{"id":33182,"date":"2022-08-28T10:10:29","date_gmt":"2022-08-28T13:10:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=33182"},"modified":"2022-08-29T10:23:05","modified_gmt":"2022-08-29T13:23:05","slug":"crise-de-energia-ameaca-economia-alema-baseada-em-exportacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=33182","title":{"rendered":"Crise de energia amea\u00e7a economia alem\u00e3 baseada em exporta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.opovo.com.br\/noticias\/mundo\/2022\/08\/28\/crise-de-energia-ameaca-economia-alema-baseada-em-exportacao.html\">O Povo<\/a> \/<span> imagem: Sindig\u00e1s<\/span><\/strong><\/p>\n<p>O com\u00e9rcio externo da Alemanha tem sofrido com os fortes ventos que abalam a economia global nos \u00faltimos anos. Agora a crise energ\u00e9tica desencadeada pela guerra na Ucr\u00e2nia pode ser fatal para empresas exportadoras.As mais recentes cifras sobre exporta\u00e7\u00e3o da Alemanha ilustram o perigo de tirar conclus\u00f5es precipitadas a partir de fragmentos de informa\u00e7\u00e3o: de acordo com elas, em junho as exporta\u00e7\u00f5es nacionais teriam atingido n\u00edveis recorde. No entanto, economistas alertam que o fato se deve \u00e0 explos\u00e3o dos pre\u00e7os e \u00e0 infla\u00e7\u00e3o galopante, n\u00e3o a uma boa sa\u00fade comercial. A Alemanha \u00e9 a terceira maior exportadora do mundo, s\u00f3 ultrapassada pela China e, por uma pequena margem, pelos Estados Unidos, como segundo lugar. Por\u00e9m \u00e9 cada vez maior a ansiedade quanto aos efeitos da s\u00e9rie de eventos globais dos \u00faltimos anos sobre uma economia t\u00e3o dependente de exporta\u00e7\u00f5es. Guerras comerciais e tens\u00e3o crescente entre o Ocidente e a China, os choques de abastecimento devido \u00e0 pandemia de covid-19 e, mais recentemente, a guerra da R\u00fassia contra a Ucr\u00e2nia, colocaram de ponta-cabe\u00e7a a ordem em que se baseia grande parte da prosperidade alem\u00e3. &#8220;Acho que, globalmente, n\u00e3o h\u00e1 uma economia mais exposta \u00e0s mudan\u00e7as da globaliza\u00e7\u00e3o do que a da Alemanha&#8221;, comenta Andreas N\u00f6lke, professor de ci\u00eancia pol\u00edtica da Universidade Goethe de Frankfurt. Em seu livro Exportismus. Die deutsche Droge (Exportismo. A droga alem\u00e3), ele argumenta que o pa\u00eds se viciou em sua poderosa base exportadora e necessita um novo modelo econ\u00f4mico para fazer frente \u00e0s exig\u00eancias do contexto global alterado. &#8220;A Alemanha foi um dos pa\u00edses que mais se beneficiaram do per\u00edodo de globaliza\u00e7\u00e3o desde 1990 at\u00e9 a crise financeira global ou \u2013 talvez um pouco depois. Mas agora se v\u00ea que os dados em torno da globaliza\u00e7\u00e3o est\u00e3o se reduzindo de modo lento, por\u00e9m constante. Acho que a Alemanha est\u00e1 em apuros.&#8221; Fim do modelo econ\u00f4mico alem\u00e3o? Os dados alem\u00e3es para maio revelaram o primeiro d\u00e9ficit da balan\u00e7a comercial em mais de 30 anos, ou seja: o pa\u00eds importou mais do que exportou. O economista Carsten Brzeski, do banco ING, avaliou a not\u00edcia em termos impiedosos. &#8220;A guerra na Ucr\u00e2nia p\u00f5e fim ao modelo econ\u00f4mico alem\u00e3o conhecido at\u00e9 ent\u00e3o, um modelo baseado, sobretudo, em importa\u00e7\u00e3o de energia barata e exporta\u00e7\u00f5es industriais, num mundo cada vez mais globalizado&#8221;, sentenciou o analista de longa data da economia alem\u00e3. Embora N\u00f6lke afirme que o risco exportador da Alemanha \u00e9 aparente h\u00e1 anos, uma das amea\u00e7as mais recentes e prementes \u00e9 a crise em torno da energia russa, sobretudo seu g\u00e1s, do qual h\u00e1 d\u00e9cadas a maior economia da Europa tem estado entre as maiores dependentes. Contudo a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia obrigou a uma colossal reavalia\u00e7\u00e3o. Embora muito do foco tenha se dirigido ao impacto da crise energ\u00e9tica sobre os lares, com a Uni\u00e3o Europeia se apressando em cortar as importa\u00e7\u00f5es de combust\u00edveis russos e a pr\u00f3pria R\u00fassia estrangulando o abastecimento, diversas grandes ind\u00fastrias da Alemanha se perguntam como sobreviver\u00e3o sob as novas condi\u00e7\u00f5es. Uma consulta recente da Confedera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 das C\u00e2maras de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio (DIHK) com 3.500 companhias mostrou que 16% est\u00e3o reduzindo a produ\u00e7\u00e3o ou encerrando parcialmente suas opera\u00e7\u00f5es comerciais, devido aos altos pre\u00e7os da energia. Segundo o presidente da confedera\u00e7\u00e3o, Peter Adrian, trata-se de &#8220;cifras alarmantes&#8221;, que mostram &#8220;qu\u00e3o permanente \u00e9 a carga dos altos pre\u00e7os da energia&#8221;. Parte da ind\u00fastria alem\u00e3 j\u00e1 em apuros Os alertas v\u00eam se tornando cada vez mais dram\u00e1ticos. No come\u00e7o de agosto, o Commerzbank, uma das maiores institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito da Alemanha, declarou que a crise do g\u00e1s acarretaria &#8220;severa recess\u00e3o&#8221;, com consequ\u00eancias compar\u00e1veis \u00e0s da crise financeira global de 2008. Entre os setores da ind\u00fastria nacional, o principal consumidor de energia \u00e9 o da qu\u00edmica, respons\u00e1vel por 29,3% do consumo total (embora cerca de um ter\u00e7o do g\u00e1s seja empregado como mat\u00e9ria prima para a produ\u00e7\u00e3o de determinados produtos). Tamb\u00e9m os setores metal\u00fargico, de coqueifica\u00e7\u00e3o, vidro e cer\u00e2mica queimam grandes volumes de energia, e praticamente todos s\u00e3o importantes propulsores das exporta\u00e7\u00f5es alem\u00e3s. No come\u00e7o da crise, a Basf, maior grupo qu\u00edmico do mundo, advertira que suspenderia sua produ\u00e7\u00e3o, caso o fornecimento de g\u00e1s natural ficasse mais de 50% abaixo de suas necessidades. No come\u00e7o de agosto, ent\u00e3o, ela anunciou que deixar\u00e1 de produzir am\u00f4nia, devido \u00e0 alta da energia. A decis\u00e3o poder\u00e1 ter consequ\u00eancias para setores dependentes da subst\u00e2ncia, como os de pl\u00e1sticos, fertilizantes e bebidas gasosas. A fabrica\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia j\u00e1 foi reduzida antes, em tempos de altos pre\u00e7os, e pode ser compensada com importa\u00e7\u00f5es. Contudo N\u00f6lke v\u00ea a\u00ed um exemplo de como as circunst\u00e2ncias podem mudar para a ind\u00fastria alem\u00e3, no longo prazo, com outros setores e exportadores tamb\u00e9m tendo que suspender suas atividades. &#8220;Acho que o melhor exemplo \u00e9 o setor de pe\u00e7as automobil\u00edsticas e as fabricantes de pe\u00e7as para as grandes montadoras. Essa \u00e9 uma parcela da ind\u00fastria em grandes apuros, no momento&#8221;, afirma o cientista pol\u00edtico. Perigosa depend\u00eancia da China Por mais severa que a crise energ\u00e9tica seja atualmente, a amea\u00e7a \u00e0 exist\u00eancia do modelo econ\u00f4mico alem\u00e3o baseado na exporta\u00e7\u00e3o se deve a diversos fatores, n\u00e3o apenas aos efeitos imediatos da guerra na Ucr\u00e2nia sobre os mercados globais de energia. Outra causa central de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a depend\u00eancia do setor comercial alem\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China, a qual segue sendo sua maior parceira. Cr\u00edticos consideram essa situa\u00e7\u00e3o inaceit\u00e1vel, pois a deteriora\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o pa\u00eds asi\u00e1tico e o Ocidente implica o risco de que o desligamento se torne um imperativo pol\u00edtico e econ\u00f4mico. &#8220;Est\u00e1 claro que no momento grande parte da ind\u00fastria alem\u00e3 \u00e9 extremamente dependente do mercado chin\u00eas. E se houver uma grande confronta\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 grandes problemas para essa parte da Alemanha&#8221;, adverte N\u00f6lke. A crise energ\u00e9tica \u00e9 apenas a mais recente de uma cole\u00e7\u00e3o de amea\u00e7as. Para o ex\u00e9rcito de companhias exportadoras da Alemanha, os pr\u00f3ximos anos apresentam um desafio sem precedentes: provar que o selo &#8220;made in Germany&#8221; ainda se aplica a produtos comerciais, e n\u00e3o a crises. Autor: Arthur Sullivan<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: O Povo \/ imagem: Sindig\u00e1s O com\u00e9rcio externo da Alemanha tem sofrido com os fortes ventos que abalam a economia global nos \u00faltimos anos. 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