O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) atua, há muitos anos, na defesa da criação de um programa nacional de combate à pobreza energética, tendo o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) como instrumento essencial. O GLP é um insumo mais limpo, seguro e versátil, capaz de promover acesso à energia para milhões de brasileiros nos mais remotos rincões deste país continental, alinhando-se às diretrizes de desenvolvimento sustentável da ONU e de diversas organizações sociais.

Nesse contexto, estamos prontos para apoiar e suportar o aprimoramento do programa Auxílio Gás, que deverá ser anunciado pelo Governo, nos próximos dias, com uma modelagem de destinação específica e mais eficiente. Se bem estruturado e implementado, o Brasil poderá se tornar referência mundial em políticas públicas de combate à pobreza energética, assegurando que até as famílias mais vulneráveis tenham acesso a este insumo indispensável, reduzindo a dependência de fontes de energia precárias e insalubres.

Diante de recentes declarações que atribuem aos intermediários a responsabilidade pela alta dos preços dos combustíveis, o Sindigás manifesta surpresa e preocupação. Como representantes do setor de distribuição de GLP, consideramos essencial esclarecer pontos fundamentais sobre a dinâmica do mercado, muitas vezes desconsiderados no debate público.

O mercado brasileiro de GLP — o gás de cozinha — é composto por 20 distribuidoras e mais de 58 mil revendas autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Esse sistema, fruto de um trabalho executado por cerca de 350 mil profissionais qualificados, garante que o produto chegue, com segurança e eficiência, a 100% dos municípios brasileiros. O Brasil é o 7º maior mercado mundial de GLP e o 11º em consumo residencial, presente no dia a dia de 91% das famílias brasileiras.

É fundamental esclarecer que a Petrobras e os demais produtores de GLP não comercializam o produto envasado em botijões. O envase — etapa crucial para viabilizar o uso doméstico do GLP — é realizado exclusivamente pelas distribuidoras. As etapas seguintes, que garantem que o produto chegue até o consumidor final com segurança, como armazenamento, transporte, comercialização, entrega e instalação, são responsabilidades compartilhadas entre distribuidoras e revendedores autorizados.

O preço do GLP não é definido apenas pelo valor do produto na refinaria. A composição final envolve uma cadeia complexa de custos operacionais e logísticosprocessamento, envase, armazenamento, transporte, comercialização, segurança e manutenção dos botijões –, além de uma carga tributária expressiva que incide sobre toda a cadeia.

Outro ponto frequentemente ignorado no debate é o próprio botijão de GLP, um recipiente de alta tecnologia e segurança, que permite o uso do gás dentro das residências, inclusive próximo ao fogo. Esse nível de segurança só é possível graças aos constantes investimentos das distribuidoras na manutenção, inspeção, requalificação e aquisição de novos recipientes, além do trabalho rigoroso das revendas no transporte, na entrega e na instalação. Somente em 2024, o setor investiu aproximadamente R$ 1,1 bilhão na manutenção e compra de botijões, reforçando o compromisso com a segurança e a qualidade no atendimento à população, prevenindo acidentes.

O Sindigás reafirma seu compromisso com a transparência, a segurança e a continuidade do abastecimento de GLP em todo o território nacional, e espera que estas informações contribuam para um debate público mais qualificado, justo e responsável sobre a formação dos preços e sobre a importância do setor para a segurança energética e alimentar dos brasileiros.

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