{"id":37060,"date":"2023-05-22T11:49:57","date_gmt":"2023-05-22T14:49:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=37060"},"modified":"2023-06-22T09:22:54","modified_gmt":"2023-06-22T12:22:54","slug":"o-abastecimento-de-glp-no-brasil-sob-analise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=37060","title":{"rendered":"O abastecimento de GLP no Brasil sob an\u00e1lise"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Sindig\u00e1s<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em estudo<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><span>[1]<\/span><\/a> recente sobre oferta, demanda, investimentos e o abastecimento de GLP no Brasil, a Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) projetou diferentes cen\u00e1rios para o GLP que nos ajudam a tirar algumas conclus\u00f5es importantes acerca do panorama brasileiro para esse energ\u00e9tico. Entre essas estimativas, est\u00e1 o incremento na demanda de 0,3% ao ano sobre o consumo atual no horizonte do Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE 2031). O percentual j\u00e1 considera a libera\u00e7\u00e3o de outros usos, entre eles o abastecimento de ve\u00edculos, possibilidade que consideramos remota. Neste aspecto, a nota t\u00e9cnica evidencia que o fim das restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o representa qualquer amea\u00e7a ao sistema de suprimentos, n\u00e3o causando impactos na demanda do produto nem mesmo na infraestrutura de abastecimento existente. Ainda sobre elas, o trabalho da EPE conclui que sua perman\u00eancia at\u00e9 os dias de hoje \u00e9 pautada em caracter\u00edsticas mercadol\u00f3gicas de tempos passados, que n\u00e3o mais existem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo lado da oferta, a nota t\u00e9cnica projeta dois cen\u00e1rios, um conservador e outro expansionista. Para ambos, tomou-se como base a entrada em opera\u00e7\u00e3o de UPGNs no Brasil. O cen\u00e1rio conservador, que acreditamos ser mais prov\u00e1vel de acontecer, conta apenas com a entrada em opera\u00e7\u00e3o da UPGN Gaslub, j\u00e1 prevista para instala\u00e7\u00e3o no Rio de Janeiro, enquanto o expansionista considera a instala\u00e7\u00e3o de uma nova UPGN, em Sergipe, cujo investimento ainda n\u00e3o \u00e9 previsto, embora tenha indicativo. Visto que ainda s\u00e3o incertos investimentos significativos em expans\u00e3o da capacidade de refino no horizonte do estudo, a nota t\u00e9cnica admite, nesse aspecto, que a capacidade nominal de refino no pa\u00eds ser\u00e1 mantida entre 2,3 milh\u00f5es e 2,4 milh\u00f5es de barris por dia at\u00e9 2031.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento tamb\u00e9m ressalta que a atual importa\u00e7\u00e3o de GLP no Pa\u00eds \u00e9 inferior ao volume importado no ano 2000, e tem se mantido relativamente est\u00e1vel ao longo da \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos, diante dos dados apresentados, que existem espa\u00e7o e oportunidade de investimentos em terminais para importa\u00e7\u00e3o de GLP. Para que sejam estimulados, \u00e9 preciso enviar sinais positivos ao mercado. Esses acenos devem vir tanto da regula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do setor, como do comportamento dos agentes produtores no mercado nacional. O trabalho da EPE cita uma s\u00e9rie de investimentos atrelados ao aumento de capacidade em bases operacionais, entretanto, no que diz respeito \u00e0 infraestrutura log\u00edstica, os principais investimentos, ligados \u00e0 capacidade de armazenamento e\u00a0melhorias no recebimento e na movimenta\u00e7\u00e3o portu\u00e1ria do GLP, se concentram no Porto de Santos\/SP, de Suape\/PE e do Pec\u00e9m\/CE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, \u00e9 preciso destacar que o debate da precifica\u00e7\u00e3o do GLP e de outros derivados no Brasil afasta-se do racional. Defende-se muitas vezes que o pre\u00e7o aqui n\u00e3o deve seguir em nada varia\u00e7\u00f5es e oscila\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar ou do pre\u00e7o do produto no exterior. O fato chama aten\u00e7\u00e3o para esse entendimento no que tange ao setor de combust\u00edveis, visto que para todas as outras <em>commodities<\/em> esse alinhamento ao mercado internacional j\u00e1 exista. Talvez pela inexist\u00eancia de estatais que na pr\u00e1tica monopolizam esses outros segmentos tenham seus produtos oscilando com os pre\u00e7os dos mercados internacionais, enquanto da Petrobras \u00e9 cobrado que ela precifique n\u00e3o com base no pre\u00e7o-oportunidade que pode ser ofertado por seus competidores, mas sim com base nos seus custos em \u201creais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso deixar claro que o comportamento de artificializa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os da Petrobras, ao longo de d\u00e9cadas deixou-a como \u00fanica investidora poss\u00edvel em infraestrutura de abastecimento do produto. A empresa vem afirmando, desde 2016, que n\u00e3o mais investir\u00e1 nesse elo da cadeia, e tem mantido sua decis\u00e3o.\u00a0O desafio, ent\u00e3o, \u00e9 atrair quem fa\u00e7a os investimentos, eliminando gargalos inaceit\u00e1veis.\u00a0Esse \u00e9 um ponto determinante para o bom funcionamento do setor que tem a log\u00edstica como um pilar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo da EPE \u00e9 bastante elucidativo e aponta uma s\u00e9rie de caminhos, causas e efeitos, mas indiscutivelmente cabe aos reguladores agir prontamente. A come\u00e7ar pela elimina\u00e7\u00e3o imediata \u00e0s anacr\u00f4nicas restri\u00e7\u00f5es ao uso, que como mencionado na nota t\u00e9cnica da EPE, v\u00e3o contra as normas que estabelecem garantias de livre mercado. \u00c9 preciso tamb\u00e9m criar ferramentas que sinalizem aos investidores que n\u00e3o voltaremos a caminhos desastrosos de artificializa\u00e7\u00f5es generalizadas nos pre\u00e7os nacionais e ainda aprimorar as pol\u00edticas p\u00fablicas de acesso ao GLP e combate ao uso inadequado da lenha.\u00a0H\u00e1 muito trabalho a ser feito e n\u00e3o podemos mais retardar esses avan\u00e7os sob risco de penalizar, ao fim, o consumidor, que deve estar sempre no centro das aten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sergio Bandeira de Mello<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Presidente do Sindig\u00e1s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><span>[1]<\/span><\/a> Nota T\u00e9cnica EPE DPG-DEA\/2022\/01: <a href=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/Download\/PUBLICACOES_SETOR\/NT-EPE-DPG-DEA-2022-01_Investimentos%20GLP%20e%20Outros%20Usos.pdf\">Estudos prospectivos sobre <\/a><a href=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/Download\/PUBLICACOES_SETOR\/NT-EPE-DPG-DEA-2022-01_Investimentos%20GLP%20e%20Outros%20Usos.pdf\"><strong>oferta, demanda, investimentos e o abastecimento de GLP no Brasil<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Sindig\u00e1s Em estudo[1] recente sobre oferta, demanda, investimentos e o abastecimento de GLP no Brasil, a Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) projetou diferentes cen\u00e1rios para o GLP que nos ajudam a tirar algumas conclus\u00f5es importantes acerca do panorama brasileiro para esse energ\u00e9tico. 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