{"id":40130,"date":"2024-09-23T17:48:54","date_gmt":"2024-09-23T20:48:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=40130"},"modified":"2024-09-23T17:50:06","modified_gmt":"2024-09-23T20:50:06","slug":"a-urgencia-do-combate-a-pobreza-energetica-como-o-g20-e-o-brasil-podem-contribuir-para-o-acesso-universal-a-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=40130","title":{"rendered":"A urg\u00eancia do combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica: como o G20 e o Brasil podem contribuir para o acesso universal \u00e0 energia"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.g20.org\/pt-br\/noticias\/a-urgencia-do-combate-a-pobreza-energetica-como-o-g20-e-o-brasil-podem-contribuir-para-o-acesso-universal-a-energia\">G20<\/a> \/ imagem: Pexels<\/p>\n<p class=\"documentDescription\">Pensar em formas de combater a fome e a pobreza implica refletir, tamb\u00e9m, sobre o acesso universal \u00e0 energia. Em artigo exclusivo para o site G20 Brasil, o pesquisador do Ineep (Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis), Andr\u00e9 Le\u00e3o, aprofunda o conceito de pobreza energ\u00e9tica, apontando como investimentos para superar o problema podem ajudar no combate \u00e0 fome e \u00e0 pobreza &#8211; prioridade da presid\u00eancia brasileira do G20. No texto, Le\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pelo Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ), lembra que o tema \u00e9 uma das prioridades do Grupo de Trabalho de Transi\u00e7\u00f5es Energ\u00e9ticas do G20, que realiza sua pr\u00f3xima reuni\u00e3o, ministerial, entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro.<\/p>\n<p class=\"documentDescription\">A cria\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Global de Combate \u00e0 Fome e \u00e0 Pobreza na C\u00fapula do G20, durante a reuni\u00e3o ministerial do grupo no Rio de Janeiro, em julho, d\u00e1 um novo impulso ao Brasil para se tornar, mais uma vez, protagonista global no combate \u00e0 fome e \u00e0 pobreza, pauta colocada mundialmente pelo presidente Lula j\u00e1 em seu primeiro mandato, em 2003. Mas \u00e9 necess\u00e1rio refletir sobre as v\u00e1rias facetas da pobreza, por exemplo, a quest\u00e3o energ\u00e9tica e os impactos que esta exerce sobre aquela. Desse modo, alcan\u00e7a-se o conceito de pobreza energ\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"documentDescription\">No Brasil, tal concep\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 pouco debatida, e o G20 aparece como um espa\u00e7o que joga luz sobre ela, ajudando a entender como a aus\u00eancia de recursos energ\u00e9ticos em determinadas regi\u00f5es consiste em um obst\u00e1culo ao acesso das popula\u00e7\u00f5es a servi\u00e7os modernos e \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da pobreza. Nesse sentido, no \u00e2mbito do Grupo de Trabalho de Transi\u00e7\u00f5es Energ\u00e9ticas \u2013 e amparado em experi\u00eancias de pol\u00edticas p\u00fablicas pret\u00e9ritas, como o Luz para Todos \u2013 o governo brasileiro elencou a pobreza energ\u00e9tica como um tema priorit\u00e1rio, que vincula a quest\u00e3o social \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"documentDescription\"><strong>Segundo os dados mais recentes (2022) da Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl\u00eas), aproximadamente 2,3 bilh\u00f5es de pessoas no mundo n\u00e3o possuem acesso a fontes de energia limpas, tendo que utilizar, majoritariamente, lenha, querosene e carv\u00e3o para cozinhar. Em termos percentuais, equivale a dizer que 71,3% da popula\u00e7\u00e3o global t\u00eam acesso \u00e0 coc\u00e7\u00e3o limpa, enquanto 28,7% n\u00e3o t\u00eam.<\/strong><\/p>\n<p class=\"documentDescription\">Pensar em formas de combater a fome e a pobreza implica refletir, tamb\u00e9m, sobre o acesso universal \u00e0 energia. A necessidade de conforto t\u00e9rmico, de refrigera\u00e7\u00e3o de alimentos, de ilumina\u00e7\u00e3o e de aquecimento da \u00e1gua constituem grandes desafios financeiros para fam\u00edlias de baixa renda e que disp\u00f5em de infraestrutura prec\u00e1ria. A sa\u00edda para muitas dessas fam\u00edlias, ao se depararem com tais despesas, \u00e9 utilizar fontes de energia \u201csujas\u201d, por exemplo, para cozinhar.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-23-17-49-16.png\" alt=\"\" width=\"631\" height=\"459\" class=\"aligncenter wp-image-40134 size-full\" srcset=\"https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-23-17-49-16.png 631w, https:\/\/www.sindigas.org.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2024-09-23-17-49-16-300x218.png 300w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><\/p>\n<p class=\"documentDescription\">O acesso a tecnologias que garantam uma coc\u00e7\u00e3o limpa depende da formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes e de investimento e financiamento p\u00fablico e privado. Considerando-se que regi\u00f5es mais pobres da \u00c1sia e da \u00c1frica s\u00e3o aquelas onde as popula\u00e7\u00f5es mais sofrem com a falta de acesso \u00e0 coc\u00e7\u00e3o limpa, a\u00e7\u00f5es de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul s\u00e3o fundamentais para transferir\/difundir pol\u00edticas p\u00fablicas bem-sucedidas. Nesse sentido, \u00e9 interessante a proposta brasileira de cria\u00e7\u00e3o de uma coaliz\u00e3o global para apoiar pa\u00edses cujas capacidades estatais para fazer um planejamento energ\u00e9tico s\u00e3o baixas. Auxiliar no desenvolvimento de pol\u00edticas de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica a longo prazo em pa\u00edses cujas matrizes ainda s\u00e3o altamente concentradas em energias f\u00f3sseis deve ser um caminho a ser trilhado para contribuir com a meta de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es globais de carbono.<\/p>\n<p>Segundo os dados mais recentes (2022) da Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl\u00eas), aproximadamente 2,3 bilh\u00f5es de pessoas no mundo n\u00e3o possuem acesso a fontes de energia limpas, tendo que utilizar, majoritariamente, lenha, querosene e carv\u00e3o para cozinhar. Em termos percentuais, equivale a dizer que 71,3% da popula\u00e7\u00e3o global t\u00eam acesso \u00e0 coc\u00e7\u00e3o limpa, enquanto 28,7% n\u00e3o t\u00eam. Quando se observam os dados por regi\u00f5es, a desigualdade \u00e9 marcante. A \u00c1frica Subsaariana \u00e9 disparadamente aquela com o menor percentual de acesso: apenas 18,5% da popula\u00e7\u00e3o. Em seguida, a regi\u00e3o da \u00c1sia-Pac\u00edfico, com 72,2%, levemente acima da m\u00e9dia global. Com exce\u00e7\u00e3o dessas duas regi\u00f5es, todas as demais apresentam percentuais de em torno de 90% para cima, como pode ser visto no gr\u00e1fico a seguir.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar a reverter esse cen\u00e1rio desigual e alcan\u00e7ar o objetivo de zerar as emiss\u00f5es de carbono at\u00e9 2050, as previs\u00f5es da IEA indicam que aproximadamente 300 milh\u00f5es de pessoas precisam obter acesso a tecnologias limpas de coc\u00e7\u00e3o a cada ano, por exemplo, g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo (GLP), fog\u00f5es movidos a biomassa (especialmente em \u00e1reas rurais), biog\u00e1s, etanol e eletricidade. A amplia\u00e7\u00e3o do uso de tais fontes energ\u00e9ticas depende, no entanto, de um aumento maci\u00e7o de investimentos, que deveria atingir 8 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros demonstram a urg\u00eancia do combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica no mundo. O conceito deve ser objeto de amplos debates por atores pol\u00edticos, como os governos, os parlamentares,\u00a0 os partidos e os sindicatos, pela sociedade civil e pelo setor privado, de modo a equacionar duas quest\u00f5es fundamentais: a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00f3lidas que contribuam para o desenvolvimento de novas tecnologias energ\u00e9ticas que ajudem a aliviar o or\u00e7amento das fam\u00edlias; e meios de financiamento advindos do setor p\u00fablico e da iniciativa privada que sustentem, a longo prazo, a cont\u00ednua redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Neste contexto, o G20 apresenta-se como uma inst\u00e2ncia embrion\u00e1ria que pode servir como impulso para um esfor\u00e7o conjunto de combate \u00e0 pobreza energ\u00e9tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: G20 \/ imagem: Pexels Pensar em formas de combater a fome e a pobreza implica refletir, tamb\u00e9m, sobre o acesso universal \u00e0 energia. 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