{"id":27292,"date":"2022-02-18T12:36:46","date_gmt":"2022-02-18T15:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=27292"},"modified":"2022-07-15T12:15:22","modified_gmt":"2022-07-15T15:15:22","slug":"tres-perguntas-glp-preco-competitividade-e-visao-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=27292","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: GLP \u2013 pre\u00e7o, competitividade e vis\u00e3o estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: <a href=\"https:\/\/monitormercantil.com.br\/tres-perguntas-glp-preco-competitividade-e-visao-estrategica\/\">Monitor Mercantil<\/a> \/ imagem: Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>Conversamos com Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de G\u00e1s Liquefeito de Petr\u00f3leo (GLP), Sindig\u00e1s, sobre o pre\u00e7o do GLP, o que os governos poderiam fazer para deixar os pre\u00e7os mais competitivos e a exist\u00eancia de uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica no Brasil com rela\u00e7\u00e3o o GLP.<\/p>\n<p><em><strong>Como voc\u00ea avalia o pre\u00e7o do GLP?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>O pre\u00e7o do GLP n\u00e3o est\u00e1 caro, mas uma parcela da sociedade est\u00e1 com dificuldade or\u00e7ament\u00e1ria para acessar o produto. Como o GLP atende a todas as camadas sociais, ele tem um impacto muito grande para os menos favorecidos. Seu pre\u00e7o est\u00e1 competitivo quando comparado \u00e0s energias alternativas. Os pre\u00e7os da energia el\u00e9trica e do g\u00e1s natural dispararam mais que o GLP.<\/p>\n<p>No Brasil, 66 milh\u00f5es de lares utilizam o GLP. Se considerarmos que mensalmente s\u00e3o vendidos 35 milh\u00f5es de botij\u00f5es, n\u00f3s vemos que um botij\u00e3o dura quase 60 dias. Se utilizarmos como refer\u00eancia um grande mercado como S\u00e3o Paulo, a energia el\u00e9trica \u00e9 10,03% mais cara que o GLP. O g\u00e1s natural, 27,6%.<\/p>\n<p>O que \u00e9 doloroso \u00e9 voc\u00ea observar que no come\u00e7o da pandemia o botij\u00e3o de g\u00e1s custava R$ 69 e hoje est\u00e1 custando R$ 102 (pre\u00e7o m\u00e9dio Brasil). O aumento de 37% registrado nos \u00faltimos 12 meses est\u00e1 relacionado ao pre\u00e7o do mercado internacional e a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real. Al\u00e9m disso, a Petrobras, sem nenhuma cr\u00edtica ou defesa exagerada, est\u00e1 fazendo a precifica\u00e7\u00e3o baseada no melhor pre\u00e7o x oportunidade.<\/p>\n<p>Qualquer instrumento de artificializa\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do GLP deve ser acompanhado pela discuss\u00e3o sobre quem paga: o consumidor ou o contribuinte? Todo o resto da discuss\u00e3o \u00e9 televisiva. Ficar procurando randomicamente um culpado em alguns dos elos da cadeia (distribuidoras, revendedores ou Petrobras), imaginando que se vai encontrar uma solu\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m mais viu, n\u00e3o vai resolver o problema, que por ser extremamente complexo, exige solu\u00e7\u00f5es complexas.<\/p>\n<p>Do nosso ponto de vista, o foco n\u00e3o deveria ser abaixar o pre\u00e7o, mas combater a pobreza energ\u00e9tica focalizando em quem tem dificuldade de acesso a um energ\u00e9tico t\u00e3o fundamental quanto o GLP. Tudo isso com m\u00e9tricas claras para que se possa fazer um acompanhamento de performance da pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong><em>O que os governos poderiam fazer para deixar o pre\u00e7o do GLP mais competitivo?<\/em><\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o acho que haja algo que possa ser feito pelos governos. O que falta \u00e9 conversa t\u00e9cnica. Com a quebra de monop\u00f3lio da Petrobras, o investimento privado tem que ser efetivamente atra\u00eddo para garantir o suprimento prim\u00e1rio do produto, que at\u00e9 hoje depende quase que de forma total da Petrobras. De alguma forma n\u00f3s vemos esse movimento no processo de desinvestimento da Petrobras, o que pode trazer uma melhor din\u00e2mica ao setor. O governo deve motivar os investidores privados para competirem com a Petrobras nesse elo do abastecimento prim\u00e1rio.<\/p>\n<p>Da cadeia para baixo, n\u00f3s vemos o bom funcionamento do setor. N\u00f3s vendemos 35 milh\u00f5es de botij\u00f5es por m\u00eas e n\u00e3o aparecemos na rela\u00e7\u00e3o dos 50 principais problemas dos Procons. Ou seja, alguma coisa n\u00f3s fazemos direito.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o que se faz no mundo todo para abrandar os solavancos dos pre\u00e7os do GLP? A primeira coisa que se fala muito s\u00e3o os fundos de estabiliza\u00e7\u00e3o. O senador Jean Paul Prates (PT-RN) tem um projeto para cria\u00e7\u00e3o de um fundo brasileiro. A quest\u00e3o \u00e9 que um fundo desse tipo \u00e9 f\u00e1cil de ser implantado, mas o seu manejo \u00e9 muito dif\u00edcil. Para cri\u00e1-lo, voc\u00ea tem que alimentar o fundo para que ele possa ser utilizado num momento de necessidade. Todo mundo fala que um fundo abaixaria os pre\u00e7os, mas ningu\u00e9m fala que para isso o fundo iria onerar os pre\u00e7os para ter recursos para o momento em que tiver que baix\u00e1-los. Quando se come\u00e7a a liberar os recursos do fundo, voc\u00ea tem que tomar cuidado para que os recursos n\u00e3o acabem antes da necessidade. V\u00e1rios pa\u00edses j\u00e1 se frustraram na utiliza\u00e7\u00e3o desses fundos. N\u00e3o estou dizendo que \u00e9 bom ou ruim, mas o n\u00edvel de dificuldade, manejo, gerenciamento e constru\u00e7\u00e3o do fundo \u00e9 muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>A segunda quest\u00e3o \u00e9 a revis\u00e3o dos tributos. O ICMS m\u00e9dio do GLP no Brasil \u00e9 de 14%, enquanto o ICMS m\u00e9dio de toda a economia \u00e9 de 9% e o da cesta b\u00e1sica \u00e9 de 4%. Cabe uma reflex\u00e3o sobre a adapta\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria do GLP \u00e0 sua relev\u00e2ncia social, mas o Sindig\u00e1s n\u00e3o tem uma recomenda\u00e7\u00e3o para baixar o ICMS. Pol\u00edtica fiscal \u00e9 feita pelos estados, e cada estado sabe onde aperta o cerco. N\u00e3o temos d\u00favida que os estados cobram esses ICMSs do GLP pela facilidade de arrecada\u00e7\u00e3o gerada pela substitui\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Outra quest\u00e3o \u00e9 que uma redu\u00e7\u00e3o do ICMS, que teria um custo pol\u00edtico elevad\u00edssimo, pode ser anulada logo em seguida devido a um reajuste de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>A terceira possibilidade \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um mecanismo de programa social. N\u00f3s temos uma vis\u00e3o de que o alvo n\u00e3o deve ser a produ\u00e7\u00e3o do GLP e nem o seu barateamento. Um programa social deveria combater a pobreza energ\u00e9tica. Por exemplo, a lenha ocupa 26% da matriz energ\u00e9tica residencial brasileira. Isso \u00e9 absolutamente bizarro. Esse dado \u00e9 da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica. Num programa social, o GLP seria uma op\u00e7\u00e3o quase que obrigat\u00f3ria por uma raz\u00e3o simples. Segundo o IBGE, 96% dos lares brasileiros est\u00e3o equipados para consumir GLP. Para que isso funcione, deve-se focar em quem realmente precisa. Esse \u00e9 o maior erro dos subs\u00eddios generalizados, que possuem um custo fiscal muito alto e uma pot\u00eancia muito baixa. Por \u00faltimo, esses recursos devem ter destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para que sejam usados apenas na compra de g\u00e1s. Se n\u00e3o for assim, essas fam\u00edlias, que est\u00e3o num estado de vulnerabilidade t\u00e3o grande, poder\u00e3o utilizar os recursos para outras prioridades, e n\u00e3o para a compra de g\u00e1s. Elas v\u00e3o utilizar madeira e comprar leite. \u00c9 preciso saber o que se quer: um programa de transfer\u00eancia de renda ou um programa espec\u00edfico de substitui\u00e7\u00e3o de energias.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o as oportunidades que vejo. Eu prefiro sempre acreditar que o governo deve se envolver o m\u00ednimo poss\u00edvel e verificar se o mercado est\u00e1 funcionando bem.<\/p>\n<p><em><strong>Falta vis\u00e3o estrat\u00e9gica com rela\u00e7\u00e3o ao GLP no Brasil?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Existe um v\u00edcio de percep\u00e7\u00e3o de que o GLP se resume a botij\u00e3o de g\u00e1s, \u00e9 um produto de pobre e precisa ser subsidiado. S\u00e3o v\u00edcios que carregamos h\u00e1 muitos anos, imaginando que assim fosse, mas n\u00e3o \u00e9. O GLP \u00e9 um produto com muitos usos, como a substitui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. Por exemplo, os chuveiros el\u00e9tricos s\u00e3o uma jabuticaba com um custo elevad\u00edssimo para a sociedade. O GLP deveria ser utilizado como energ\u00e9tico ponta de lan\u00e7a para o desenvolvimento de mercados de g\u00e1s natural. Se o GLP for misturado com ar, temos o g\u00e1s natural sint\u00e9tico que pode rodar uma unidade produtiva como se estivesse recebendo g\u00e1s natural. Com isso, ela recebe GLP por caminh\u00e3o sem a necessidade e custos de ter um duto. Ele tamb\u00e9m pode ser utilizado na gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica remota.<\/p>\n<p>Falta uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica que \u00e9 o reposicionamento t\u00e9cnico sobre o debate do pre\u00e7o do GLP e a focaliza\u00e7\u00e3o nos seus advers\u00e1rios, principalmente a pobreza energ\u00e9tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Monitor Mercantil \/ imagem: Sindig\u00e1s Conversamos com Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de G\u00e1s Liquefeito de Petr\u00f3leo (GLP), Sindig\u00e1s, sobre o pre\u00e7o do GLP, o que os governos poderiam fazer para deixar os pre\u00e7os mais competitivos e a exist\u00eancia de uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[48,47],"tags":[],"class_list":["post-27292","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27292\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}