Fonte: Sindigás
O Programa Gás do Povo alcançou, em maio, mais de 15 milhões de lares (ou 45,19 milhões de pessoas), ampliando o acesso ao gás de cozinha em todo o país. Só neste mês, 345,11 mil famílias passaram a receber o benefício pela primeira vez. O avanço tem impacto direto na rotina e na saúde de famílias em situação de vulnerabilidade, ao combater a pobreza energética e a exposição à fumaça tóxica durante a cocção dentro de casa. O GLP é, sem dúvidas, uma energia mais limpa e segura que outros combustíveis, utilizados para cocção doméstica, como lenha e carvão. Com a expansão do programa, cresce também a importância de disseminar informações sobre o uso seguro do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), especialmente entre os novos consumidores.
O GLP faz parte da rotina da maioria dos brasileiros, estando presente em cerca de 91% dos lares do país. Em termos de escala, o mercado movimenta aproximadamente 398 milhões de botijões por ano, o equivalente a uma média de 13 unidades de até 13kg comercializadas por segundo. Mesmo nessa escala massiva de uso cotidiano, ocorrências são estatisticamente raras e, em geral, associadas a falhas na instalação ou no uso inadequado dos acessórios.
Os botijões de GLP são fabricados em aço e projetados para suportar pressões superiores às do uso cotidiano. Antes de cada enchimento, passam por inspeções operacionais, e recipientes fora dos padrões são retirados de circulação. Além disso, os botijões precisam passar periodicamente por requalificação obrigatória supervisionada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que verifica a integridade estrutural dos recipientes. O enchimento só pode ocorrer em unidades autorizadas e fiscalizadas.
Outro elemento importante de segurança é a identificação da distribuidora gravada em alto-relevo no botijão. A marca permite monitorar a origem do recipiente, identificar a empresa responsável pelo envase e pela manutenção daquele ativo. Na prática, isso ajuda a garantir que o consumidor receba um produto que passou por controle operacional e fiscalização ao longo da cadeia.
Além disso, é importante também desmistificar a ideia de que o botijão “explode”. Não é raro que, após um incidente, móveis e estruturas tenham sido destruídos, mas o botijão permaneça preservado. Isso acontece porque os recipientes são projetados para suportar condições severas de temperatura e pressão.
Na maioria das ocorrências, o risco está associado ao vazamento de gás e ao contato com uma fonte de ignição, como chama, faísca ou equipamento elétrico. Em alguns casos, o fogo já começa no local e atinge o recipiente. Em outros, o gás acumulado entra em combustão após encontrar uma fonte de calor. Por isso, ventilação adequada, instalação correta e manutenção dos acessórios são fatores centrais de segurança.
Para evitar vazamentos e para que o botijão funcione de forma adequada, eficiente e sem riscos, mesmo ao lado de um fogão com chama acesa, os consumidores precisam estar atentos ao prazo de validade do regulador e da mangueira, à presença do selo do Inmetro e à ausência de “gambiarras” para ajustar os acessórios. O botijão precisa permanecer na posição vertical, em local ventilado, nunca em ambientes fechados ou confinados. Cheiro característico de gás, chiados ou dificuldade no funcionamento do fogão indicam a necessidade de interromper imediatamente o uso e verificar a instalação.
A escolha do GLP como base para a ampliação do acesso à energia se explica pela sua presença em todo o território nacional. Poucas infraestruturas energéticas têm hoje essa capilaridade no Brasil, o que torna o produto especialmente relevante para políticas públicas de alcance nacional. O GLP também representa uma alternativa mais limpa em relação ao uso de lenha e carvão nas residências, contribuindo para a redução de emissões e da exposição das famílias à fumaça dentro de casa.
Há de se considerar também o ponto de vista econômico. O botijão de 13 kg, modelo mais usado no país, dura em média cerca de 50 dias, dependendo do número de moradores e do padrão de consumo. Estudos comparativos mostram que, em determinados usos domésticos e dependendo da região e do equipamento utilizado, o GLP pode apresentar custo inferior ao de outras fontes de energia.
Medidas simples no dia a dia também ajudam a reduzir o consumo de GLP. Usar panelas tampadas, manter as bocas do fogão limpas e ajustar a chama ao tamanho da panela evitam desperdícios. Cortar os alimentos em pedaços menores e evitar abrir o forno repetidamente durante o preparo também contribuem para um uso mais eficiente do gás.
Ampliar o acesso ao gás de cozinha também significa ampliar acesso a uma fonte de energia amplamente disponível, eficiente para cocção e com padrões consolidados de segurança. Nesse processo, informação e orientação sobre uso correto fazem diferença, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Segurança no GLP não depende apenas do produto, mas de toda a cadeia: distribuição regular, revendas autorizadas, fiscalização, manutenção adequada e uso consciente dentro de casa.
Sergio Bandeira de Mello
Presidente do Sindigás