{"id":3399,"date":"2005-03-29T14:31:04","date_gmt":"2005-03-29T14:31:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=3399"},"modified":"2022-07-14T17:16:05","modified_gmt":"2022-07-14T20:16:05","slug":"a-verdadeira-historia-do-glp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=3399","title":{"rendered":"A verdadeira hist\u00f3ria do GLP"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><strong>Por Jonathan Saul Benchimol &#8211; S\u00f3cio propriet\u00e1rio da empresa Fog\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do GLP no Brasil \u00e9 longa, o que atrapalha um pa\u00eds de mem\u00f3ria curta. Come\u00e7a, h\u00e1 66 anos, com tr\u00eas d\u00e9cadas de livre concorr\u00eancia. Depois, passou por tempos de tabelamento &#8211; durante os anos 70 &#8211; e, subsidiado pelo governo federal, entrou definitivamente nos lares brasileiros. A exist\u00eancia do subs\u00eddio juntamente com baixa carga tribut\u00e1ria fez com que o pre\u00e7o do botij\u00e3o representasse muito pouco no or\u00e7amento dom\u00e9stico. Com essa pol\u00edtica, todo cidad\u00e3o brasileiro era subsidiado, independentemente de sua renda. Essa pol\u00edtica resultou na ampla utiliza\u00e7\u00e3o do GLP como combust\u00edvel residencial em cerca de 98% dos lares brasileiros, tornando-se o servi\u00e7o p\u00fablico de maior abrang\u00eancia no cen\u00e1rio econ\u00f4mico-social brasileiro.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, o governo eliminou subs\u00eddios e estava decidido a novamente liberar o pre\u00e7o do GLP. A libera\u00e7\u00e3o, entretanto, coincidiu com uma tributa\u00e7\u00e3o em percentuais muito mais elevados. Foi nesse per\u00edodo que o governo definiu que o subs\u00eddio n\u00e3o seria sobre o produto, beneficiando a todos, e sim destinado somente \u00e0 parcela mais carente da popula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do programa conhecido como Vale G\u00e1s.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, o governo federal continuou a sua pol\u00edtica de libera\u00e7\u00e3o de mercado. Essa etapa fez com que o pre\u00e7o do GLP junto \u00e0s refinarias tivesse paridade internacional. Tal resolu\u00e7\u00e3o, juntamente com o aumento da carga tribut\u00e1ria, gerou aumento de pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria, poucos talvez saibam, n\u00e3o foi vivida apenas pelas grandes empresas do setor, mas tamb\u00e9m por n\u00f3s, das pequenas distribuidoras de GLP, que enfrentamos as muitas mudan\u00e7as do mercado &#8211; e sobrevivemos. Sabemos o que \u00e9 bom e o que n\u00e3o \u00e9 para o setor.<\/p>\n<p>Por que \u00e9 t\u00e3o alta a carga tribut\u00e1ria incidente sobre o GLP, um produto de grande consumo p\u00fablico? Por que o Vale G\u00e1s, institu\u00eddo com um valor de 15 reais por bimestre, n\u00e3o sofreu nenhum tipo de aumento? Por que o pre\u00e7o \u00e9 vinculado ao mercado internacional? E &#8211; ainda mais grave &#8211; por que os governos estaduais, que aplicam al\u00edquotas expressas em valores percentuais, ao perceber um disparar de valores absolutos na receita, deixaram sua arrecada\u00e7\u00e3o subir na mesma marcha do d\u00f3lar e do pre\u00e7o internacional, sem qualquer constrangimento?<\/p>\n<p>O novo governo precisa definir a quem deseja subsidiar &#8211; se toda a popula\u00e7\u00e3o, de todas as classes sociais, ou se somente os consumidores com menor poder aquisitivo. E, para n\u00f3s, h\u00e1 outras quest\u00f5es de extrema relev\u00e2ncia a respeito do GLP:<\/p>\n<p>1. Barreiras de entrada \u00e0 ind\u00fastria. A ind\u00fastria de GLP n\u00e3o possui barreiras de entrada. Na verdade, a atra\u00e7\u00e3o de um determinado segmento de neg\u00f3cio est\u00e1 sempre ligado ao retorno que propiciar\u00e1 ao investidor. Com tabelamento de pre\u00e7os por quase 30 anos, isso ficou dif\u00edcil. O que precisa ser avaliado \u00e9 por que algumas empresas n\u00e3o investiram em botij\u00f5es com sua marca e outras o fizeram. N\u00e3o se pode liberar o envasamento de qualquer marca em detrimento da seguran\u00e7a e da qualidade oferecida ao consumidor. Deve-se, ao contr\u00e1rio, estimular os investimentos atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria incidente sobre o GLP e o pr\u00f3prio botij\u00e3o ou linhas de cr\u00e9dito e juros compensadores.<\/p>\n<p>2. Fim da marca. A garantia do consumidor em termos de seguran\u00e7a, qualidade, quantidade de produto e suporte t\u00e9cnico est\u00e1 relacionada \u00e0 marca. A marca \u00e9 o maior ativo de qualquer companhia, pequena ou grande, e \u00e9 protegida por lei. Acabar com a marca estampada no vasilhame \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para o inicio da pirataria na ind\u00fastria do GLP.<\/p>\n<p>Quem vai garantir o peso correto do botij\u00e3o de g\u00e1s? Quem vai garantir a assist\u00eancia t\u00e9cnica em caso de vazamento? Em caso de acidente, a quem responsabilizar civil e criminalmente?<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jonathan Saul Benchimol &#8211; S\u00f3cio propriet\u00e1rio da empresa Fog\u00e1s A hist\u00f3ria do GLP no Brasil \u00e9 longa, o que atrapalha um pa\u00eds de mem\u00f3ria curta. Come\u00e7a, h\u00e1 66 anos, com tr\u00eas d\u00e9cadas de livre concorr\u00eancia. 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