{"id":28482,"date":"2022-06-07T09:48:50","date_gmt":"2022-06-07T12:48:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=28482"},"modified":"2022-06-07T09:48:50","modified_gmt":"2022-06-07T12:48:50","slug":"o-diesel-e-a-transicao-energetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=28482","title":{"rendered":"O diesel e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: <a href=\"https:\/\/braziljournal.com\/o-diesel-e-a-transicao-energetica\/\">Brazil Journal<\/a> \/ imagem: Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><span>Desde a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia, o mercado de petr\u00f3leo passa por uma volatilidade \u00e9pica, com o pre\u00e7o do barril chegando a ultrapassar a casa dos US$ 130, pressionando os combust\u00edveis e, em particular, o diesel em todo o mundo.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>Mas ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, os derivados de petr\u00f3leo tamb\u00e9m s\u00e3o produtos comoditizados, ou seja, existe um mercado global de gasolina, diesel e GLP, assim como o mercado de petr\u00f3leo.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>Historicamente os pre\u00e7os dos derivados acompanham a volatilidade do barril, mas em raz\u00e3o de toda a incerteza global essa l\u00f3gica vem se alterando, em especial no caso do diesel. <\/span><\/p>\n<p><span>Com a Europa e boa parte do mundo ocidental acelerando o processo de transi\u00e7\u00e3o para uma matriz mais limpa, os combust\u00edveis mais poluentes \u2013 carv\u00e3o mineral, \u00f3leo combust\u00edvel e diesel \u2013 vinham perdendo protagonismo, em benef\u00edcio das fontes renov\u00e1veis e do g\u00e1s natural.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>Esse processo colocou a Europa cada vez mais dependente dessas fontes de energia renov\u00e1veis e do g\u00e1s natural da R\u00fassia, na medida em que at\u00e9 as usinas nucleares foram 100% desativadas na Alemanha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span> Nesse xeque-mate energ\u00e9tico, os derivados de petr\u00f3leo e mesmo o carv\u00e3o voltaram a ganhar import\u00e2ncia, n\u00e3o s\u00f3 para atender a demanda que voltou depois da vacina, mas tamb\u00e9m para substituir fontes renov\u00e1veis intermitentes e o g\u00e1s russo, agora sem garantia de fornecimento. <\/span><\/p>\n<p><span>A pauta mudou: o imperativo da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica das fontes renov\u00e1veis passou a dividir espa\u00e7o com a necessidade de seguran\u00e7a energ\u00e9tica trazida pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis. <\/span><\/p>\n<p><span>O receio do corte de fornecimento de g\u00e1s natural e os embargos impostos aos produtos russos v\u00eam for\u00e7ando os pa\u00edses, principalmente os europeus, a estocar diesel para substituir o g\u00e1s natural no aquecimento das resid\u00eancias e no uso industrial. \u00a0Isso tem provocado um rali sem precedentes nos pre\u00e7os do diesel e o risco de escassez em escala global.<\/span><span> Pela primeira vez na hist\u00f3ria, essa press\u00e3o est\u00e1 fazendo o pre\u00e7o do diesel descolar do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e da gasolina.<\/span><span> Pasmem, a Europa est\u00e1 subsidiando o pre\u00e7o do diesel \u2013 o combust\u00edvel da maior parte de sua frota de ve\u00edculos leves \u2013 para que ele volte a ficar mais barato que a gasolina. <\/span>Pol\u00edtica populista, ou realpolitik?<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio ainda pode piorar com a chegada da temporada dos furac\u00f5es nos EUA, que costuma fechar refinarias na regi\u00e3o do Golfo Americano.<\/p>\n<p>No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. <span>Somos altamente dependentes dos caminh\u00f5es para a log\u00edstica dos nossos produtos, e em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds o diesel ainda \u00e9 respons\u00e1vel pela gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span> Tudo isso faz do Brasil o s\u00e9timo maior consumidor de diesel do mundo \u2013 com um calcanhar de Aquiles: importamos 25%\u00a0do nosso consumo interno por falta de mais capacidade de refino. <\/span><\/p>\n<p><span>Pode faltar diesel nas v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es? Acreditamos que a probabilidade \u00e9 baixa. Mas a situa\u00e7\u00e3o preocupa, e \u00e9 preciso tomar provid\u00eancias imediatas.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>Antes de mais nada, h\u00e1 que se respeitar a lei da oferta e demanda e, neste contexto, o pre\u00e7o do diesel no mercado interno tem que acompanhar o mercado internacional para que todos continuem tendo o est\u00edmulo econ\u00f4mico necess\u00e1rio para import\u00e1-lo.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>O atalho mais r\u00e1pido para o desabastecimento seria come\u00e7armos a praticar pre\u00e7os irreais aqui no Brasil. <\/span><\/p>\n<p><span>Mas para minorar os impactos sociais e econ\u00f4micos, j\u00e1 passou da hora do Governo e do Congresso criarem pol\u00edticas como um \u201cvoucher caminhoneiro\u201d, usando recursos do Tesouro Nacional \u2013 semelhante ao que foi feito na greve dos caminhoneiros no governo Temer. <\/span><\/p>\n<p><span>A excepcionalidade da guerra justifica criar subs\u00eddios tempor\u00e1rios, principalmente para as pessoas de baixa renda. <\/span>Aqui e ali, o mundo j\u00e1 est\u00e1 fazendo isso: a Europa est\u00e1 subsidiando a conta de g\u00e1s, e os EUA est\u00e3o reduzindo o imposto sobre gasolina e diesel.<\/p>\n<p><span>No curto prazo, pelo lado da oferta podemos aumentar a mistura do biodiesel no diesel, que hoje \u00e9 de 10%, para algo como 13% a 15%. <\/span><\/p>\n<p><span>No m\u00e9dio e longo prazos, precisamos aumentar a produ\u00e7\u00e3o de diesel privatizando as refinarias e aumentando nossa capacidade de refino, criando concorr\u00eancia. O Brasil n\u00e3o sabe o que \u00e9 isso.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>Como seremos cada vez maiores produtores de petr\u00f3leo e de g\u00e1s natural, \u00e9 preciso estimular um maior uso do g\u00e1s natural f\u00f3ssil e do g\u00e1s verde (biometano) na matriz de transporte. <\/span>Na Europa, por exemplo, h\u00e1 corredores azuis onde s\u00f3 trafegam caminh\u00f5es movidos a g\u00e1s.<\/p>\n<p><span>\u00c9 preciso investir na infraestrutura de outros modais \u2013 como o ferrovi\u00e1rio e o hidrovi\u00e1rio \u2013 e construir dutos para melhorar a log\u00edstica e baratear o pre\u00e7o do diesel.\u00a0 <\/span><\/p>\n<p><span>Ainda na lista: substituir a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica a diesel (que existe em rinc\u00f5es da Amaz\u00f4nia) por g\u00e1s e fontes renov\u00e1veis, e finalmente achar um equil\u00edbrio fiscal que taxe menos os combust\u00edveis, que hoje s\u00e3o taxados quase t\u00e3o punitivamente quanto as ind\u00fastrias de cigarros e bebida alc\u00f3olica. <\/span><\/p>\n<p><span>Adriano Pires e Pedro Rodrigues s\u00e3o diretores do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE).<\/span><\/p>\n<p><span>Leia mais em\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/braziljournal.com\/o-diesel-e-a-transicao-energetica\/\">https:\/\/braziljournal.com\/o-diesel-e-a-transicao-energetica\/<\/a><span>\u00a0.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Brazil Journal \/ imagem: Divulga\u00e7\u00e3o Desde a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia, o mercado de petr\u00f3leo passa por uma volatilidade \u00e9pica, com o pre\u00e7o do barril chegando a ultrapassar a casa dos US$ 130, pressionando os combust\u00edveis e, em particular, o diesel em todo o mundo.\u00a0 Mas ao contr\u00e1rio do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[48,47],"tags":[],"class_list":["post-28482","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-destaque","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28482"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28482\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}