{"id":45231,"date":"2026-05-18T09:44:16","date_gmt":"2026-05-18T12:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=45231"},"modified":"2026-05-19T10:31:36","modified_gmt":"2026-05-19T13:31:36","slug":"reforma-no-glp-pode-impulsionar-crime-organizado-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sindigas.org.br\/?p=45231","title":{"rendered":"Reforma no GLP pode impulsionar crime organizado, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/noticia\/118953\/reforma-no-glp-pode-impulsionar-crime-organizado-aponta-estudo\">Congresso em Foco<\/a> \/ imagem: Sindig\u00e1s<\/p>\n<p>A proposta de reforma do mercado de g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo, o GLP usado no botij\u00e3o de g\u00e1s de cozinha, pode ampliar a infiltra\u00e7\u00e3o do crime organizado no setor, segundo estudo da Escola de Seguran\u00e7a Multidimensional da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/noticia\/118905\/anp-decide-sobre-fracionamento-do-gas-de-cozinha-nesta-sexta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">an\u00e1lise<\/a> na Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), tendem a criar vulnerabilidades em um mercado considerado estrat\u00e9gico, capilarizado e sens\u00edvel para milh\u00f5es de fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<p>Conforme tem sido discutido pela ag\u00eancia reguladora, a reforma \u00e9 centrada em tr\u00eas altera\u00e7\u00f5es principais: a flexibiliza\u00e7\u00e3o do enchimento de botij\u00f5es de outras marcas por qualquer distribuidora, a autoriza\u00e7\u00e3o do enchimento fracionado em centrais remotas, e a substitui\u00e7\u00e3o da marca gravada em alto-relevo nos recipientes por sistemas eletr\u00f4nicos de rastreamento ainda n\u00e3o validados.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, essas tr\u00eas frentes, combinadas, enfraquecem a cadeia de cust\u00f3dia, multiplicam pontos de opera\u00e7\u00e3o e podem resultar em &#8220;controle formal sem controle real&#8221; do setor.<\/p>\n<p><strong>O que est\u00e1 em jogo<\/strong><\/p>\n<p>Hoje, o modelo brasileiro vincula cada botij\u00e3o \u00e0 empresa respons\u00e1vel por sua seguran\u00e7a. A marca em alto-relevo no corpo do recipiente funciona como um instrumento f\u00edsico de rastreabilidade e responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo sustenta que esse arranjo foi consolidado ao longo de d\u00e9cadas e ajudou a elevar os padr\u00f5es de seguran\u00e7a do setor. No entendimento dos pesquisadores, trocar essa l\u00f3gica por um sistema digital ainda indefinido representa uma mudan\u00e7a estrutural, n\u00e3o apenas uma moderniza\u00e7\u00e3o operacional.<\/p>\n<p>O argumento central da pesquisa \u00e9 que a discuss\u00e3o n\u00e3o pode ser tratada apenas como um debate econ\u00f4mico sobre concorr\u00eancia, barreiras de entrada e pre\u00e7os ao consumidor. Para os autores, seguran\u00e7a p\u00fablica precisa estar no centro da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Em mercados de combust\u00edveis e energia, reformas regulat\u00f3rias mal calibradas, sem refor\u00e7o proporcional da fiscaliza\u00e7\u00e3o, tendem a ser aproveitadas por agentes oportunistas e redes criminosas.<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;A an\u00e1lise comparada apresentada neste estudo mostra que, em contextos de capacidade fiscalizat\u00f3ria limitada, flexibiliza\u00e7\u00f5es mal calibradas em mercados de hidrocarbonetos tendem a produzir efeitos duradouros como dilui\u00e7\u00e3o da cadeia de cust\u00f3dia, prolifera\u00e7\u00e3o de ativos fora de padr\u00e3o e infiltra\u00e7\u00e3o da infraestrutura energ\u00e9tica por organiza\u00e7\u00f5es criminosas.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Risco e avan\u00e7o criminoso<\/strong><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico dos pesquisadores \u00e9 de que permitir que distribuidoras encham botij\u00f5es de outras marcas dilui a responsabiliza\u00e7\u00e3o sobre a integridade do recipiente. J\u00e1 o enchimento remoto e fracionado espalha opera\u00e7\u00f5es por mais pontos do territ\u00f3rio, inclusive em locais de menor presen\u00e7a estatal.<\/p>\n<p>A depend\u00eancia de sistemas eletr\u00f4nicos amplia a exposi\u00e7\u00e3o a fraudes, manipula\u00e7\u00e3o de dados, sabotagens e autodeclara\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de auditar em larga escala. O estudo resume que as tr\u00eas medidas, juntas, &#8220;multiplicam pontos de infiltra\u00e7\u00e3o para organiza\u00e7\u00f5es criminosas no elo de distribui\u00e7\u00e3o de GLP&#8221;.<\/p>\n<p>Esse alerta ganha peso porque, segundo o levantamento, a vulnerabilidade brasileira n\u00e3o \u00e9 apenas te\u00f3rica. Os pesquisadores destacam que o crime organizado j\u00e1 atua no varejo do GLP em diferentes Estados e que, em algumas regi\u00f5es, a revenda de botij\u00f5es j\u00e1 sofre influ\u00eancia direta de fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias.<\/p>\n<p>A pesquisa aponta que o<em>\u00a0modus operandi<\/em>\u00a0de um esquema bilion\u00e1rio de infiltra\u00e7\u00e3o criminosa no mercado brasileiro de combust\u00edveis l\u00edquidos, revelado na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/tag\/operacao-carbono-oculto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto<\/a>, \u00e9 replic\u00e1vel no GLP caso haja afrouxamento regulat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a investiga\u00e7\u00e3o mostrou movimenta\u00e7\u00f5es superiores a R$ 52 bilh\u00f5es entre 2020 e 2024, al\u00e9m de sonega\u00e7\u00e3o estimada em R$ 15 bilh\u00f5es e uso de estruturas empresariais de fachada para dar apar\u00eancia de legalidade \u00e0s fraudes.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos autores, o Brasil construiu ao longo de d\u00e9cadas um mercado de GLP com padr\u00f5es elevados de seguran\u00e7a, capilaridade e rastreabilidade f\u00edsica que funciona como barreira \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o de produto irregular.<\/p>\n<p>Ao comparar o cen\u00e1rio brasileiro com M\u00e9xico, Equador e Paraguai, o estudo conclui que reformas regulat\u00f3rias sem fiscaliza\u00e7\u00e3o forte tendem a abrir espa\u00e7o para a infiltra\u00e7\u00e3o criminosa no mercado de GLP. O entendimento \u00e9 de que, quando o Estado perde capacidade de monitorar um mercado essencial, organiza\u00e7\u00f5es ilegais ocupam esse espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o do estudo \u00e9 que, a proposta da ANP, na configura\u00e7\u00e3o atual, criar\u00e1 vulnerabilidades desproporcionais aos benef\u00edcios alegados e pode repetir, no g\u00e1s de cozinha, a l\u00f3gica que permitiu a captura criminosa da distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis automotivos.<\/p>\n<p><strong>Crise or\u00e7ament\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>As cr\u00edticas do estudo se dirigem ainda \u00e0 pr\u00f3pria capacidade estatal de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Segundo os pesquisadores, a ANP enfrenta crise or\u00e7ament\u00e1ria, com redu\u00e7\u00e3o real de 82% nas verbas discricion\u00e1rias entre 2013 e 2025, e chegou a suspender o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combust\u00edveis em julho de 2025.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos autores, esse quadro demonstra o risco de qualquer reforma que aumente a complexidade regulat\u00f3ria e exija controle em tempo real sobre milhares de opera\u00e7\u00f5es pulverizadas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo critica tamb\u00e9m a ordem dos fatores proposta pela ag\u00eancia reguladora. Em vez de primeiro validar tecnologia, dimensionar custos, testar governan\u00e7a e s\u00f3 depois discutir mudan\u00e7as profundas, um relat\u00f3rio da ANP analisado na produ\u00e7\u00e3o do estudo aponta que a l\u00f3gica foi invertida: a libera\u00e7\u00e3o seria autorizada antes da consolida\u00e7\u00e3o dos instrumentos de controle.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, isso compromete a solidez t\u00e9cnica da proposta e amplia o risco de uma abertura regulat\u00f3ria sem salvaguardas suficientes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/static.congressoemfoco.com.br\/2026\/05\/18\/attachment\/2026\/05\/18\/77660f_policy_brief___a_proposta_de_reforma_do_mercado_de_glp_no_brasil_e_os_riscos_de_captura_pelo_crime_organizado__1_.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia a \u00edntegra do estudo.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Congresso em Foco \/ imagem: Sindig\u00e1s A proposta de reforma do mercado de g\u00e1s liquefeito de petr\u00f3leo, o GLP usado no botij\u00e3o de g\u00e1s de cozinha, pode ampliar a infiltra\u00e7\u00e3o do crime organizado no setor, segundo estudo da Escola de Seguran\u00e7a Multidimensional da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). 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