Fonte: PetroNotícias / imagem: Petro Notícias

O tema de hoje na série especial Perspectivas 2026 é o setor de gás de cozinha (GLP). Nosso entrevistado desta quarta-feira é o presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, que afirmou que 2025 foi muito importante para o segmento, especialmente com a implementação do programa Gás do Povo. O executivo também apontou que as distribuidoras seguiram investindo em infraestrutura de abastecimento, segurança e inovação logística, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador. Para o próximo ano, Mello acredita que é preciso manter e aperfeiçoar políticas públicas voltadas ao combate à pobreza energética, como o Programa Gás do Povo. “O Sindigás continuará cooperando com o governo na construção de programas sociais mais simples e eficazes, que ampliem o alcance das ações públicas e gerem benefícios diretos à população, reforçando o empenho das distribuidoras e suas revendas autorizadas em fazer o programa Gás do Povo avançar com qualidade, segurança e eficiência”, declarou.

Como foi o ano de 2025 para sua associação e seu setor?

O ano de 2025 foi marcado por discussões relevantes sobre o futuro do setor de GLP. Tivemos avanços concretos em pautas que o Sindigás apoia há anos, como a implementação do programa Gás do Povo, com o objetivo de combater a pobreza energética, levando energia mais limpa e segura que outros combustíveis como lenha e carvão a 15,5 milhões de famílias brasileiras.

Além disso, trouxemos para o debate público os riscos à segurança e qualidade do mercado a partir das mudanças regulatórias previstas pela AIR da ANP, que propõe, entre outras regras, o enchimento remoto e fracionado de GLP em pequenas centrais urbanas, além do fim da marca nos botijões, permitindo que eles sejam enchidos por diferentes marcas, apoiados por um rastreamento digital ainda inexistente e não testado.   

O ano também marcou uma importante pesquisa desenvolvida pelo Instituto Locomotiva com a percepção dos brasileiros sobre o consumo de gás de botijão e contrapondo às mudanças regulatórias previstas pela ANP com destaque para o percentual de 94% de brasileiros que valorizam a segurança e consideram importante ter o nome da empresa que encheu o botijão gravado em local visível e em alto relevo.  

Do ponto de vista operacional, as distribuidoras seguiram investindo em infraestrutura de abastecimento, segurança e inovação logística, mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador. Esses esforços sustentam uma operação de grande escala, responsável pela entrega de mais de 400 milhões de botijões de gás de cozinha por ano, garantindo o fornecimento contínuo porta a porta de um produto essencial, presente em 91% dos lares brasileiros e em 100% dos municípios do país.

Sob o ponto de vista institucional, o Sindigás atuou de forma técnica e colaborativa junto ao Ministério de Minas e Energia, à Casa Civil, à ANP e ao Congresso Nacional, contribuindo para o aprimoramento de políticas públicas e regulatórias que assegurem previsibilidade, isonomia concorrencial e segurança jurídica. Também participamos ativamente de eventos fundamentais para o setor, como a Liquid Gas Week, o principal encontro mundial do mercado de GLP, com a presença de distribuidoras, especialistas internacionais e representantes do governo, como o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da ANP, Artur Watt.

O ano também fica marcado pelo lançamento da campanha “Gás do Brasil”, uma ação institucional em conjunto com as distribuidoras nacionais de GLP reforçando a relevância econômica, social e ambiental deste produto para a população brasileira.

Se fosse consultado, que sugestões daria para melhorar o ambiente de negócios em seu setor?

A principal sugestão para aprimorar o ambiente de negócios no setor é garantir previsibilidade regulatória, com regras claras e estáveis que permitam o planejamento de longo prazo. Um marco regulatório consistente é essencial para a evolução sustentável do mercado, preservando os altos padrões de segurança, qualidade e eficiência logística que caracterizam a distribuição de GLP no Brasil. Essa estabilidade também favorece um ambiente concorrencial saudável, que incentiva as distribuidoras a seguirem investindo em inovação, infraestrutura e aprimoramento dos serviços prestados à população.

Além disso, é fundamental manter e aperfeiçoar políticas públicas voltadas ao combate à pobreza energética, como o Programa Gás do Povo, que deve ampliar o acesso ao gás de cozinha para cerca de 50 milhões de brasileiros de baixa renda. Iniciativas como essa reforçam o papel do GLP como um energético essencial para a inclusão social, melhora da qualidade de vida e saúde das pessoas, além de ser uma matéria-prima que promove a transição energética justa e mais sustentável para o país.

Por último, quais são as perspectivas de sua associação para 2026?

As perspectivas são de continuidade do diálogo institucional e de avanços positivos no aperfeiçoamento regulatório do mercado de GLP. O Sindigás seguirá contribuindo para um ambiente de negócios mais moderno, previsível e competitivo, sem abrir mão dos princípios que consolidaram o setor: segurança, qualidade e responsabilidade das empresas pelo produto que colocam no mercado.

Esperamos que o próximo ano seja também de consolidação de políticas públicas, como o programa Gás do Povo, que traduz o caráter essencial do GLP para garantir a dignidade energética para as famílias brasileiras. O Sindigás continuará cooperando com o governo na construção de programas sociais mais simples e eficazes, que ampliem o alcance das ações públicas e gerem benefícios diretos à população, reforçando o empenho das distribuidoras e suas revendas autorizadas em fazer o programa Gás do Povo avançar com qualidade, segurança e eficiência, com a confiança de quem há décadas assegura o abastecimento de gás de cozinha em todo o território nacional.

Por fim, seguimos nossa trajetória com o compromisso das distribuidoras associadas com o investimento contínuo em inovação, eficiência e sustentabilidade. O Sindigás continuará atuando de forma técnica, propositiva e colaborativa, buscando sempre o fortalecimento do setor, o bem-estar dos consumidores e de todos os outros agentes envolvidos no mercado.

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