fins seria um crime \u00e9 datada de 1991 e tinha como pano de fundo a Guerra do Golfo. O governo temia que o conflito gerasse uma escassez de derivados de petr\u00f3leo no mundo, inflacionando os custos. Decidiu-se ent\u00e3o que o pa\u00eds iria utilizar o produto basicamente para cozinhar.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1 j\u00e1 se passaram mais de 30 anos, a Guerra do Golfo acabou, o Brasil descobriu o Pr\u00e9-sal, passamos a produzir mais de 70% do GLP consumido no nosso territ\u00f3rio, criamos um mercado de distribui\u00e7\u00e3o altamente competitivo e capilarizado, em uma cadeia que emprega mais de 350 mil brasileiros e gera bilh\u00f5es em impostos arrecadados.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o produto segue sendo escanteado dentro de nossa matriz energ\u00e9tica. Outros pa\u00edses j\u00e1 entenderam h\u00e1 tempos a import\u00e2ncia do GLP: n\u00e3o \u00e0 toa apenas o agroneg\u00f3cio norte-americano consome mais deste g\u00e1s que toda a ind\u00fastria e com\u00e9rcio brasileiro.<\/p>\n<p>Hoje existe uma clara necessidade de investimento em infraestrutura para recep\u00e7\u00e3o do produto importado, com a constru\u00e7\u00e3o de portos e tancagens, o que traria mais efici\u00eancia log\u00edstica, confiabilidade de oferta, geraria empregos e diminuiria os custos do GLP.<\/p>\n<p>A isso, soma-se a vontade declarada da Petrobras de n\u00e3o ser mais a garantidora exclusiva do fornecimento do produto aos distribuidores.<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um mercado sedento por investimentos privados, mas que \u00e9 freado artificialmente por uma regula\u00e7\u00e3o destoante das necessidades do pa\u00eds, que faz com que o consumo do produto tenha um crescimento marginal, quando estudos mostram que o mercado nacional poderia chegar em menos de 5 anos a mais de 10 milh\u00f5es de toneladas por ano (hoje consomem-se cerca de 7,5 milh\u00f5es de toneladas anualmente).<\/p>\n<p>Se todos os motivos elencados acima ainda n\u00e3o fossem suficientes para mudar a regula\u00e7\u00e3o, ainda deve-se considerar a distor\u00e7\u00e3o de mercado, que gera inefici\u00eancias e preju\u00edzos a consumidores e empresas. Tomemos, por exemplo, um condom\u00ednio de alto padr\u00e3o. Uma distribuidora de GLP s\u00f3 pode oferecer seu produto para aquecimento de \u00e1gua e coc\u00e7\u00e3o de alimentos. J\u00e1 uma distribuidora de G\u00e1s Natural que aborde o mesmo condom\u00ednio vai oferecer o seu produto para aquecimento de \u00e1gua, coc\u00e7\u00e3o, aquecimento de sauna, piscina e at\u00e9 para um gerador de energia. Mesmo o GLP sendo 25% mais eficiente, essa op\u00e7\u00e3o acaba sendo desconsiderada, cerceando a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Em um outro exemplo, mais pr\u00f3ximo da realidade da grande maioria dos brasileiros, a utiliza\u00e7\u00e3o do GLP em detrimento da lenha (segundo a EPE, 27% da energia residencial brasileira \u00e9 feita a lenha, ante 26% de GLP) faria com que a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o melhorasse, e muito. Estudos recentes realizados pela OMS apontam que cozinhar a lenha equivale a fumar dois ma\u00e7os de cigarro por dia, e gera doen\u00e7as como c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, catarata, tuberculose e asma. Neste sentido, o j\u00e1 citado investimento em infraestrutura, somado a eventual programa social para quem hoje se encontra nessa situa\u00e7\u00e3o, poderiam fazer grande diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A \u00cdndia, aqui, deveria nos servir de exemplo, com uma regula\u00e7\u00e3o moderna que conseguiu em poucos anos atrair fluxos de capital privado, atingir 80 milh\u00f5es de resid\u00eancias com GLP, se tornar o terceiro maior consumidor do produto no mundo e melhorar os \u00edndices de sa\u00fade da sua popula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de um programa chamado \u201cBlue Flame Revolution\u201d.<\/p>\n<p>Cabe a nossos reguladores e governantes perceberem que uma regula\u00e7\u00e3o moderna e alinhada com as necessidades do pa\u00eds baratear\u00e1 o custo de vida no curto e no longo prazo, melhorar\u00e1 a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e possibilitar\u00e1 um melhor planejamento energ\u00e9tico, o que ir\u00e1 impedir que fiquemos \u00e0 merc\u00ea de eventuais crises h\u00eddricas.<\/p>\n<p><em><strong>Pedro Zahran Turqueto<\/strong>\u00a0\u00e9 Vice-Presidente de Estrat\u00e9gia e Mercado da Copa Energia<\/em>\t\t<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Exame \/ Imagem: Pedro Ventura\/Ag\u00eancia Brasilia Por Pedro Zahran Turqueto Imagine se tiv\u00e9ssemos a possibilidade de utilizar um energ\u00e9tico eficiente, barato, de combust\u00e3o limpa, que esteja presente em todo territ\u00f3rio nacional para gerar\u00a0energia el\u00e9trica, esquentar caldeiras ou em autom\u00f3veis. 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