{"id":37086,"date":"2023-05-26T17:28:56","date_gmt":"2023-05-26T20:28:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=37086"},"modified":"2023-05-26T17:29:25","modified_gmt":"2023-05-26T20:29:25","slug":"petrobras-de-volta-a-distribuicao-de-combustiveis-entenda-o-que-esta-em-jogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=37086","title":{"rendered":"Petrobras de volta \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis? Entenda o que est\u00e1 em jogo"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/epbr.com.br\/petrobras-de-volta-a-distribuicao-de-combustiveis-entenda-o-que-esta-em-jogo\/?utm_source=social&amp;utm_medium=mensagem&amp;utm_campaign=post_share\">epbr<\/a> \/ Imagem: Petrobras<\/p>\n<p><em>Prates diz que venda da BR foi um \u201cerro crasso\u201d; volta da estatal ao setor, por\u00e9m, tem entraves<\/em><\/p>\n<p>RIO \u2014 Cr\u00edtico da privatiza\u00e7\u00e3o da antiga BR Distribuidora (hoje Vibra Energia), o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, colocou uma poss\u00edvel volta da petroleira ao neg\u00f3cio de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no radar, em suas falas mais recentes sobre os planos da companhia para o futuro.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Prates, a sa\u00edda da distribui\u00e7\u00e3o foi um \u201cerro crasso\u201d, do ponto de vista estrat\u00e9gico, dentro do contexto da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Isso porque a BR era o principal elo entre a petroleira e os consumidores finais: n\u00e3o s\u00f3 os motoristas, mas tamb\u00e9m ind\u00fastrias, empresas de navega\u00e7\u00e3o e do agroneg\u00f3cio que hoje demandam solu\u00e7\u00f5es para descarboniza\u00e7\u00e3o de seus neg\u00f3cios \u2014 justamente as solu\u00e7\u00f5es que a Petrobras quer passar a oferecer.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o retorno da Petrobras \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel? O que h\u00e1 de concreto nessa hist\u00f3ria? Quais as poss\u00edveis alternativas, para que a estatal volte ao setor? E quais os poss\u00edveis ganhos para a empresa com isso?<\/p>\n<p>A seguir, a ag\u00eancia epbr se prop\u00f5e a clarear o debate sobre o assunto.<\/p>\n<p>O que se sabe at\u00e9 agora<br \/>\nAntes de mais nada, existe hoje uma barreira pr\u00e1tica para que a estatal volte ao neg\u00f3cio de distribui\u00e7\u00e3o: o contrato de licenciamento da marca Petrobras nos postos da Vibra. A marca pertence \u00e0 petroleira, mas que foi cedida \u00e0 distribuidora por um prazo de dez anos, at\u00e9 2029, prorrog\u00e1vel por mais dez.<\/p>\n<p>Pelos termos do acordo, a Petrobras se compromete, durante a vig\u00eancia do contrato, a se abster de atuar no segmento de Postos de Servi\u00e7os. A veda\u00e7\u00e3o n\u00e3o inclui o B2B, a comercializa\u00e7\u00e3o para ind\u00fastrias, por exemplo.<\/p>\n<p>Sem entrar em detalhes, Prates tem feito cr\u00edticas recorrentes \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o da BR e aos termos do contrato de licenciamento da marca. E, nas \u00faltimas semanas, passou a falar mais sobre o interesse de que a petroleira volte \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cA Petrobras n\u00e3o pode ficar t\u00e3o longe do consumidor final. O que n\u00e3o quer dizer que aconte\u00e7a j\u00e1 no primeiro ano. Ela j\u00e1 cometeu um erro, n\u00e3o pode ser um erro em cima de outro. N\u00e3o venderia a BR, tenho que pensar o que fa\u00e7o sem ela: pode ser voltar a ter ela ou pode n\u00e3o ser, pode ter alternativas que me obriguem a acelerar processos da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, disse Prates, em entrevista ao jornal O Globo, ao ser questionado diretamente sobre o assunto.<\/p>\n<p>No mercado financeiro, o risco de a Petrobras recomprar a Vibra j\u00e1 tem sido alertado por analistas: \u201cse a Petrobras pensa em \u2018recuperar o que perdeu\u2019, a tese de recompra da Vibra deve permanecer viva\u201d, cita relat\u00f3rio do Bradesco BBI, deste m\u00eas.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 nada concreto at\u00e9 o momento. Prates contou \u00e0 ag\u00eancia epbr que a volta da Petrobras ao mercado de distribui\u00e7\u00e3o ser\u00e1 analisada \u201ccom calma\u201d, depois de outras quest\u00f5es consideradas mais urgentes pela c\u00fapula da empresa \u2013 como, por exemplo, a pol\u00edtica de dividendos aos acionistas e a revis\u00e3o do plano de investimentos.<\/p>\n<p>Ele destaca que a decis\u00e3o pelo retorno \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o, se ocorrer de fato, n\u00e3o ser\u00e1 tomada \u201capenas para reverter processos\u201d de privatiza\u00e7\u00e3o passados, mas sim dentro do contexto do reposicionamento estrat\u00e9gico da petroleira.<\/p>\n<p>Um pouco de contexto<br \/>\nO interesse da Petrobras de voltar \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o tem sido sinalizado num momento de revis\u00e3o geral do posicionamento da companhia, sob nova dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A empresa est\u00e1 debru\u00e7ada sobre a revis\u00e3o de seu planejamento estrat\u00e9gico. Prates j\u00e1 t\u00eam manifestado a inten\u00e7\u00e3o da petroleira de diversificar suas \u00e1reas de neg\u00f3cios (biorrefino, e\u00f3licas offshore e hidrog\u00eanio, por exemplo), de olho na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m defende a interrup\u00e7\u00e3o na venda das refinarias \u2013 e planos de convert\u00ea-las em \u201cbio-petro-g\u00e1s refinarias\u201d, para processamento de \u201ccombust\u00edveis de nova gera\u00e7\u00e3o\u201d. O plano \u00e9 fortalecer a Petrobras como uma empresa integrada de energia.<\/p>\n<p>E a distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis desponta como mais uma alternativa de neg\u00f3cio, dentro desse caldeir\u00e3o de possibilidades.<\/p>\n<p>Petroleiros reacendem campanha por retomada da BR<br \/>\nParte da base de apoio ao governo, a Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) tem defendido o retorno da companhia ao segmento e que a Petrobras conteste na Justi\u00e7a o contrato de licenciamento da marca Petrobras nos postos, para retom\u00e1-la.<\/p>\n<p>Os sindicatos dos petroleiros fazem press\u00e3o para que a Petrobras interrompa as vendas de seus ativos de uma forma geral \u2013 e que, em alguns casos, reaveja neg\u00f3cios j\u00e1 sacramentados, como a aliena\u00e7\u00e3o da refinaria Rlam (BA), para o Mubadala, por exemplo.<\/p>\n<p>A \u201cretomada da BR\u201d est\u00e1 presente nos discursos dos petroleiros. A defesa ganhou um novo contorno depois que a Petrobras divulgou, na semana passada, a nova pol\u00edtica de pre\u00e7os dos combust\u00edveis.<\/p>\n<p>Os sindicalistas alegam que a BR atuava como elo importante no controle de pre\u00e7os no mercado e que a reestatiza\u00e7\u00e3o da distribuidora \u00e9 essencial para o plano do governo de \u201cabrasileirar\u201d o pre\u00e7o dos derivados.<\/p>\n<p>Esse discurso est\u00e1 na fala do coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar:<\/p>\n<p>\u201cFoi um contrato draconiano que precisa ser questionado na Justi\u00e7a, para a Petrobras poder voltar \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de derivados de petr\u00f3leo\u201d, disse, em entrevista a um canal institucional do PT.<\/p>\n<p>Como chegamos at\u00e9 aqui<br \/>\nA sa\u00edda da Petrobras do neg\u00f3cio de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis come\u00e7ou a ser gestada no governo Michel Temer (MDB) e foi conclu\u00edda no mandato de Jair Bolsonaro (PL). Ocorreu dentro da estrat\u00e9gia da companhia de concentrar investimentos em ativos de maior retorno (leia-se explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e g\u00e1s em \u00e1guas profundas e ultraprofundas) e vender ativos para reduzir sua d\u00edvida.<\/p>\n<p>A petroleira se afastou ent\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o: vendeu n\u00e3o s\u00f3 da BR, mas tamb\u00e9m a Liquig\u00e1s (g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo, o GLP); a Gaspetro (g\u00e1s natural); e ativos de distribui\u00e7\u00e3o de derivados em outros pa\u00edses na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>A sa\u00edda da BR foi feita em etapas: em 2017, a Petrobras abriu o capital da empresa na bolsa, numa opera\u00e7\u00e3o que levantou R$ 5 bilh\u00f5es. Em 2019 fez uma nova oferta de a\u00e7\u00f5es que lhe retirou o poder de controle sobre a companhia, por R$ 8,5 bilh\u00f5es. E em 2021, deixou o capital da distribuidora de vez, com a venda das a\u00e7\u00f5es (37,5%) que ainda detinha na BR, por R$ 11,36 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O que a Petrobras pode ganhar com a distribui\u00e7\u00e3o?<br \/>\nNa avalia\u00e7\u00e3o de Prates, a sa\u00edda da petroleira da distribui\u00e7\u00e3o foi um \u201cerro crasso\u201d, do ponto de vista estrat\u00e9gico, dentro do contexto da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>\u201cComo voc\u00ea discute bateria, eletromobilidade ou ve\u00edculos h\u00edbridos sem posto?\u201d, questionou o presidente da Petrobras, em entrevista ao jornal \u201cO Globo\u201d este m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem outra cong\u00eanere que fez o que a Petrobras fez: vender a empresa que interage diretamente com seus consumidores\u201d, complementou, na mesma entrevista.<\/p>\n<p>Fundada em 1971, com 840 postos, a Vibra tem hoje uma rede de 8,4 mil postos \u2014 al\u00e9m de 18 mil clientes B2B (consumidores finais, sejam empresas privadas e entes p\u00fablicos de diferentes setores, como ind\u00fastrias, agroneg\u00f3cio, transportadoras, transportador revendedor retalhista de combust\u00edvel e mar\u00edtimo).<\/p>\n<p>Uma vez privatizada, a Vibra resolveu justamente apostar em novos neg\u00f3cios, de olho nessa carteira B2B. Entrou, por meio de parcerias, na comercializa\u00e7\u00e3o de energia (Comerc) e nos neg\u00f3cios de biog\u00e1s\/biometano (ZEG Biog\u00e1s), comercializa\u00e7\u00e3o de etanol (Evolua) e eletromobilidade (EZVolt), por exemplo.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o presente nos discursos a favor da volta da Petrobras \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 o argumento de que um bra\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o poderia ser usado para ajudar a controlar pre\u00e7os no mercado.<\/p>\n<p>A ideia por detr\u00e1s desse ponto \u00e9 a de que uma distribuidora estatal com forte presen\u00e7a no setor pressionaria concorrentes a trabalhar com margens menores, eventualmente, em momentos altistas nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Distribuidoras, no entanto, t\u00eam uma margem baixa, de cerca de 3% \u2013 o que coloca em d\u00favida esse argumento.<\/p>\n<p>Os caminhos para o retorno<br \/>\nUma quest\u00e3o central nesse debate \u00e9 se a companhia tentaria, nesse caso, reaver a marca Petrobras nos postos, como defendem os petroleiros, ou construir uma nova identidade \u2014 para atua\u00e7\u00e3o na comercializa\u00e7\u00e3o no B2B, devido aos impeditivos contratuais com a Vibra para atua\u00e7\u00e3o nos postos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da marca: A Vibra tem direito ao uso da marca nos postos de combust\u00edveis por meio de um contrato de licenciamento de dez anos, com vencimento em 2029, e possibilidade de renova\u00e7\u00e3o por mais dez anos.<\/p>\n<p>Prates fez cr\u00edticas recentes aos termos do acordo, mas descartou judicializar a quest\u00e3o. Ele defende a via negocial com a Vibra.<\/p>\n<p>\u201cOs postos n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o mais da Petrobras como podem vender gasolina que n\u00e3o \u00e9 da Petrobras. Porque esse contrato, a meu ver esdr\u00faxulo, permite isso. \u00c9 claro que estamos conversando sobre isso, n\u00e3o h\u00e1 conflito nisso. As pessoas perguntam se vamos judicializar e brigar com a Vibra. N\u00e3o tem nada disso. Vamos conversar no devido tempo. V\u00e1rias coisas que foram feitas recentemente n\u00f3s vamos ter que rever. Sem trauma e sem prejudicar ningu\u00e9m\u201d disse em entrevista recente \u00e0 GloboNews, sem entrar em detalhes.<\/p>\n<p>Em outra entrevista recente, ao Estad\u00e3o, Prates afirmou que n\u00e3o se trata de voltar \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o para \u201cfazer tudo do mesmo\u201d, mas sim pensar o futuro.<\/p>\n<p>\u201cDaqui a pouco voc\u00ea est\u00e1 falando de um downstream, em vez de simplesmente, como querem muitos, comprar a BR [hoje Vibra] do nada e sair fazendo tudo do mesmo. Tem que pensar como chegar pr\u00f3ximo ao consumidor do futuro, meu filho ou o filho do meu filho. O cara l\u00e1 na frente n\u00e3o vai nem ter carro, o carro vai ser compartilhado, tem o ve\u00edculo aut\u00f4nomo, vai trocar bateria e n\u00e3o abastecer\u201d, respondeu, ao ser questionado sobre como imagina que ser\u00e1 feita a comercializa\u00e7\u00e3o do hidrog\u00eanio, no futuro.<\/p>\n<p>O que mais diz o contrato de licenciamento:<\/p>\n<p>a Petrobras tem direito de prefer\u00eancia para explorar, em conjunto com a Vibra, novos neg\u00f3cios, produtos ou servi\u00e7os em segmentos de novas energias;<br \/>\na Vibra paga, anualmente, royalties \u00e0 Petrobras, no valor correspondente a 0,03% sobre a receita operacional l\u00edquida total da Vibra;<br \/>\no contrato de licenciamento pode ser rescindido por interesse m\u00fatuo das partes ou unilateralmente caso uma das partes comprovadamente e de forma continuada descumpra obriga\u00e7\u00f5es assumidas. Nesse caso, a parte que descumprir o acordo dever\u00e1 pagar multa;<br \/>\na Petrobras pode rescindir unilateralmente o contrato, sem \u00f4nus, se for privatizada ou se retire do Novo Mercado da B3.<br \/>\nUm eventual rompimento unilateral do contrato seria judicializado, destacam advogados. As perdas financeiras da Vibra, nesse caso, s\u00e3o um dos argumentos poss\u00edveis na discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>O s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Amaral Lewandowski Advogados, Romeu Amaral, lembra, por exemplo, que a Vibra recentemente investiu em reformas em diversos postos com a marca \u201cBR\u201d.<\/p>\n<p>\u201cImagine o preju\u00edzo que seria ter que trocar novamente esses layouts\u201d, disse.<\/p>\n<p>S\u00f3cio da \u00e1rea de Energia do Giamundo Neto Advogados, aponta ainda que a poss\u00edvel perda do direito ao uso da marca pela Vibra seria uma sinaliza\u00e7\u00e3o muito ruim para investidores.<\/p>\n<p>\u201cSeria uma sinaliza\u00e7\u00e3o, por parte de empresas vinculadas ao governo, de que os contratos n\u00e3o s\u00e3o respeitados no pa\u00eds\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A volta da Petrobras ao setor de distribui\u00e7\u00e3o pode se dar por tr\u00eas principais caminhos:<\/p>\n<p>Recompra da Vibra: A possibilidade de voltar a controlar a antiga BR \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es para que a Petrobras retorne ao mercado com uma participa\u00e7\u00e3o relevante. Trata-se, contudo, de uma op\u00e7\u00e3o custosa. O estatuto da Vibra possui uma cl\u00e1usula de poison pill, que funciona como uma prote\u00e7\u00e3o contra tentativas de aquisi\u00e7\u00e3o hostil. Obriga o acionista que adquirir o controle da distribuidora a fazer uma oferta p\u00fablica de aquisi\u00e7\u00e3o (OPA) \u2013 ou seja, comprar as a\u00e7\u00f5es dos outros acionistas para fechar o capital da Vibra na bolsa. Hoje, o valor de mercado da empresa \u00e9 da ordem de R$ 20 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Aquisi\u00e7\u00f5es de distribuidoras menores: Outra op\u00e7\u00e3o seria a compra de outra(s) distribuidora(s), se houver alguma renegocia\u00e7\u00e3o \u2014 ou judicializa\u00e7\u00e3o \u2014 dos termos do acordo com a Vibra que impedem a atua\u00e7\u00e3o da estatal no segmento de postos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 outros dificultadores: o mercado \u00e9 muito concentrado e a compra das outras l\u00edderes do setor \u2014 Ipiranga (Ultrapar) e Ra\u00edzen (Cosan\/Shell) \u2013 \u00e9 encarado como um cen\u00e1rio pouco prov\u00e1vel entre fontes do setor. As demais companhias possuem fatias pouco relevantes \u2013 nenhuma delas possui participa\u00e7\u00e3o maior que 3% nas vendas de diesel e gasolina (Alesat \u00e9 um exemplo). Para ter alguma relev\u00e2ncia no mercado, a petroleira teria, portanto, de fazer mais de uma aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cria\u00e7\u00e3o de uma nova distribuidora (ou comercializadora): A Petrobras pode tamb\u00e9m optar por recome\u00e7ar do zero no setor (inclusive com a cria\u00e7\u00e3o de uma nova marca). Esta pode ser uma op\u00e7\u00e3o se a petroleira quiser construir do zero um bra\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 voltado para as novas tend\u00eancias de consumo no B2B e n\u00e3o quiser, por exemplo, reentrar de imediato no segmento de postos, como o contrato com a Vibra impede. Seria dif\u00edcil atingir capilaridade de imediato, mas aquisi\u00e7\u00f5es podem acelerar o plano.<\/p>\n<p>Executivos da \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o relatam, nos bastidores, que t\u00eam interpretado os sinais de interesse da Petrobras na volta ao setor, por ora, como um aceno pol\u00edtico para a base.<\/p>\n<p>Interlocutores acreditam que o desgaste necess\u00e1rio para que a Petrobras volte a esse mercado seria alto demais, sem um retorno claro na opini\u00e3o p\u00fablica \u2014 j\u00e1 que, na pr\u00e1tica, o consumidor final n\u00e3o percebeu os efeitos da privatiza\u00e7\u00e3o, por n\u00e3o ter havido mudan\u00e7a nos nomes usados nos postos.<\/p>\n<p>O que diz a Vibra<br \/>\nProcurada, a empresa destacou que o contrato de licenciamento da marca Petrobras est\u00e1 em plena vig\u00eancia e n\u00e3o tem cl\u00e1usula de sa\u00edda.<\/p>\n<p>Pontua ainda que fica \u201cfeliz em honr\u00e1-lo\u201d e reconhece a for\u00e7a da marca.<\/p>\n<p>\u201cRespeitamos muito a Petrobras, somos clientes e parceiros em diversas opera\u00e7\u00f5es e neg\u00f3cios, temos \u00f3timo relacionamento, uma rela\u00e7\u00e3o bastante s\u00f3lida, longa e madura\u201d, citou a Vibra, em nota.<\/p>\n<p>Sobre as cr\u00edticas de Prates aos termos do contrato que permitem \u00e0 distribuidora comprar volumes de outros supridores, a Vibra esclareceu que a maior parte dos combust\u00edveis adquiridos pela empresa \u201c\u00e9 feita e priorizada com a Petrobras\u201d, mas que, como a estatal tem limites para seu volume de vendas, a companhia busca complementa\u00e7\u00e3o no mercado externo quando h\u00e1 demanda por isso.<\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Ramalho e Gabriela Ruddy<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: epbr \/ Imagem: Petrobras Prates diz que venda da BR foi um \u201cerro crasso\u201d; volta da estatal ao setor, por\u00e9m, tem entraves RIO \u2014 Cr\u00edtico da privatiza\u00e7\u00e3o da antiga BR Distribuidora (hoje Vibra Energia), o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, colocou uma poss\u00edvel volta da petroleira ao neg\u00f3cio [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34054,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"footnotes":""},"categories":[48,47],"tags":[],"class_list":["post-37086","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=37086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37086\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/34054"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=37086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=37086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=37086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}