Fonte: Diarinho / imagem: Sindigás

Um impasse provocado de forma indireta por uma nova política social passou a afetar a distribuição de botijões de gás no país.

O aumento repentino da demanda abriu uma disputa entre fabricantes brasileiros e empresas distribuidoras, que divergem sobre a necessidade de importar recipientes e sobre a tarifa aplicada aos produtos vindos do exterior.

O programa no centro dessa controvérsia é o Gás do Povo, iniciativa federal que oferece botijões de 13 quilos sem custo a cerca de 15 milhões de famílias de baixa renda.

Os beneficiários recebem vales liberados mensalmente e podem fazer a troca em revendas credenciadas. Com a ampliação do consumo, as distribuidoras precisaram reforçar estoques e buscar novos fornecedores para atender ao volume esperado.

Foi nesse contexto que cresceram as compras de botijões chineses. Segundo dados reunidos pela Mangels, principal fabricante nacional do setor, o Brasil importou 29 mil unidades em 2025.

Apenas nos seis primeiros meses deste ano, o total chegou a 515 mil. Como o mercado de reposição gira em torno de 2 milhões de recipientes por ano, a presença do produto chinês ganhou peso relevante.

A Mangels defende que o governo eleve de 12,6 por cento para 25 por cento a tarifa de importação dos botijões prontos.

A empresa afirma que existe uma distorção, porque chapas de aço e outros insumos usados na produção nacional passaram a pagar tarifa de 25 por cento, enquanto o recipiente acabado entra no país com cobrança menor.

Para a fabricante, isso favorece a importação e enfraquece a produção local.

A companhia sustenta ainda que a indústria brasileira teria capacidade para fabricar até 8 milhões de botijões por ano, quantidade suficiente para atender ao programa. O argumento recebe apoio de representantes do setor siderúrgico.

Sindigás diz que empresas precisaram buscar fornecedores externos de botijões

As distribuidoras contestam essa avaliação. O Sindigás afirma que capacidade instalada não significa entrega imediata.

Segundo a entidade, houve cortes em pedidos programados no fim do ano passado, o que obrigou as empresas a procurar fornecedores externos.

O sindicato diz que os botijões chineses chegaram mais caros que os nacionais e que a importação ocorreu por necessidade, não por preferência.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio analisa o pedido de aumento tarifário. Depois da avaliação técnica, o tema seguirá para instâncias da Camex, que decidirão se a cobrança sobre os recipientes importados será alterada.

A decisão poderá redefinir os custos e o abastecimento nos próximos meses, enquanto o programa amplia sua operação nacional.

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