{"id":33045,"date":"2022-08-12T09:18:20","date_gmt":"2022-08-12T12:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=33045"},"modified":"2022-08-12T09:18:20","modified_gmt":"2022-08-12T12:18:20","slug":"glp-potencial-de-sobra-para-uma-matriz-energetica-mais-limpa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=33045","title":{"rendered":"GLP: potencial de sobra para uma matriz energ\u00e9tica mais limpa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos internacionais mostram que a demanda global de energia seguir\u00e1 aumentando e que os pa\u00edses ter\u00e3o pela frente o grande desafio de buscar energias mais limpas ou de baixa emiss\u00e3o de carbono. Nesse intuito, o g\u00e1s natural (GN) foi eleito, por v\u00e1rios deles, o principal energ\u00e9tico de transi\u00e7\u00e3o. E onde entra o GLP?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O G\u00e1s Liquefeito de Petr\u00f3leo (GLP), apesar de ser um combust\u00edvel f\u00f3ssil n\u00e3o renov\u00e1vel, em sua queima \u00e9 mais limpo que outras fontes de energia, como o carv\u00e3o, a lenha, \u00f3leos combust\u00edveis e o \u00f3leo diesel, que emitem muito g\u00e1s carb\u00f4nico para a atmosfera. Quando liberado sem queima, n\u00e3o causa problema ecol\u00f3gico por n\u00e3o ser considerado gerador de efeito estufa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de conhecido como g\u00e1s de cozinha, possui muitas aplica\u00e7\u00f5es al\u00e9m da coc\u00e7\u00e3o de alimentos, sendo utilizado cada vez mais na ind\u00fastria, no agroneg\u00f3cio e no com\u00e9rcio. O fato \u00e9 que as possibilidades de uso do GLP superam as do GN. Al\u00e9m de combust\u00edvel, o GLP tamb\u00e9m \u00e9 bastante usado como propelente em aeross\u00f3is, agente espumante em misturas com pol\u00edmeros, gases refrigerantes em ciclo de compress\u00e3o e como solvente especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, a Lei n\u00ba 8.176\/1991 criminaliza o emprego do GLP em motores de qualquer esp\u00e9cie, saunas, caldeiras e aquecimento de piscinas, ou para fins automotivos. A legisla\u00e7\u00e3o permite que uma caldeira a vapor opere com \u00f3leo diesel, mas pro\u00edbe o uso de GLP nesse equipamento. Uma incoer\u00eancia. Pelo menos a utiliza\u00e7\u00e3o de GLP em motores estacion\u00e1rios poderia ser liberada para gera\u00e7\u00e3o de energia e bombeio de \u00e1gua em atividades rurais, principalmente devido \u00e0 indisponibilidade e \u00e0 qualidade da energia el\u00e9trica em \u00e1reas remotas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A substitui\u00e7\u00e3o pelo GLP nos grupos geradores a diesel contribuiria ainda para reduzir as emiss\u00f5es, principalmente CO2 e materiais particulados. Possibilitaria tamb\u00e9m a cogera\u00e7\u00e3o de calor e frio, com maior efici\u00eancia dos processos e redu\u00e7\u00e3o de demanda cr\u00edtica do sistema nas horas de ponta. \u00c9 urgente que essas restri\u00e7\u00f5es sejam eliminadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de planejamento energ\u00e9tico, em um pa\u00eds como o Brasil, onde as redes de transporte de G\u00e1s Natural s\u00e3o restritas, o GLP tem a vantagem de contar com alta capilaridade, alcan\u00e7ando 100% dos munic\u00edpios. Isso significa que o GLP poderia ser o precursor do GN, construindo previamente uma matriz de consumo, viabilizando, no futuro, gasodutos de transmiss\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o. Para o GLP, existe tamb\u00e9m a possibilidade de ser fornecido como g\u00e1s natural sint\u00e9tico (GNS) \u2013 mistura de GLP com ar comprimido, equivalente ao GN \u2013, de forma a facilitar substitui\u00e7\u00f5es m\u00fatuas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser um combust\u00edvel menos agressivo ao meio ambiente e diante de sua tamanha versatilidade de aplica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o restam d\u00favidas que o GLP deve, sim, ser tratado como energ\u00e9tico de transi\u00e7\u00e3o, em harmonia com o g\u00e1s natural. Assim, esses gases combust\u00edveis deveriam receber o mesmo tratamento ison\u00f4mico e a mesma qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os motivos que justificam a necessidade de tratamento ison\u00f4mico do GLP frente ao GN s\u00e3o not\u00f3rios: 1) permitir que o consumidor fa\u00e7a melhor op\u00e7\u00e3o para suas necessidades espec\u00edficas; 2) favorecer o estabelecimento de um ambiente regulat\u00f3rio que promova a competitividade no setor e seja capaz de atrair investimentos em n\u00edveis condizentes com o crescimento da oferta de GN e GLP; 3) possibilitar a expans\u00e3o do uso residencial do GLP, para al\u00e9m da coc\u00e7\u00e3o de alimentos, e seu maior aproveitamento em atividades empresariais. O GN, que n\u00e3o enfrenta as mesmas restri\u00e7\u00f5es, \u00e9 importado em propor\u00e7\u00e3o similar ao GLP (aproximadamente 30%); 4) evitar interven\u00e7\u00f5es no pre\u00e7o relativo dos combust\u00edveis e distor\u00e7\u00f5es competitivas; 5) permitir que o GLP contribua ainda mais para a redu\u00e7\u00e3o da pegada de carbono e de outros poluentes, al\u00e9m de in\u00fameras possibilidades de conserva\u00e7\u00e3o de energia por meio de processos mais eficientes e produtivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como informa\u00e7\u00f5es adicionais, cerca de 60% do GLP produzido no mundo deriva das Unidades de Processamento de G\u00e1s Natural (UPGNs), sendo o restante (40%) basicamente obtido no refino do petr\u00f3leo. No Brasil, a participa\u00e7\u00e3o do GLP oriundo de GN \u00e9 de 24%, enquanto o produzido em refinarias corresponde a 76%. O aumento da produ\u00e7\u00e3o de GN implica, tamb\u00e9m, em maior oferta de GLP. Segundo proje\u00e7\u00f5es do Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia, da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (PDE 2030 \u2013 EPE), a produ\u00e7\u00e3o de GLP aumentar\u00e1 at\u00e9 2030, devendo atingir sua autossufici\u00eancia. O aumento da oferta do produto ser\u00e1 devido, principalmente, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o oriunda das UPGNs. Deixar de aproveitar todo o potencial do GLP pela falta de tratamento ison\u00f4mico para o energ\u00e9tico diante do GN \u00e9 um absoluto contrassenso.<\/p>\n<p><strong>Sergio Bandeira de Mello \u2013 Presidente do Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Sindig\u00e1s Estudos internacionais mostram que a demanda global de energia seguir\u00e1 aumentando e que os pa\u00edses ter\u00e3o pela frente o grande desafio de buscar energias mais limpas ou de baixa emiss\u00e3o de carbono. 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