{"id":28805,"date":"2022-06-24T11:22:52","date_gmt":"2022-06-24T14:22:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=28805"},"modified":"2022-07-14T17:28:53","modified_gmt":"2022-07-14T20:28:53","slug":"venda-fracionada-do-glp-nao-e-solucao-social-para-acesso-ao-produto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=28805","title":{"rendered":"Venda fracionada do GLP n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o social para acesso ao produto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin.png\" alt=\"\" width=\"3402\" height=\"1777\" class=\"aligncenter wp-image-28806 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin.png 3402w, https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin-300x157.png 300w, https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin-1024x535.png 1024w, https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin-768x401.png 768w, https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin-1536x802.png 1536w, https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Linkedin-2048x1070.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 3402px) 100vw, 3402px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A subida dos pre\u00e7os do botij\u00e3o de g\u00e1s reacende na imprensa um novo debate sobre velhas cren\u00e7as que n\u00e3o se sustentam diante de uma an\u00e1lise minimamente coerente e realista. A principal delas, fomentada por iniciativas populistas que apresentam falsas promessas de supostos benef\u00edcios para o consumidor, \u00e9 a venda fracionada do g\u00e1s de cozinha em postos de gasolina. Al\u00e9m de fal\u00e1cia, induz a sociedade a erro, com promessa dissimulada travestida de uma solu\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, n\u00e3o existem solu\u00e7\u00f5es simples para problemas complexos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que \u00e9 falsa a afirma\u00e7\u00e3o de que vender o GLP de forma fracionada seria uma forma vantajosa de garantir o acesso ao botij\u00e3o de g\u00e1s? Ou mesmo para que o custo caiba dentro do bolso do consumidor? Os argumentos variam muito e n\u00e3o deixam d\u00favidas de que essa \u201cf\u00e1cil\u201d sa\u00edda \u00e9 na realidade uma grande cilada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos aos fatos. No varejo, de maneira geral, quanto menor a quantidade comprada, mais cara sai a unidade do produto. Isso vale para tudo, de arroz e feij\u00e3o a sab\u00e3o em p\u00f3 e perfumes. Portanto, embalagens menores t\u00eam custo proporcional mais elevado e n\u00e3o representam uma solu\u00e7\u00e3o social. Se a ideia \u00e9 fazer com que o custo do botij\u00e3o caiba no fluxo de caixa do cidad\u00e3o mais vulner\u00e1vel, o parcelamento no cart\u00e3o de cr\u00e9dito cumpre o papel, oportunizando ao consumidor pagamento a prazo. Tal sistema plenamente abra\u00e7ado pelas empresas j\u00e1 est\u00e1 presente no dia a dia, como uma alternativa para n\u00e3o pesar no bolso do consumidor. Al\u00e9m do fiado, adotado por muitos revendedores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1, no entanto, camadas da sociedade que t\u00eam s\u00e9rias restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias e n\u00e3o disp\u00f5em de recursos nem de meios de cr\u00e9dito para compra do g\u00e1s de cozinha. \u00c9 aqui que reside o desafio para as pol\u00edticas p\u00fablicas, que devem ser projetadas para atender a esse grupo, cada vez mais numeroso \u00e0 medida que a crise econ\u00f4mica se agrava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contraponto, na contram\u00e3o de um desenho consistente, eficiente e sustent\u00e1vel, encontram-se iniciativas apelando para o enchimento fracionado do botij\u00e3o de g\u00e1s em pontos de venda diversos, que desconsideram riscos, economicidades e an\u00e1lises t\u00e9cnicas consistentes, com consequ\u00eancias temer\u00e1rias que superam meros inconvenientes. Isso porque a promessa de r\u00e1pida solu\u00e7\u00e3o esbarra em quest\u00e3o quase que intranspon\u00edvel, a seguran\u00e7a do consumidor, do trabalhador e da comunidade do entorno. N\u00e3o \u00e9 um simples debate, pois envolve diversas vari\u00e1veis. Coloca o cidad\u00e3o em risco de dano desnecess\u00e1rio, associado a uma atividade que segue normas de seguran\u00e7a pr\u00f3prias, pela sua especificidade, que deve ser desenvolvida em \u00e1reas industriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, o modelo proposto para possibilitar eventual recarga fracionada ainda pode trazer v\u00edcios para um segmento que trabalha com um produto pr\u00e9-medido, portanto, sem fraudes, tanto em aspectos de qualidade quanto de quantidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 de se considerar a exist\u00eancia de um custo log\u00edstico, que \u00e9 importante, mas passa despercebido por aqueles que defendem a tese do fracionamento. Desconsideram que o consumidor ter\u00e1 o inconveniente, al\u00e9m do risco e \u00f4nus, de se deslocar at\u00e9 um ponto\u00a0de\u00a0venda para fazer uma compra parcial, o que o far\u00e1 retornar em um prazo de tempo menor para uma nova recarga. Atualmente, o consumidor recebe em sua resid\u00eancia uma embalagem cheia, da marca de escolha dele, que oferecer as maiores vantagens comerciais, sem burocracias e nas melhores condi\u00e7\u00f5es, sem custo adicional. Mudan\u00e7a no atual modelo, al\u00e9m de significar retrocesso, resultar\u00e1 invariavelmente em aumento do custo log\u00edstico, com impactos no or\u00e7amento dom\u00e9stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo que se pode observar at\u00e9 aqui, a impropriedade dessa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 evidente. Como ilustra\u00e7\u00e3o, ao abastecermos nossos carros nos postos, n\u00e3o h\u00e1 qualquer embara\u00e7o, pois estamos em deslocamento e, no meio do trajeto, podemos parar e abastecer, sem que isso seja um transtorno absoluto. Mas ter que sair de casa com o botij\u00e3o nas costas para ir a um ponto de venda entre um preparo e outro de refei\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito diferente. \u00c9 um enorme contrassenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 muito importante refor\u00e7ar a quest\u00e3o da seguran\u00e7a no enchimento parcial do botij\u00e3o. A etapa mais perigosa da comercializa\u00e7\u00e3o\u00a0de\u00a0GLP \u00e9 o envasamento, que no sistema vigente \u00e9 realizado em \u00e1reas industriais, ou seja, apenas em locais distantes dos centros urbanos, em instala\u00e7\u00f5es controladas, com toda a seguran\u00e7a e observ\u00e2ncia \u00e0s normas que norteiam a atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o existe fal\u00e1cia quando se combate o desprop\u00f3sito da recarga fracionada. Outro exemplo desse absurdo \u00e9 que, mesmo existindo cilindros com seguran\u00e7a para recarga fora\u00a0de\u00a0plantas industriais, eles precisam ser providos\u00a0de\u00a0conjuntos especiais\u00a0de\u00a0v\u00e1lvulas, considerando os usos permitidos, o que os tornam muito mais caros. Ademais, ainda n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de convers\u00e3o dos mais de 120 milh\u00f5es de cilindros em livre circula\u00e7\u00e3o pelo Brasil, os quais n\u00e3o possuem conjunto de v\u00e1lvulas que permita tal opera\u00e7\u00e3o. Seria necess\u00e1rio criar nova embalagem que, segundo os c\u00e1lculos de especialistas t\u00e9cnicos do setor, alcan\u00e7aria o montante de R$ 450,00, considerando a aplica\u00e7\u00e3o\u00a0de um conjunto de v\u00e1lvulas para mitigar os riscos da opera\u00e7\u00e3o. Enquanto que, atualmente, o botij\u00e3o de\u00a013 quilos que conhecemos custa R$ 270,00 para ser fabricado, em total conformidade com as normas vigentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como exposto at\u00e9 aqui, a modalidade de fracionamento de GLP acaba sendo uma proposta para desviar o foco do real desafio: a necessidade de o formulador de pol\u00edtica p\u00fablica entender como dar acesso ao GLP e demais energ\u00e9ticos limpos, seguros e eficientes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel. O que resta para o enchimento fracionado? Sobreviver em debates improdutivos em um cen\u00e1rio de falsas promessas. Nada mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposi\u00e7\u00e3o de uma medida como essa, analisada sob todos os \u00e2ngulos, \u00e9 infeliz, desprovida\u00a0de\u00a0razoabilidade e n\u00e3o soluciona os desafios dos menos favorecidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sergio Bandeira de Mello \u2013 Presidente do Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Sindig\u00e1s A subida dos pre\u00e7os do botij\u00e3o de g\u00e1s reacende na imprensa um novo debate sobre velhas cren\u00e7as que n\u00e3o se sustentam diante de uma an\u00e1lise minimamente coerente e realista. 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