Fonte: Sindigás
Em milhões de casas brasileiras, a rotina do dia começa da mesma forma: alguém precisa garantir que haverá comida na mesa. Na maioria delas, especialmente nos lares mais vulneráveis, essa responsabilidade recai sobre as mulheres. Segundo dados do IBGE, mais de 50% dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, um retrato que ajuda a compreender quem está, no cotidiano, à frente da organização da vida doméstica e da segurança alimentar das famílias. Esse cenário também se reflete em políticas públicas recentes, como o programa Gás do Povo, que evidencia o papel central que essas mulheres desempenham na sustentação de seus lares.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), cerca de 94% das famílias atendidas pelo programa Gás do Povo são chefiadas por mulheres. São elas que, muitas vezes, organizam o orçamento doméstico, planejam as compras e fazem com que os recursos da casa sejam suficientes para alimentar toda a família. Quando o custo de itens essenciais começa a pesar no orçamento, são elas que precisam reorganizar as contas, ajustar prioridades e manter o funcionamento da casa. Nesse contexto, o acesso ao gás de cozinha deixa de ser apenas uma questão energética ou econômica. Ele passa a ser também uma questão de dignidade e qualidade de vida cotidiana.
O GLP ocupa um papel singular na vida dos brasileiros. Hoje, está presente em 91% dos lares do país e em 100% dos municípios, resultado de uma cadeia logística altamente estruturada, referência internacional, construída ao longo de décadas com investimento, tecnologia e rigorosos padrões de segurança. Poucas cadeias de abastecimento no Brasil combinam capilaridade, eficiência e confiabilidade em escala semelhante.
Ainda assim, para milhões de famílias de baixa renda, o botijão de gás representa um peso relevante no orçamento doméstico. Quando esse acesso se torna instável, o impacto é imediato. Muitas famílias acabam recorrendo a alternativas inseguras como o uso da lenha ou carvão para cozinhar, combustíveis que expõem as famílias a riscos severos à saúde devido à fumaça tóxica em ambientes fechados, além de afastar crianças da escola e mulheres do mercado de trabalho, pois esses materiais muitas vezes precisam ser coletados.
É nesse ponto que políticas públicas voltadas ao acesso à energia doméstica mais limpa e segura que esses outros combustíveis, como a lenha, ganham ainda mais importância estratégica. Programas como o Gás do Povo ajudam a combater a pobreza energética ao ampliar o acesso ao GLP e garantir mais saúde, qualidade de vida e dignidade energética para o cotidiano das famílias mais vulneráveis.
Por isso, ampliar o acesso ao gás de cozinha de botijão significa também fortalecer a capacidade das mulheres de conduzir a rotina familiar com mais segurança, previsibilidade e estabilidade.
Quando políticas públicas garantem acesso a um recurso essencial como o gás de cozinha de botijão, o impacto positivo vai muito além do setor energético. Ele chega diretamente ao cotidiano de milhões de lares e reforça a segurança alimentar de famílias inteiras.
No fim das contas, discutir e garantir acesso ao GLP também é reconhecer e apoiar quem administra milhões de lares no Brasil. Em grande parte desses domicílios, são as mulheres que transformam recursos limitados em cuidado, alimentação, dignidade e estabilidade familiar.
Sergio Bandeira de Mello
Presidente do Sindigás