{"id":38701,"date":"2023-11-03T10:13:20","date_gmt":"2023-11-03T13:13:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=38701"},"modified":"2023-11-07T10:30:56","modified_gmt":"2023-11-07T13:30:56","slug":"brasil-tem-que-liderar-transicao-energetica-sem-abrir-mao-do-petroleo-diz-ministro-alexandre-silveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=38701","title":{"rendered":"\u201cBrasil tem que liderar transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica sem abrir m\u00e3o do petr\u00f3leo\u201d, diz ministro Alexandre Silveira"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/istoedinheiro.com.br\/brasil-tem-que-liderar-transicao-energetica-sem-abrir-mao-do-petroleo-diz-ministro-alexandre-silveira\/\">Isto\u00c9<\/a> \/ imagem: MME<\/p>\n<p>Desde janeiro, quando assumiu o minist\u00e9rio de Minas e Energia do governo Lula 3, o mineiro Alexandre Silveira tem enfrentado desafios monumentais em sua pasta \u2014 desde o apag\u00e3o nacional em 15 de agosto at\u00e9 a maior seca em d\u00e9cadas na regi\u00e3o Norte. Mesmo assim, Silveira se diz satisfeito e otimista com os rumos do setor energ\u00e9tico brasileiro, que vem recuperando, segundo ele, o protagonismo global em sustentabilidade e descarboniza\u00e7\u00e3o. Em entrevista \u00e0 DINHEIRO, o ministro afirma que os investimentos p\u00fablicos e privados v\u00e3o consolidar o Brasil na vanguarda da energia verde, gerando empregos e riqueza em todas as partes do Pa\u00eds. Confira, a seguir, sua entrevista:<\/p>\n<p>ALEXANDRE SILVEIRA \u2014 Esses meses foram realmente uma prova de fogo. Estou muito satisfeito com os resultados. Eu n\u00e3o esperava que no setor el\u00e9trico, o setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s, o setor mineral por causa dos minerais cr\u00edticos de terras raras e a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica fossem se tornar temas t\u00e3o robustos. Tudo isso tem sido debatido em especial internacionalmente. E o Brasil, pelas suas particularidades e potencialidades, tem se tornado o grande foco e, consequentemente, o grande protagonista dessas pautas no mundo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos contratando um volume enorme de linhas de transmiss\u00e3o. Ser\u00e3o R$$ 56 bilh\u00f5es em 2023 para destravar investimentos de R$ 200 bilh\u00f5es\u201d<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 novidade que o Brasil \u00e9 refer\u00eancia em energia limpa\u2026<\/p>\n<p>Sim, sim. Mas por j\u00e1 ser reconhecido, isso tem ajudado a atrair investimentos. Temos nossa matriz el\u00e9trica 88% limpa e renov\u00e1vel. No mundo, \u00e9 15%. E ainda temos muito potencial para crescer em renov\u00e1veis, principalmente em e\u00f3lica e solar.<\/p>\n<p>O potencial \u00e9 imenso, mas falta investimento em infraestrutura, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Sempre h\u00e1 espa\u00e7o para mais investimentos. As pol\u00edticas p\u00fablicas de estrutura\u00e7\u00e3o de transmiss\u00e3o deixaram de ser feitas h\u00e1 muitos anos, e n\u00f3s voltamos a fazer de forma muito vigorosa agora. Por isso estamos contratando um volume enorme de linhas de transmiss\u00e3o. Foram R$ 16 bilh\u00f5es s\u00f3 na primeira metade do ano. J\u00e1 assinamos os contratos, demos ordem de servi\u00e7o. Vamos come\u00e7ar as obras em Minas Gerais e na Bahia. E vamos contratar mais R$ 40 bilh\u00f5es. Haver\u00e1 leil\u00e3o de linhas de transmiss\u00e3o em dezembro e mar\u00e7o. Somando tudo, ser\u00e3o R$ 56 bilh\u00f5es de linhas de transmiss\u00e3o para poder permitir destravar investimentos de mais de R$ 200 bilh\u00f5es em e\u00f3lica e solar no Nordeste brasileiro nos pr\u00f3ximos anos, trazendo essa energia para centro de carga, que \u00e9 o Sudeste. A expans\u00e3o da estrutura energ\u00e9tica vai ajudar no processo de reindustrializa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ter energia limpa e mais barata vai ser suficiente para atrair empresas de fora?<\/p>\n<p>Com certeza. Entra nesse pacote o hidrog\u00eanio verde, tanto para reindustrializar o Brasil, quanto para exportar sustentabilidade. J\u00e1 que dessa forma, literalmente, n\u00f3s armazenaremos energia. Vamos poder estocar vento e estocar sol. Porque teremos como armazenar energia gerada pelo vento.<\/p>\n<p>O sistema el\u00e9trico brasileiro est\u00e1 em risco com a estiagem na regi\u00e3o Norte?<\/p>\n<p>Estive, pessoalmente, numa miss\u00e3o liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, por determina\u00e7\u00e3o do presidente Lula, e fiquei muito impactado de ver rios extremamente caudalosos, hoje secos. Mas n\u00e3o h\u00e1 riscos iminentes \u00e0 nossa seguran\u00e7a energ\u00e9tica porque temos alternativas de gera\u00e7\u00e3o. Em caso de necessidade, temos t\u00e9rmicas a \u00f3leo, t\u00e9rmicas a g\u00e1s, algumas a biodiesel e, portanto, temos um planejamento muito seguro. Al\u00e9m disso, os reservat\u00f3rios do Sudeste ainda est\u00e3o em n\u00edveis muito positivos.<\/p>\n<p>\u201cO grande desafio do Brasil \u00e9 buscar um equil\u00edbrio entre desenvolvimento econ\u00f4mico, com frutos sociais, e sustentabilidade\u201d<\/p>\n<p>Mesmo com o desligamento de hidrel\u00e9tricas no Norte, como a usina de Santo Ant\u00f4nio?<\/p>\n<p>Sim. Mesmo tendo perdido 100% da gera\u00e7\u00e3o de Santa Ant\u00f4nio, que deixou de gerar por falta de \u00e1gua, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 uma usina com reservat\u00f3rio, \u00e9 uma usina que n\u00f3s chamamos de fio d\u2019\u00e1gua, n\u00e3o tivemos nenhum problema energ\u00e9tico. Antes mesmo do problema, tomamos precau\u00e7\u00f5es importantes. Determinamos que todos os 169 sistemas de gera\u00e7\u00e3o isolados da regi\u00e3o Norte, onde n\u00e3o tem densidade demogr\u00e1fica que permite viabilizar a linha de transmiss\u00e3o e que operam com t\u00e9rmicas a \u00f3leo, fossem abastecidos no seu limite. Isso contribuiu muito para a manuten\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a energ\u00e9tica do Norte. Custou R$ 12 bilh\u00f5es, mas preservou a seguran\u00e7a energ\u00e9tica da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Queimar \u00f3leo diesel para gerar energia n\u00e3o contraria a estrat\u00e9gia de reduzir o impacto ambiental?<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o tempor\u00e1ria. Por isso \u00e9 que queremos come\u00e7ar a hibridizar essas usinas a \u00f3leo. Vamos come\u00e7ar por onde \u00e9 tecnicamente vi\u00e1vel. Podemos hibridizar as usinas t\u00e9rmicas com energia solar. Estamos fazendo estudos. Queremos concluir esses estudos no primeiro semestre do ano que vem e come\u00e7ar obras j\u00e1 no ano que vem. Vai custar cerca de R$ 3 bilh\u00f5es e j\u00e1 temos o recurso com fundo da Eletrobras, que ser\u00e1 pago nos pr\u00f3ximos anos. E temos linha de financiamento do BNDES para isso.<\/p>\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras n\u00e3o prejudica o plano do governo de investir em locais que n\u00e3o s\u00e3o rent\u00e1veis, mas t\u00eam um vi\u00e9s social?<\/p>\n<p>N\u00e3o tem correla\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que a gera\u00e7\u00e3o depende s\u00f3 do governo. Sobre a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras, todos conhecem a minha posi\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Um setor estrat\u00e9gico, como \u00e9 o setor el\u00e9trico, deveria ter o governo com participa\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria. Entendo que a Eletrobras deveria ter continuado no Estado ou que fosse uma empresa onde o governo fosse controlador. O modelo ideal, na minha modesta opini\u00e3o, \u00e9 o modelo da Petrobras, de economia mista, de capital aberto dentro e fora do Brasil, mas com o governo brasileiro como controlador.<\/p>\n<p>De forma concreta, o Brasil tem atra\u00eddo que tipo de investimento na \u00e1rea energ\u00e9tica?<\/p>\n<p>Investir em energia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em eletricidade. Estamos criando condi\u00e7\u00f5es para que o capital, tanto nacional quanto externo, invista em gera\u00e7\u00e3o de energia, para que n\u00f3s tenhamos cada vez mais super\u00e1vit de produ\u00e7\u00e3o de energia limpa e renov\u00e1vel, mostrando que n\u00f3s vamos poder reindustrializar o Brasil, assim como fazer o Brasil autossustent\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes. Hoje n\u00f3s somos muito dependentes. \u00c9 importante a gente lembrar algumas coisas fundamentais. O Brasil \u00e9 reconhecido no mundo como o celeiro que alimenta a humanidade. Ent\u00e3o, temos que nos tornar autossustent\u00e1veis nos fertilizantes, e o hidrog\u00eanio verde ser\u00e1 fundamental, porque \u00e9 dele que n\u00f3s vamos produzir am\u00f4nia, que vai produzir ureia, consequentemente os nitrogenados. Com isso, acreditamos muito na exporta\u00e7\u00e3o de sustentabilidade pelas nossas potencialidades. As crises energ\u00e9tica e ambiental como a que o mundo enfrenta v\u00e3o, cada vez mais, valorizar nossos produtos verdes.<\/p>\n<p>O etanol tamb\u00e9m continua como estrat\u00e9gico para o governo?<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Um exemplo disso \u00e9 o etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o. Hoje j\u00e1 estamos na oitava usina de etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, e o mundo, os pa\u00edses industrializados, j\u00e1 pagam pelo etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um etanol produzido de forma mais descarbonizada. Se o Brasil souber aproveitar essa oportunidade, vamos poder vender diversos outros produtos da cadeia produtiva e da ind\u00fastria com valor agregado, j\u00e1 que n\u00f3s todos reconhecemos a necessidade que o mundo tem de descarbonizar. Uma grande frente \u00e9 a descarboniza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos biocombust\u00edveis. O Brasil, por ter 11 % da \u00e1gua doce do planeta, por ter terra f\u00e9rtil, por ter m\u00e3o de obra qualificada, por ter uma terra que investiu muito em tecnologia nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e9 quem lidera essa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a migra\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis para os el\u00e9tricos no Brasil est\u00e1 defasada em compara\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses\u2026<\/p>\n<p>No setor de transporte, n\u00e3o vamos diretamente para a eletrifica\u00e7\u00e3o, como a China quer. Antes, vamos ter uma matriz h\u00edbrida. Isso porque a grande for\u00e7a do Brasil \u00e9 a sua diversidade, \u00e9 a sua pluralidade energ\u00e9tica. Antes de vermos carros 100% el\u00e9tricos, teremos muitos ve\u00edculos h\u00edbridos flex. A concorr\u00eancia entre as diversas fontes de energia \u00e9 nosso grande diferencial competitivo. Quem ganha \u00e9 o consumidor.<\/p>\n<p>Faz sentido esse discurso de descarboniza\u00e7\u00e3o do governo, enquanto a Petrobras busca novas reservas de petr\u00f3leo, inclusive na Foz do Amazonas?<\/p>\n<p>Faz todo o sentido. A transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9 uma realidade e n\u00f3s n\u00e3o perderemos essa oportunidade. Primeiro porque a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, em sua sem\u00e2ntica, \u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o, um processo gradual, uma jornada. O Brasil tem que liderar a transi\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica sem abrir m\u00e3o do petr\u00f3leo. Temos de ser realistas e reconhecer que a matriz ainda \u00e9 dependente da gasolina, do diesel e do g\u00e1s. Sabemos que a \u00fanica forma de combater desigualdade de forma s\u00f3lida e consistente \u00e9 atrav\u00e9s da gera\u00e7\u00e3o de emprego. E como \u00e9 que n\u00f3s vamos gerar emprego? Usando essa pluralidade energ\u00e9tica nossa. \u00c9 importante a gente ressaltar e esclarecer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira que parte da arrecada\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria do petr\u00f3leo vai ainda para o fundo social que financia educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, antes de descarbonizar o Brasil precisar\u00e1 carbonizar?<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 \u00e9 um pa\u00eds que pode ser considerado l\u00edder em sustentabilidade. Nosso governo n\u00e3o transigir\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o ao cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o ambiental. Mas isso n\u00e3o tem, absolutamente, nenhuma correla\u00e7\u00e3o com o atravancamento do desenvolvimento nacional. O grande desafio do Brasil \u00e9 buscar um equil\u00edbrio entre desenvolvimento econ\u00f4mico, com frutos sociais, resultados efetivos para a vida das pessoas, e sustentabilidade. \u00c9 poss\u00edvel fazer isso na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, de forma correta. Ou seja, cumprir toda a legisla\u00e7\u00e3o vigente e todas as condicionantes para a seguran\u00e7a de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas explorar petr\u00f3leo na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 arriscado para o meio ambiente?<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que defendemos que o Ibama avance nos licenciamentos, colocando as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que preservemos todo o bioma e toda a condi\u00e7\u00e3o ambiental daquela regi\u00e3o. Mas \u00e9 um erro chamar aquela regi\u00e3o de Foz do Amazonas. N\u00e3o \u00e9 foz nenhuma. Est\u00e1 a 500 quil\u00f4metros da verdadeira Foz do Amazonas. Ou seja, est\u00e1 em \u00e1guas profundas, completamente fora do bioma amaz\u00f4nico. Vai do Amap\u00e1 at\u00e9 o Rio Grande do Norte. A ANP, \u00e0 \u00e9poca, foi infeliz de dar o nome de Foz do Amazonas.<\/p>\n<p>Qual ser\u00e1 o maior legado do governo Lula 3 para o setor energ\u00e9tico do Brasil?<\/p>\n<p>V\u00e1rios. Ser\u00e1 um governo lembrado por entregar um Pa\u00eds energeticamente mais seguro, com mais equil\u00edbrio entre seguran\u00e7a energ\u00e9tica e mobilidade tarif\u00e1ria, para que a gente n\u00e3o s\u00f3 atenda o melhor custo-benef\u00edcio de energia el\u00e9trica, mas para que isso tamb\u00e9m sirva de mola propulsora do desenvolvimento nacional. Um pa\u00eds que valorizou o conte\u00fado local com o prop\u00f3sito de gerar emprego, renda, combater desigualdade e cuidar das pessoas, que \u00e9 o grande prop\u00f3sito do governo liderado pelo presidente Lula. Um pa\u00eds que investiu na sua pluralidade energ\u00e9tica e que reconheceu a import\u00e2ncia dos biocombust\u00edveis para o Brasil. Os biocombust\u00edveis ter\u00e3o para o Brasil a mesma import\u00e2ncia que o petr\u00f3leo tem para a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Isto\u00c9 \/ imagem: MME Desde janeiro, quando assumiu o minist\u00e9rio de Minas e Energia do governo Lula 3, o mineiro Alexandre Silveira tem enfrentado desafios monumentais em sua pasta \u2014 desde o apag\u00e3o nacional em 15 de agosto at\u00e9 a maior seca em d\u00e9cadas na regi\u00e3o Norte. 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