Fonte: A Crítica / imagem: Petrobras

Declarações recentes da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sobre a possibilidade de aplicar preços diferenciados ao gás liquefeito de petróleo (GLP) para usos residenciais e industriais geraram forte reação do setor. Em nota divulgada nesta quarta-feira (7), o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) classificou a proposta como um “retrocesso” e alertou para os impactos negativos da medida.

A manifestação ocorre após a fala da executiva durante a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, nos Estados Unidos, onde Magda confirmou a realização de leilões para venda do GLP e indicou que a Petrobras estuda a separação de preços entre o gás de cozinha (botijão de 13 kg) e o GLP usado por empresas.

Efeitos adversos – Para o Sindigás, a diferenciação de preços no setor — que vigorou por quase duas décadas a partir dos anos 2000 — já demonstrou ser prejudicial. Segundo a entidade, a prática reduziu investimentos, causou gargalos no abastecimento e afetou negativamente todos os agentes da cadeia, inclusive a própria estatal.

“Impedir que o produto chegue a mercados onde é competitivo contraria a lógica de um mercado livre e prejudica os consumidores finais ao desorganizar a logística e onerar toda a cadeia de um setor essencial”, diz o comunicado.

Atualmente, o GLP é amplamente utilizado em pequenos comércios, padarias e restaurantes, que veem no gás uma alternativa viável frente a outras fontes energéticas. A entidade argumenta que esses estabelecimentos podem ser diretamente impactados com uma política de diferenciação, já que o insumo representa um custo fixo significativo.

O Sindigás também criticou o modelo de leilões adotado recentemente pela Petrobras para parte da sua produção de GLP. Segundo o sindicato, a prática tem gerado distorções no mercado, elevando os custos do produto e afetando a previsibilidade no fornecimento. “Quem paga mais leva”, afirmou a entidade, explicando que as distribuidoras precisam disputar os lotes adicionais ofertados pela estatal fora do preço tabelado.

Desde 2016, de acordo com os dados apresentados pelo sindicato, o preço do GLP vendido pela Petrobras subiu 185%, enquanto a margem de comercialização das distribuidoras aumentou apenas 44% no mesmo período. Para o Sindigás, isso reforça que o maior impacto nos preços tem origem na política de fornecimento da própria estatal.

 

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