Fonte: Sindigás
O ano de 2025 foi decisivo para o setor de GLP no Brasil. Discutimos o futuro do mercado com ainda mais transparência, ampliamos o diálogo institucional e avançamos em agendas que o Sindigás defende há anos. Muito mais do que um simples balanço, o ano passado nos mostrou que o GLP está no centro de temas estratégicos para o país: inclusão social, segurança e dignidade energética, assim como estabilidade e previsibilidade regulatória.
Um dos marcos mais relevantes do ano foi a implementação do programa Gás do Povo, uma política pública fundamental para combater a pobreza energética e ampliar o acesso ao gás de cozinha para milhões de famílias brasileiras. Nesse contexto, o GLP se apresenta como uma alternativa de energia mais limpa e segura do que a lenha e o carvão, beneficiando 15,5 milhões de famílias e com potencial de atingir cerca de 50 milhões de brasileiros de baixa renda nos próximos anos. Inclusão energética e dignidade não são conceitos abstratos; são escolhas primordiais de um país.
Ao longo do ano, também aprofundamos o debate sobre a regulação do mercado. A Análise de Impacto Regulatório conduzida pela ANP trouxe à mesa propostas que podem alterar a organização do setor, como o enchimento remoto e fracionado de GLP em pequenas centrais urbanas e o envase de botijões de diferentes marcas pelas distribuidoras, com redistribuição por diferentes empresas apoiadas por um modelo de rastreabilidade digital ainda inexistente e não testado. Questionamos publicamente os riscos dessa agenda para a segurança, qualidade e a proteção do consumidor, preocupações que não são corporativas e, sim, estruturais.
Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Locomotiva reforçou esse ponto: 82% dos brasileiros afirmam valorizar segurança e qualidade quando o assunto é gás de botijão. Essa percepção confirma algo que o setor já sabe há décadas: não existe espaço para improviso quando o produto chega dentro da casa das pessoas.
No campo operacional, o setor seguiu investindo. Mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador, as distribuidoras mantiveram aportes em infraestrutura de abastecimento, inovação logística e reforço de segurança. É essa engrenagem que garante uma operação de grande escala, responsável pela entrega de mais de 400 milhões de botijões por ano, abastecendo 91% dos lares brasileiros e 100% dos municípios do país. Poucas cadeias logísticas no Brasil combinam capilaridade, eficiência e confiabilidade em magnitude semelhante.
Institucionalmente, o Sindigás atuou de forma técnica e colaborativa junto ao Ministério de Minas e Energia, Casa Civil, ANP e Congresso Nacional, contribuindo para a construção de políticas públicas mais previsíveis, isonômicas e juridicamente estáveis. Estivemos também na Liquid Gas Week, o principal encontro global do setor, com representantes do governo brasileiro, especialistas internacionais e lideranças empresariais. O Brasil precisa participar desses espaços não apenas como mercado consumidor, mas como referência em segurança, logística e inclusão energética.
Olhando para 2026, nossa principal agenda é clara: previsibilidade e estabilidade regulatória. O mercado de GLP precisa de regras estáveis para planejar investimentos de longo prazo, preservar padrões de segurança e garantir um ambiente concorrencial saudável. Sem essa previsibilidade, quem perde não são apenas as empresas e, sim, a população, especialmente a de menor renda, mais sensível a volatilidades e descontinuidades de abastecimento.
Outra prioridade é a consolidação de políticas sociais que aumentem o acesso à energia mais limpa e segura que outros combustíveis como a lenha e carvão. O Gás do Povo é um caso emblemático de política pública que melhora a qualidade de vida, reduz riscos de saúde e contribui para uma transição energética mais justa. O Sindigás seguirá atuando para que esses programas sejam mais simples, eficientes e escaláveis, com resultados concretos para as famílias brasileiras.
Por fim, seguimos comprometidos com inovação, eficiência e sustentabilidade. O setor é maduro, mas não é estático. Há espaço para modernização logística, digitalização, novas soluções de monitoramento e aprimoramentos de processos, desde que sustentados por um marco regulatório coerente com a realidade da operação.
Entramos em 2026 com ainda mais confiança. O diálogo institucional amadureceu, o mercado se estruturou e o Brasil passou a discutir energia com uma visão mais ampla. O GLP é uma matéria-prima essencial, estratégico para a inclusão social, relevante para a transição energética e insubstituível para milhões de brasileiros. O nosso papel é, e sempre vai ser, garantir que esse ativo seja tratado com a seriedade que ele merece.
Sergio Bandeira de Mello
Presidente do Sindigás